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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Hoje num almoço de família, gabaram tanto uma sobremesa de mousse de lima com menta que fui buscar uma colherzinha de café e tirei uma lágrima para experimentar. Soube-me a açúcar. Eu sei que se estivéssemos no ano passado, por esta altura, tinha sabido bem mas como ando sem comer coisas com açúcar há mais de um ano, tudo que tenha 1 graminha de açúcar só me sabe a açúcar. Se como uma banana mais madura, é como enfiar um pacote de açúcar pela boca abaixo.
O lado positivo é que estou desintoxicada de açúcar, o lado negativo é que devo ter perdido a mão para doces porque as coisas que aos outros sabem bem, para mim são pilhas de açúcar.
Depois, uma pessoa da família que está com enorme excesso de peso perguntou-me como é que eu tinha conseguido fazer esta dieta tão extrema. Se tinha ido a um nutricionista, se estava a tomar comprimidos... disse-lhe que tem sido só força de vontade e orientação inestimável do meu querido médico sem o qual não tinha chegado aqui. Disse-me que não era capaz só com isso. Não critico. Já fui meio-viciada em chocolates, completamente viciada em cigarros... mas chega uma altura em que temos que escolher entre o vício e a vida.
Quando deixei de fumar pedi ao meu filho (que sempre odiou tabaco) para me guardar os maços que sobraram (comprava os cigarros em volumes de 10 maços) no quarto dele porque sabia que para deixar de fumar tinha que ter cigarros em casa. Entretanto ele saiu de casa e guardou-mos numa gaveta onde tenho meias. Isto foi há 9 anos ou por aí. Desde então nunca mais vi esses maços de cigarros. Não abro essa gaveta até ao fundo para não os ver mas toco-lhes, de vez em quando. Acho que agora já os podia ver. Vou ali ver e já venho. Será que é hoje que me desfaço deles?
(melhor ouvir sem som que esqueço-me que isto está a gravar o som e fico a dizer parvoíces...)
Faz hoje seis anos que deixei de fumar. Ontem, a propósito dum assunto da aula do 11º ano, partilhei essa experiência com os alunos. Falámos do tabaco, da questão do vício como perda de liberdade, da dificuldade de largar os vícios uma vez instalados, das consequências de fumar, das más escolhas, das imprudências, da força da vontade, de como de repente as flores voltaram a ter cheiro, etc.
Fizeram mil e umas perguntas: quando começou a fumar, como, porquê, porque não deixou mais cedo, ainda tem vontade de fumar, fumava em casa, como conseguiu deixar...
Senti-me um bocadinho numa reunião de A.A.
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