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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Já choveu bem. Agora cai uma chuva miudinha. Como são necessários, sem serem bons, estes dias mordacentos... músicas tristes que arrastam para as zonas mais sombrias, âncoras que desdobram rapidamente as correntes até pousar no solo fundo... ¿como perceber a luz se nunca se viveu a sombra... ou não fossem, a luz e as trevas, um dos dez pares da tábua dos opostos, princípios de toda a realidade, segundo Pitágoras, que segundo se conta, terá sido o primeiro a usar o termo, Filosofia.


Vou de par com este tempo
solzinho murcho
horizonte cinzento
imitando o poeta
também hoje chovo por dentro
bja

do Ricardo Oliveira

Há muitos anos que não me lembro duma semana tão mázinha de tempo no Algarve - ou está encoberto e caem pingos de chuva ou descobre um bocadinho e o vento é de 500 quilómetros à hora ou a água está tão fria que parece picaretas...
Hoje, à volta da praia, vinha um casal francês à minha frente a falar que tinham ido à agência porque tinham uma promoção que garantia férias com sol ou o dinheiro de volta mas quando foram pedir o dinheiro não tiveram sorte nenhuma. Claro... seria o mesmo que o Socas devolver o recheio da casa que o paquistanês pagou...
A única coisa boa disto é que farto-me de ler uma vez que a internet também está enevoada.
Tenho que ir fazer um teste... apetece imenso...

Dove gli occhi si chiudono; dove il tempo
fa echeggiare il nicchio del silenzio;
dove il chiaro deliquio si dissolve
nell’aroma dei nardi e del sesso;
dove gli arti son lacci,e le bocche
non respirano,ansano frementi;
dove le dita tracciano altre orbite
per lo spazio dei corpi e delle stelle;
dove la breve agonia; dove la pelle
si fonde nel sudore; dove l’amore.
- José Saramago

Balada da Chuva
(JG de Araujo Jorge)
A tarde se embaça: - um pingo, outro pingo
respinga um respingo de encontro à vidraça;
um pingo, outro pingo, e a chuva aumentando
e eu nada distingo,- respinga um respingo
tinindo, cantando de encontro à vidraça
A noite esta baça e a chuva enervante
batendo, batendo, constante, cantante
de encontro à vidraça
A terra se alaga o céu se nevoa,
e a chuva é uma vaga fininha, descendo,
parece garoa!
parece fumaça!
- e as águas subindo e as poças subindo
e a chuva descendo e a chuva não passa!
O dia surgindo, manhã turva e baça.
A chuva fininha miudinha, miudinha,
parece farinha lá fora caindo,
através da vidraça.
(...)
Já fazia falta, a chuva, para limpar a poeira. Quando éramos miúdos e a escola começava no dia a seguir à República, os primeiros dias molhados de Setembro eram uma espécie de lembrete antecipado do fim das férias e do início do ano escolar. Lembro-me exactamente dessa sensação pesada de despedida porque então um ano demorava muito tempo a passar e a ideia do próximo Verão era uma miragem muito longínqua. Agora, gosto desses dias de anunciação de estação.
Hoje é um dia de trabalho. E de cozinhar também, que está a apetecer-me :)

Estou a ouvir o amola-tesouras...
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Finalmente chove
alguém deixou o coração
no pavimento abandonado
pétalas rubras no chão
rosa de um fulgôr sepultado.
bja

Leonid Afremov
Chuva, vento e desconforto.
A escola inundou. Fui para a escola com o lado esquerdo da cara cheio de dores por causa duma otite. Cheguei lá encharcada porque os passeios de Setúbal formam covas com lagos onde inevitavelmente acabamos por pôr os pés...cheguei à escola e dei de caras com rios de lama. Chovia copiosamente no polivalente e no refeitório. Um caos de carros à porta da escola, de alunos a voltar para trás porque nem dava para passar para as salas de aulas. tive de vir a casa mudar de roupa...
Aquela escola, se não houvesse obras qualquer dia caía de podre.
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