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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Hoje, dois alunos passaram a correr por uma colega que estava à porta da sala de aula à espera que a funcionária abrisse a porta e roubaram-lhe a mala com um puxão. Eram da turma a que ia dar aulas. Uma turma do 7º ano que tem um historial.... bem, chamou-se a polícia, que apanhou os miúdos que acabaram por dizer onde tinham posto as coisas.
É assim que as coisas estão! A desautorização dos professores, o quase incentivo à indisciplina e à ofensa aos professores e a desvalorização da profissão que herdámos da outra de má fama juntamente com o caos em que as coisas andam em termos sociais deram nisto.
Falava à bocado com um amigo a propósito do artigo da Catalina Pestana que pus aqui no blog porque dá o tom exacto da degradação a que chegou a vida política do país. A certa altura ela compara este período com o do PREC, mas eu acho que estamos muito pior. É certo que havia muito caos e muita coisa era mal feita, com as lutas pelo poder a serem, por vezes, ferozes, mas a par disso havia muito idealismo. Agora é só corrupção e ganância e cinismo e muito desprezo pelos que menos têm. Gente de muito baixo nível governa-nos e dita o nosso futuro. E no entanto o país está cheio de pessoas com valor. Mas não quiseram assumir responsabilidades e deixaram que lhes fechassem os caminhos.
Se o Sócrates ficasse em N.Y. a fazer companhia ao corninhos, livrávamo-nos desses dois miseráveis. Fazem-me sempre lembrar o joker no crapôt: quando por acaso uma carta não está imediatamente disponível alguém agarra num joker e põe-no no lugar da carta. É um recurso que entope o baralho e não se deve, por isso, usá-lo, a não ser em último caso, quando não há mesmo possibilidade de ir buscar a carta certa. Pois neste momento temos todos os jokers em jogo a substituir as cartas mais importantes do país. E com isso o jogo está todo entupido.
...e abandona as escolas onde os seus filhos não estão...
O problema já é "crónico", mas neste arranque de ano lectivo está a tornar-se "caótico", até porque generalizado à escala nacional, assegura ao JN Albino Almeida. O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) jura não ter memória de um ano assim.
Os atrasos nas colocações de professores e de outros funcionários não docentes, como psicólogos e terapeutas, também só pode ser entendido pela mesma necessidade de controlo da despesa com pessoal.
Há escolas à beira da ruptura, a funcionar sem pessoal auxiliar, com grande sacrifício dos professores", afirmou ao JN António José Ganhão. Para o vice-presidente da ANMP, o atraso nas contratações deve-se ao facto de as direcções regionais de Educação "estarem dependentes de autorização do Ministério das Finanças para a contingentação de horas a contratar pelas escolas".
Há escolas de 700 alunos a funcionar com três auxiliares (...) sem formação específica para desempenhar a função, sobretudo quando têm de acompanhar alunos com necessidades educativas especiais. E isso acontece com frequência, dizem.
As buscas pela criança vítima de bullying terminaram ontem sem resultados. A família não vai fazer cerimónias fúnebres. A morte da criança só pode ser declarada daqui a dez anos
Em Dezembro de 2008, o jovem foi internado dois dias no Hospital de Mirandela, onde chegou acompanhado da polícia e da família, "sinalizado como vítima de uma agressão por parte de três colegas da escola", segundo confirmou uma fonte do serviço de comunicação do Centro Hospitalar do Nordeste. Em casa, Leandro negava que lhe batiam, mas a família protestou junto da direcção da escola. Outra prima, Márcia, tentava protegê-lo das investidas e lembra-se da resposta do Conselho Executivo: "Eles são pequenos, que se desenrasquem. Disseram que não podiam fazer nada porque eram menores".
"Que se desenrasquem" significa deixar os alunos entregues a si próprios, à lei do mais forte, ou do mais 'mauzinho' e seus seguidores. É claro que o Conselho Executivo podia, e devia, ter feito alguma coisa: abrir inquérito, chamar os pais, punir os alunos, passar a vigiá-los de perto, etc. Este tipo de pessoas não pode estar à frente duma escola, e estando, depois destas coisas se comprovarem, quer dizer, que sabiam e não fizeram absolutamente nada, têm que ser demitidas e impedidas de voltar a ter cargos de responsabilidade que envolvam pessoas.
Isto são péssimas notícias, porque vê-se pelas declarações dos outros relativamente ao professor que se suicidou, que nas escolas o uso e costume é olhar para o lado. Ora, sendo certo que o número de alunos vai aumentar com o prolongamento da escolaridade obrigatória, que vão passar a estar cada vez mais horas na escola, e sendo certo também que não vai haver aumento de funcionários (o ministro diz hoje que só entra 1 por cada 3 que saírem), muito pelo contrário ainda devem diminuir, o que aí vem é um caos e um inferno para as escolas.
Vamos ter outros Leandros e outros professores de música.
Júlio Magalhães apela à administração para que "tome uma decisão rápida" sobre a direcção de informação da TVI. Está em risco um trabalho de 11 anos.
Uma redacção em estado de sítio. O fim do "Jornal Nacional" apresentado por Manuela Moura Guedes e a subsequente demissão da direcção de informação da TVI abriram uma guerra sem quartel: as trocas de acusações entre jornalistas sucedem-se na imprensa e na blogosfera, gerando um clima de grande mal-estar nas instalações do canal.
Isto explica tudo. Qual é a empresa que estando na posição de líder no seu campo toma uma decisão impulsiva e sem medir consequências perdendo a posição que tinha e arriscando-se a não a recuperar? Nenhuma, claro, pois nenhuma empresa existe e se esforça para perder lucros e dar vantagens à concorrência.
É preciso que a contrapartida seja, TÃO GRANDE, para estarem dispostos a correr estes riscos....
Que contrapartida foi essa....isso é que gostávamos de saber.
Quem a deu? Não sei, mas sei que todos apostamos no Zé dos Barracões.
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