Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Parece-me a mim que, desde que os jornais passaram a estar ligados ao poder dum modo que lhes retira objetividade e isenção, muita gente vira-se para os blogues em busca de notícias não filtradas politicamente, em busca de opinião crítica e, acima de tudo, garantia de não controlo governamental.
Falo de blogues, sobretudo coletivos -na sua maioria, embora não todos- constituídos por pessoas que têm acesso a informação, seja por frequentarem os mesmos círculos ou por terem cargos, profissões ou amigos com esse acesso a informação que não aparece nos 'media' e que não se coíbem de a tornar pública, de a criticar e sobre ela opinar livremente.
Muitas vezes nem se trata de terem informações especiais mas tão somente de poderem, pelas suas profissões, desmontar as propagandas que os governos encenam à volta de serviços quando os querem atacar.
Não escondem o seu posicionamento político de modo que não há enganos ao lê-los. Quantas vezes os jornalistas vão aos blogues à procura de infomação fidedigna, não filtrada e maquilhada pelos queridos assessores...?
Talvez por isso os políticos sejam hoje muito mais duros nas críticas e ataques a blogues que a jornais: é que os jornais estão mais ou menos controlados, mas os blogues estão à solta e não conseguem que se calem ou que alinhem. Ainda bem que assim é, quer dizer, que as pessoas arranjam modos de furar a nuvem de poeira que os governos lhes lançam aos olhos.
É uma coisa boa sermos livres de ler o que queremos e, sobretudo, não sermos obrigados a ler o que não queremos. Estive a ler um post dum blogue que para além de dizer falsidades sobre a avaliação dos professores ainda os ofende bem como a quem fez lá comentários, pois a pessoa que escreve o post não consegue responder sem começar por chamar às pessoas 'gente com dificuldades no raciocínio', 'terroristas' ou até compará-las ao cão de Pavlov...enfim, um indivíduo mal educado, mal informado sobre o assunto, mas sem problema nenhum em opinar e ofender à larga.
Já uma ou outra vez fui a esse blogue e, na maioria das vezes, não gosto do que lá leio. Para além que alguns que lá postam fazem parte daquilo que chamo, 'coçadores camuflados'.
É por isso que gosto da liberdade: só leio o que quero. Gosto de blogues interessantes, que me ensinem qualquer coisa, ou inteligentes e informados e isso vê-se na justificação e argumentação do que defendem, ou literários - de poesia e introspecção literária, ou até divertidos. Não tenho é paciência para blogues onde as pessoas falam do que não sabem e não sejam depois capazes de defender o que escrevem sem recurso à falta de educação, e à ofensa pessoais. Por isso gosto da liberdade. Só leio o que quero.
Tirem-nos deste filme
Helena Garrido
Irresponsabilidade, incompetência, partidarismo carreirista e mediocridade.
É impressão minha ou jornais estão a ficar um bocado 'ablogados'? Quer dizer: desde os títulos, assim um pouco à policial tipo B à estrutura dos artigos, que parecem posts de blogues até ao tom demasiado informal, demasiado subjectivo e sem rigor. Alguns blogues são muito mais objectivos. Isso choca-me, porque um blogue não é um jornal, não tem obrigação de ser rigoroso e informativo. Um blogue é comprometido com a pessoas(s) que o escrevem, que não são, na grande maioria, jornalistas e o escrevem por variadíssimas razões, geralmente entretenimento ou desabafos ou expressão de opiniões, etc. Ora os jornais, cada vez mais parecem blogues e os jornalistas opinam sem terem o cuidado de se informarem dos assuntos e sem fundamento para o que dizem. Dizem apenas a sua opinião. Mas num jornal, mesmos nos editoriais e artigos de opinião queremos ver argumentos razoáveis e não apenas 'queixas'. Isso é o que nós fazemos às vezes nos blogues. Mas nós não somos jornalistas. Eu, na minha profissão, tenho cuidado em não apresentar opiniões sem justificação ou fundamento, mas muitas vezes aqui no blogue assumo um tom jocoso ou de queixa que num jornal nunca adoptaria. Faz-me impressão que muitos jornalistas não saibam fazer esta distinção.
Hoje em dia leio os jornais e muitos parecem posts de blogues. Pior, muitos blogues que as pessoas escrevem nas horas vagas e não por profissão, são mais sérios, mais rigorosos e mais objectivos. Eu sei que isto mostra a importância crescente dos blogues, mas parece-me que os jornalistas deviam pensar seriamente no que andam a fazer. Este artigo, por exemplo, não tem nada de informativo ou de sintetizador da situação ou sequer de modelo de reflexão. É apenas um chorrilho de queixas e ofensas...nada mais.
A identidade nas preocupações, nos assuntos, cria, ou pelo menos eu sinto, uma ligação bloguista, mesmo não conhecendo as pessoas, ou, mais ainda, não me conhecendo elas a mim, nem a este blogue. Não interessa. Essa ligação e solidariedade existe. É muito interessante como as coisas podem surgir como identidades sentidas na distância.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.