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Na parte que respeita ao trabalho na sala de aula, concebo uma avaliação de professores formativa, externa à escola, constituída por ex-professores das disciplinas que avaliam. Professores que saíssem do activo para se dedicarem à avaliação de professores.

 

Teriam de ter um certo perfil: um conjunto de certas características - idade/muita experiência, trabalho reconhecido, seja académico ou em termos de resultados na sua actividade profissional. Estas equipas andariam em pares, por professores da mesma disciplina que o avaliado e fariam avaliação de professores em zonas onde não tivessem leccionado. É preciso perceber que nas escolas os avaliados e os avaliadores são pares, não há hierarquias a não ser do orgão de direcção e não podemos ter professores que são colegas a avaliar outros colegas do mesmo nível, mesmo que lhes dêem uns títulos para parecer que há superioridade. Isso foi o que fez a Rodrigues e inquinou todas as relações entre pares.

 

A sua avaliação seria no sentido de apontar pontos fracos e fortes. Quer dizer, acompanhar o professor em questão durante um tempo (uns meses) e no fim reunir com ele e apontar pontos fracos e fortes no seu trabalho para o professor poder alterar, ou reajustar, se for caso disso, o seu modo de trabalhar. Fariam um relatório para o director ficar a par sobre o ponto da situação. Isto, quanto a mim, seria indiferente à subida de escalão que teria a ver com o trabalho de escola avaliado pelo director mais as formações, etc. O objectivo não é punir mas formar, dar espaço para a pessoa crescer enquanto profissional.

 

É assim que entendo uma equipa de avaliação externa: uma equipa com propósitos formativos. Por ser formativa, penso que seria bem recebida pelos professores e teria um papel útil e efectivamente contribuinte para a melhoria de resultados.

Casos de professores que não cumprissem os seus deveres profissionais seriam encaminhados para a Inspecção. Isto permitiria detectar casos de professores completamente inadequados para a profissão, estratégias e estilos de leccionação positivos, negativos, eventualmente causas de insucesso transversais a muitas escolas. Permitiria avaliar da evolução do trabalho do professor ao longo da carreira. O conhecimento em forma de dados extraído de avaliações assim, seria mais valioso que oitecentos quilos de grelhas preenchidas.

 

Só entendo uma equipa de avaliação externa nestes termos. O resto é igual ao que já temos só que com burocratas de fora da escola.

É claro que isto saíria mais caro que preencher grelhas estúpidas com a prata da casa ou com prata de fora. Mas estou convencida que resultaria e que a médio e longo prazo veríamos as pessoas a mudarem a sua maneira de encarar a profissão e tudo.

Grelhas estúpidas, e equipas externas de avaliação punitiva não só não mudam nada como põem as pessoas na defensiva, são geradora de conflitos, queixas, recursos, etc., o que piora os resultados...com prejuízo para a educação.

Mas, como é costume, estou convencida que no ME escolherão exactamente a pior solução, a que estraga ainda mais, a que põe os professores mais subservientes e amestrados.

 

publicado às 22:50

 

Este post e o que se lhe segue são reedições de dois posts de 2011 que escrevi quando nos congelaram pela segunda vez a pseudo-carreira. Eles fazem sentido em conjunto porque um fala da avalição do trabalho escolar como um todo e o outro da avaliação das aulas. Reeditei-os porque as condições e o contexto já não são exactamente os mesmos mas, para minha surpresa, não são assim tão diferentes do que eram e em grande parte ainda são válidos.

 

 

1. Quando falamos em avaliar profissionais, falamos em avaliar a competência das pessoas no trabalho. A competência avalia-se no local de trabalho sabendo o trabalho que a pessoa faz e os resultados que alcança.

 

2. A profissão de professor tem duas componentes: a da sala de aula e a do trabalho exterior à sala de aula e, em meu entender, são diferentes e devem ser avaliados por pessoas diferentes em enquadramentos diferentes. Relativamente à avaliação do trabalho dentro da sala de aula falo no post seguinte. No entanto, desde já me parece evidente que a avaliação dos professores no que concerne à sala de aula tem que ser formativa, pois o objectivo é que melhore a sua prática e a sua capacidade de se reformular e não que se sinta acossado. Infelizmente é só o que têm feito os ministros da educação desde a Rodrigues, acossar professores.

 

3. O trabalho dentro da sala de aula e o trabalho exterior à sala de aula convocam capacidades distintas: o primeiro, sendo o cerne da profissão docente mas não a esgotando, diz respeito ao desenvolvimento pedagógico de um currículo e diz respeito a conhecimentos e à sua transmissão/construção; o segundo remete para um trabalho de gestão de pessoas, espaços e conflitos (coordenadores, DTs, etc), organização e coordenação de eventos (feiras, visitas de estudo, projectos, etc). Enquanto o primeiro, o trabalho dentro da sala de aula, requer avaliador especialista na disciplina em questão, isto é, professores da mesma disciplina, o segundo deve ser garantido pelo responsável da escola que neste caso é o director. 

Quem dirige a escola tem a obrigação e dever de saber do trabalho que os professores fazem (seja directamente seja através dos responsáveis pelas diversas unidades), tem o dever de regular esse trabalho, de criar condições para o trabalho, de motivar os professores, de fomentar o rigor, de obrigar ao cumprimento de todas as tarefas e de desenvolver mecanismos para avaliar os resultados do trabalho dos professores.

 A inspecção é um instrumento auxiliar de avaliação em casos de problemas ou queixas, seja da Direcção relativamente a um professores, seja o inverso - o que há muito deixou de ser, mas isso seria outra história.

 

Para isto resultar têm de verificar-se certos requisitos pois, por exemplo, cada vez se pede mais trabalho colaborativo aos professores ao mesmo tempo que se lhes mina as condições da possibilidade de colaboração:

 

a) Tem que haver autonomia na escola: dos professores - nem o ME nem o Director podem interferir na autonomia pedagógica dos professores pois se um professor é obrigado a seguir uma sebenta, uma metodologia única, uma certa forma de desenvolvimento curricular impostos por outrém, então o resultado negativo do trabalho é da responsabilidade de quem impôs aquelas coisas. Se o professor é um mero executor das ideias de outrém então o falhanço das ideias é do 'outrém'.

A ausência de autonomia é anti-pedagógica pois tem por base a ideia que todos os alunos e professores e disciplinas são iguais, trabalham do mesmo modo, organizam-se do mesmo modo, etc., o que é falso e tem sido uma das causas do insucesso escolar;

 

b) o Director e a sua equipa não podem estar presos ao ME a cumprir ordens que não interessam à escola e a preencher grelhas. Eles trabalham para a escola e é nela que têm que estar concentrados;

 

c) o Director e a sua equipa são eleitos pelos professores, funcionários, alunos e representantes de pais. Se a equipa de Direcção é nomeada pelo ME trabalha para agradar a quem a nomeia e volta as costas àqueles com quem tem de trabalhar e cooperar, que são os professores e os alunos.

O Director deve ter um número limite de mandatos, abaixo dos dez anos. Os Coordenadores de Departamento têm que ser eleitos pelos grupos disciplinares sem interferência dos Directores pois de outro modo, que é o que temos agora, são seus meros serviçais, têm que ter número limite de mandatos e o Conselho Pedagógico tem que recuperar o seu poder de deliberação. É preciso ter presente que a escola é um lugar pedagógico. Não é uma empresa, não vende produtos. Ensina e educa pessoas.

 

d) A avaliação dos conhecimentos dos professores deve fazer-se na faculdade onde cursaram e no estágio. É no estágio que se formam e avaliam os professores e os seus conhecimentos, é aí que se deve fazer uma triagem. É claro que, se a profissão continuar a ser degradada cada vez mais vêm parar à escola pessoas de fracos conhecimentos.

 

e) Os professores que entram na carreira deviam ter um colega mais velho que os acompanhasse mais de perto para orientar e ajudar, durante um ano ou dois.

 

Ou queremos uma escola de qualidade com pessoas de qualidade ou queremos uma escola de mediocres subversientes que não se importam de fazer um mau trabalho desde que isso lhes garanta o tacho.

 

O trabalho dum professor necessita de ser cooperativo: em cada turma é preciso que os professores cooperem para ajudar os alunos. Se obrigam os professores a serem competidores entre si, se fomentarem a divisão e a punição de uns pelos seus pares, nenhuma cooperação é possível e quem se prejudica são os alunos.

A essência do trabalho do professor é procurar e partilhar conhecimentos. Não faz sentido formarem-se professores para que tenham gosto pelo conhecimento e pela partilha do conhecimento e depois se impeça esses mesmos professores de procurarem o conhecimento tirando-llhes autonomia e impedindo-os de trabalhar pondo-os a competir uns contra os outros. 

É claro que, se um agrupamento tem 3000 ou mais alunos e 300 professores toda a avaliação é meramente burocrática e formal. 

 

 

OCDE defende avaliação de professores para detectar e melhorar falhas (Público) 

Em Portugal, apenas 1,3% dos jovens que desejam prosseguir estudos no ensino superior têm como objectivo seguir a profissão de professores (...) apenas 4,2% dos alunos de 15 anos dos países da OCDE tinham como plano futuro ser professor, sendo que é nos países onde os salários dos docentes são mais altos que se encontram mais jovens a querer seguir aquela carreira.

 

publicado às 19:59


Se não fosse grave era só cómico

por beatriz j a, em 27.06.17

 

 

Um organismo da Direcção Geral da Educação entendeu, bem, fazer uma avaliação da liderança das escolas do ponto de vista dos seus professores, identificando a escola e, portanto, o director, através de questionário anónimo. Tal como fazemos em vários serviços e organismos. Por exemplo, já respondi a mais que um questionário desses na loja do cidadão, no Hospor, etc. Como tal, e sabendo que os questionários não chegariam às mãos dos de cujos, é evidente que as pessoas responderiam com honestidade sabendo não haver receio de represálias, perseguições, assédio, etc. Bem, os directores foram a correr queixar-se de estarem a ser avaliados - sem poderem, como é costume, nas pseudo-avaliações externas, controlar quem é escolhido para lá ir falar e quem diz o quê a quem e como e quando e, o que mostrar e o que esconder, etc. Resultado: recebemos um email do mesmo organismo a dizer que esse questionário foi 'descontinuado', por assim dizer, por queixa dos directores que não querem ser avaliados [digo eu] e que agora havia outro, em que respondíamos de maneira que não se pudesse saber de que escola e director estávamos a falar. Pois, agora que o questionário foi domesticado para não interessar a ninguém a não ser ao recicle bin, recebemos emails dos directores a invcentivar a resposta a esses questionários... se não fosse grave, porque indicador da total ausência de transparência e democracia nas escolas com todas as consequências que daí advêm, era só cómico.

 

publicado às 16:40


Educação

por beatriz j a, em 19.11.12

 

 

 

 

Andam a sair decretos sobre avaliação de professores... outra vez... ainda não li nenhum e francamente não quero saber disso. Estamos com parte dos salários cortados, sem subsídios, as carreiras congeladas e continuamos obrigados a fazer formações que nada acrescentam e avaliações que nada melhoram...

Neste país parece que os ministros da educação fazem um pacto assim que chegam aos governos de não voltar a falar de educação e só se pronunciarem sobre assuntos periféricos.

A avaliação na educação é como a inspecção da comida: serve para ver se alguma coisa está estragada e é nociva mas, não avalia a sua qualidade gastronómica nem ensina a fazer bons cozinheiros. Enquanto não perceberem isso nunca hão-se ultrapassar este problema. Aulas assistidas aqui e ali... têm mérito no início de carreira, sobretudo as aulas dos orientadores que os estagiários observam para terem modelos de referência de actuação.

Dar aulas é um processo em continuo melhoramento que não se aperfeiçoa com observações exteriores, mas com exemplos. Num ano inteiro de aulas, umas correm bem outras menos bem. Em alturas que andamos cansados às vezes fazemos, ou dizemos alguns disparates. Isso não faz de um professor um mau professor. Quando desacertamos uma aula, temos as seguintes para corrigir.

Eu acho bem que os Directores, que são quem avalia (não os Coordenadores ou outros colegas, o que é um erro tremendo que continua a estragar as escolas), vão assistir a aulas sem aviso, para saber o que se passa nas escolas e o que as pessoas estão a fazer. Agora, aquele teatro de preparar aulas para inglês ver...

Cada vez me interesso menos por essas coisas que não adiantam nada à educação e me concentro mais nas aulas e nos alunos. Se uma pessoa esperasse que o ministério da educação, pela sua acção inteligente e pedagógica nos motivasse ou contribuísse para a nossa evolução profissional, morria na espera.

De ano para ano as políticas do ministério são cada vez mais leninistas (o que causa estranheza uma vez que não temos governos comunistas, antes pelo contrário): os eleitos decidem, arbitrariamente, e depois dão ordens e obrigam toda a gente a obedecer ao seu plano quinquenal, mesmo que desvirtue a Constituição e a própria profissão de professor, assente na liberdade pedagógica e técnica de ensinar e educar os alunos, não duma maneira uniforme como se fossem todos robots a serem formatados em fábrica mas duma maneira responsável, criativa, evolutiva e eficaz.

Confunde-se coerência com uniformidade. Coerência é o acordo interno das partes consigo próprias. Uniformidade é, como o nome indica, todos usarem o mesmo uniforme de modo a ninguém se distinguir de ninguém. Como é que uma profissão que tanto depende da iniciativa e criatividade dos professores pode promover a uniformidade que anula essas qualidades? A uniformidade leva até à incoerência com a própria disciplina que ensinamos. E que preparação damos aos alunos fazendo-os crer que é tudo uniforme e nada nem ninguém se deve distinguir das outras coisas e pessoas? Mas alguém que tenha educação e posses quer os seus filhos educados de maneira a serem incapazes de criatividade e empreendorismo à força de tanta uniformização?

Uma avaliação de professores também não é coerente por ser uniforme.

É uma tristeza cada vez maior assistir a esta destruição leninista da educação pública. E vê-la ser defendida e promovida por pessoas que se dizem defensores da liberdade e dos valores democráticos... algumas que até são de direita... é um sinal dos tempos de ignorância, confusão e desnorte em que vivemos.

 

publicado às 07:25


Mau, mau...

por beatriz j a, em 22.05.12

 

 

 

Acabo de ler que o ME está a fazer qualquer coisa que vai mudar a avaliação dos alunos e obrigar a que avaliemos os alunos ao gosto das pessoas do governo e para cumprir pontos do governo? Isto já me pôs doente. Nem vou dizer mais nada que já me irritei e não sei ao certo o que se passa e não vale a pena baixar o nível.

Mas que raio dá na cabeça daquelas pessoas para pensarem que sabem melhor que o professor que está diante da turma como deve avaliar? Desvalorizar a avaliação do comportamento? E ao mesmo tempo que se aumentam os alunos por turma e as turmas nas escolas? Mas estão doidos? Mas é lá possível uma turma aprender alguma coisa se a premissa da disciplina não estiver assegurada?

 

publicado às 22:18


opiniões por dentro

por beatriz j a, em 28.06.11

 

 

As aulas observadas, quando as há, deviam ser feitas de um modo que não implicasse a presença física do observador dentro da sala. Com uma câmara, não sei... o que sei é que o observador modifica o observado. Sei de vários casos... coisos... num deles a turma foi avisada pela professora que ia ser avaliada, de modo que portaram-se excelentemente bem (sendo uma turma com alguns problemas), o que fez com que a professora na aula seguinte fosse dar beijinhos a todos os alunos e agradecer com chocolatinhos. Se isto se reflectiu nas notas deles, não sei, mas sei que isto não é pedagógico e não contribui para a verdade das coisas.

 

publicado às 23:43

 

 

 

...seria uma equipa formada por ex-professores. Professores que saissem do activo para se dedicarem à avaliação de professores. Teriam de ter um certo perfil: um conjunto de certas características - idade/muita experiência, trabalho reconhecido, seja académico seja em termos de resultados na sua actividade profissional. Estas equipas andariam em pares, por professores da mesma disciplina que o avaliado e fariam avaliação de professores em zonas onde não tivessem leccionado. A sua avaliação seria no sentido de apontar pontos fracos e fortes. Quer dizer, acompanhar o professor em questão durante um tempo (de 5 em 5 anos, por exemplo) e no fim reunir com ele e apontar pontos fracos e fortes no seu trabalho para o professor poder alterar, ou reajustar, se for caso disso, o seu modo de trabalhar. Fariam um relatório para o director ficar a par sobre o ponto da situação. Isto, quanto a mim, seria indiferente à subida de escalão que teria a ver com o trabalho de escola avaliado pelo director mais as formações, etc.

É assim que entendo uma equipa de avaliação externa: uma equipa com propósitos formativos. Por ser formativa, penso que seria bem recebida pelos professores e teria um papel útil e efectivamente contribuinte para a melhoria de resultados. Casos de professores que não cumprissem os seus deveres seriam encaminhados para a Inspecção. Isto permitiria detectar casos de professores completamente inadequados para a profissão, estratégias e estilos de leccionação positivos, negativos, eventualmente causas de insucesso transversais a muitas escolas. Permitiria avaliar da evolução do trabalho do professor ao longo da carreira. O conhecimento em forma de dados extraído de avaliações assim, seria mais valioso que oitecentos quilos de grelhas preenchidas.

Só entendo uma equipa de avaliação externa nestes termos. O resto é igual ao que já temos só que com burocratas de fora da escola.

É claro que isto saíria mais caro que preencher grelhas estúpidas com a prata da casa ou com prata de fora. Mas estou convencida que resultaria e que a médio e longo prazo veríamos as pessoas a mudarem a sua maneira de encarar a profissão e tudo.

Grelhas estúpidas, e equipas externas de avaliação punitiva não só não mudam nada como põem as pessoas na defensiva, são geradora de conflitos, queixas, recursos, etc., o que piora os resultados...com prejuízo para a educação.

Mas, como é costume, estou convencida que escolherão exactamente a pior solução, a que estraga ainda mais, a que põe os professores mais subservientes e amestrados.

 

publicado às 00:41


esclarecimentos precisam-se

por beatriz j a, em 29.03.11

 

 

 

Suspensão das avaliações “para todos”

Frente sindical da administração pública fala em “tratamento discriminatório” face aos professores.


 Nós não vamos deixar de ser avaliados ou de ter de fazer formações anuais, etc. O que foi suspensa foi esta avaliação, a avaliação em que um grupo de professores iguais aos outros avalia-os e dá-lhes nota num processo onde concorrem todos às mesmas quotas. Foi isso que foi suspenso: o processo de avaliação inventado pela Lurdes Rodrigues para por todos uns contra os outros e dar cabo da educação.

Nós vamos continuar a ser avaliados pelo modelo anterior a esta. Não ficamos sem ser avaliados. Era bom que alguém esclarecesse isso na TV ou nos jornais, porque a maneira como dão as notícias dá a entender, falsamente, que vamos deixar de ter avaliação.

 

publicado às 05:32


o que mudará na educação?

por beatriz j a, em 14.02.11

 

 

 

Muito provavelmente, nada, porque as pessoas são as mesmas com as mesmas teorias e crenças.

Quem lê os blogues de professores vê que a questão da avaliação está no topo das suas preocupações pelas consequências que está a ter -negativas, pois bem- no ambiente, na colaboração e no trabalho das escolas. Não é só a demência dos descritores e evidências, mas é sobretudo a destruição da lealdade colegial que sempre deve haver entre pares.

Mas a ministra ignora e diz que as escolas estão pacificadas. Os sindicatos relegaram o assunto para o fim na lista das prioridades.

Não há grandes esperanças de melhoria da situação. A mulher que estragou as escolas e envenenou os professores continua a ser entrevistada como se fosse uma opinião credível e quem dá cartas na educação continuam a ser os mesmos: o FLE promove um encontro na Gulbenkian sobre o Serviço Público de Educação. E quem participa?

 

Abertura
S.E. A Ministra da Educação (a confirmar)

Comunicação
Fernando Adão da Fonseca (Fórum para a Liberdade de Educação)

Mesa Redonda
Eduardo Marçal Grilo (Fundação Calouste Gulbenkian)
Júlio Pedrosa (Universidade de Aveiro)
Roberto Carneiro (Universidade Católica Portuguesa)

 

O Marçal Grilo que trouxe a Ana Benavente para a educação com as teorias de que tudo o que corria mal na educação se devia aos professores não saberem ir ao encontro dos desejos das 'crianças' que tinham de estar em contínuo prazer...a história do 'aprender a aprender' até à náusea...

Do Pedrosa nem se fala....é o que sabe ao serviço da outra que tem o dom de Midas ao contrário e por quem os professores sentem asco profundo.

E o Roberto Carneirto, que pensa que os professores são gente que gostava de fazer nenhum.

 

É preciso dizer mais? I don't think so...

Que esperança pode haver com esta gente a decidir?

É o mesmo que querer que a macieira do quintal comece a dar pêras...

 


publicado às 11:59


professores de evt

por beatriz j a, em 08.02.11

 

 

 

Educação

Largas dezenas de professores de EVT e pais do ensino particular manifestam-se junto à AR

 

...vão para a rua para que as centenas de comissões e observatórios de educação continuem a encher-se se Margaridas Moreiras. Isto na educação começa a ser tudo revoltante.

Para a semana vão decidir se a avaliação conta para os concursos! Não há concursos, roubaram-nos parte do salário, as carreiras estão congeladas mas só se fala nessa porcaria de avaliação! Arre!

Toda a gente diz que o governo está morto, mas a porcaria do cadáver nunca mais é enterrado!

 


publicado às 18:33


Add de casas inteligentes

por beatriz j a, em 06.02.11

 

 

 

Cidades inteligentes estão a chegar (vídeo)

Num futuro não muito longínquo, as nossas casas podem vir a ter uma espécie de vida própria. Todas juntas formarão cidades inteligentes.

Conversa entre duas 'casas inteligentes':

 

1-Epá, estou mesmo lixada! Então não é que o tipo me entrou às duas da manhã! Acordou-me, obrigou-me a desligar o alarme, depois a ligar outra vez, depois foi para a cozinha comer, obrigou-me a regular outra vez o número de calorias do frigorífico...incrível! Uma falta de respeito!

2- Isso não é nada! Estes aqui deram uma festa! Olha, tudo desarrumado, o puto partiu o sistema de regulação da climatização...estou farta destes abusos! Qualquer dia vingo-me e baralho as horas do despertador...

1- Olha, este aqui é um porco que há 15 dias que não me aspira...ando toda suja! Até já desliguei os sensores para não me enervar!

2- Olha lá, vais logo à reunião dos apartamentos suburbanos?

1- Claro que não! Era o que faltava, eu, uma vivenda coordenadoró-titular com sistema nocturno de indução zen misturar-me com suburbanos que nem sistema automático de avaliação continua têm...nem pensar!



publicado às 14:15


dúvidas

por beatriz j a, em 30.01.11

 

 

 

Aqueles que defendem que devemos fazer primorosamente todo o processo de avaliação absurdo para mostrar que o sistema não presta são os mesmos que votaram em força no Sócrates para mostrar que ele não presta? É uma dúvidazinha que tenho...

 

publicado às 14:46


avaliação

por beatriz j a, em 26.01.11

 

 

 

Hoje foi dia de reunião geral de professores para explicar as cenas da avaliação: as grelhas, as evidências e outras coisas que tais. Isto, uma semana depois de termos recebido os salários saqueados, veio mesmo a calhar para levantar o moral das pessoas... entretanto alguns relatores juntaram-se e vão pedir excusa da função e vão escrever um protesto (acho) porque é evidente para toda a gente a palhaçada que aquilo é. Alguns coordenadores e relatores levam aquilo tudo a sério, querem obrigar-nos a levar a sério, levam-se muito a sério e fazem 'power-points' e tudo a explicar-nos como vão ser os nossos 'educadores'... e não têm vergonha...

 

publicado às 22:11


enviado pela apede

por beatriz j a, em 25.01.11

 

 

 

Convocatória

 

 

O núcleo da APEDE de Caldas da Rainha convoca os professores do concelho e, obviamente, todos aqueles que se lhes queiram associar, para uma concentração/vigília, marcada para sexta-feira 28/01/2011, pelas 21:30 h, na Praça da República (praça da fruta) − Caldas da Rainha.

Visa esta iniciativa fazer sentir à opinião pública, ao governo e aos sindicatos signatários de ‘memorandos’ e ‘acordos’ de má memória que os professores não desistiram da sua luta e que:

 

1. Recusam definitivamente a demência burocrática deste modelo de avaliação;

 

2. Não aceitam a precarização laboral em curso, apresentada como consequência inescapável da política de redução da despesa pública.

 

3. Não admitem a usurpação continuada dos seus direitos laborais, que está a conduzir à subversão total do seu estatuto profissional.

 

 

Pára de remoer a tua resignação e vem afirmar a tua dignidade!

Traz um amigo.

 

publicado às 19:20

 

 

 

 

Na minha escola a avaliação corre sem atritos. Fazem-se reuniões de relatores e há quem se tenha atirado às grelhas de avaliação com tanto entusiasmo, afã e pundunor que já discorre com excelência sobre obrigações e evidências e outras coisas que tais. Isto é a prova da eficácia dos sindicatos: termos um modelo de avaliação mais estúpido e estarmos destinados a nunca mais trabalharmos em paz uns com os outros em virtude da legislação de avaliação ser um gerador de cancros intestinos nas escolas. E pensar que tivémos tudo nas mãos...coisas destas, nem se esquecem, nem se perdoam.

 

publicado às 11:16


avaliação da escola

por beatriz j a, em 23.11.10

 

 

 

A inspecção anda lá na minha escola a fazer uma avaliação externa. Tem andado a espremer professores. Hoje foi a vez dos alunos. A Delegada de Turma do 12º ano entrou atrasada na aula poque esteve cerca de uma hora, com outros delegados, a responder a perguntas. É claro, quando  ela entrou na aula todos quisémos saber que perguntas lhes tinham feito. Quiseram saber o que eles pensavam das aulas, dos professores, do ambiente da escola, do ruído, da alimentação, da disciplina, das aulas de sibstituição, das actividades extra-curriculares, da Direcção, se os professores os apoiavam na preparação para os exames. Segundo ela contou os delegados do básico disseram mal de tudo...lol...a comida que não presta, os professores são os chatos, não há paciência para as aulas, o ambiente é mau e andam sempre à luta, não ligam puto à disciplina e riem-se das penas disciplinares, estão-se nas tintas para actividades extra-curriculares...lol, típico. Os do secundário, mais velhos e com outras preocupações disseram bem de quase tudo.

publicado às 22:02


a avaliação só serve para dar boas notas?

por beatriz j a, em 02.06.10

 

 

 

Hoje tive uma discussão com uma turma a propósito de avaliação.

A coisa começou a propósito do tema da Estética que estamos a dar. Já tínhamos falado da arte do ponto de vista do observador e estávamos a pensá-la do ponto de vista do criador. Falávamos de talento: se toda a gente tem, se se pode desenvolver, se é inato, etc. Concluimos que podemos através da aprendizagem de conhecimentos e técnicas melhorar o nosso desempenho mas que isso não fará de nós artistas ou criadores de arte se não houver uma pulsão e talento por detrás. Foi aí que um aluno fez a seguinte observação:

- mas sendo assim não devíamos ser avaliados naquelas disciplinas que dependem de talentos. Um aluno não devia ter avaliação a Educação Visual se não tem talento.

- ou a Educação Física -disse logo outro- porque não temos a culpa de não ter coordenação motora e isso baixa-nos a média.

- isso quer dizer que vocês pensam que a avaliação serve para vos dar boas notas...? - disse eu.

- claro, disse o primeiro. Uma pessoa tem que ter a possibilidade de tirar a nota máxima senão não é justo, que logo à partida saiba que nunca atingirá o máximo mesmo que trabalhe muito, só porque outro tem talento e ele não.

- por essa ordem de ideias -disse eu-, nos Jogos Olímpicos, por exemplo, dava-se o primeiro prémio da maratona ao que mais se tivesse esforçado e não ao melhor, que se calhar treinou menos tempo e custou-lhe muito menos que ao outro chegar em primeiro lugar. O trabalho é sempre necessário mas nem sempre chega...

- é diferente- disseram eles- porque precisamos da média para entrar na faculdade. Porque é que hei-de ser prejudicado por não ter cordenação motora? - ou inglês, diz outro, que não tem talento para as línguas.

- vocês não são prejudicados, digo eu. Ninguém vos roubou valores. Se a avaliação lhe dá a si uma classificação inferior à de outro colega que tem imenso talento para o desporto, isso só mostra que está correcta.

- mas não é justo! Não tenho culpa, diz ele.

- mas isto não é uma questão de culpa nem de pecados, nem sequer de responsabilidade. Voltámos à discussão dos talentos. Se seguirmos o vosso raciocínio, então cada aluno, na hora da matrícula dirá quais as disciplinas em que não quer ser avaliado por não ter talento para elas. Um aluno que só tenha talento para a Educação Física não será sujeito a avaliação a outras disciplinas, só aquela. Um aluno com talento para o cálculo mas sem jeito para a geometria só será avaliado em algumas matérias na disciplina de Matemática, e por aí fora. Então mais vale pensar se não se deveria acabar com a avaliação, se ela só serve para dar boas notas.

 

A discussão ainda continuou porque enveredou pelo caminho de se discutir para que serve a avaliação, mas achei interessante que os alunos entendessem que a avaliação existe para lhes dar boas notas, e a que não pode garantir esse resultado não deveria existir.

 

publicado às 12:31


tribunal anula efeitos do concurso

por beatriz j a, em 04.05.10

 

 

O ME é só ilegalidades e imoralidades. Assim que se levam os casos à justiça vê-se logo.

 

Tribunal suspende efeitos da avaliação no concurso de professores

Decisão do Tribunal de Beja não é definitiva, mas obriga o Ministério da Educação a abolir dos formulários electrónicos da candidatura ao concurso todos os campos relativos às notas da avaliação de desempenho.  Expresso

 


publicado às 20:48


ódio aos professores

por beatriz j a, em 21.04.10

 

 

Parlamento não resolve guerra na Educação

O PS recusou esta quarta-feira subscrever o projecto de lei do PCP que elimina os efeitos da avaliação de desempenho de 2009 no concurso de colocação de professores contratados.

"Não vamos subscrever porque defendemos que a avaliação deve ser considerada no desenvolvimento da carreira", disse ao CM o deputado socialista Bravo Nico.

 

Esta posição do PS é francamente desonesta, em primeiro lugar porque foi devido às suas políticas que se gerou um sistema de avaliação nas escolas muito arbitrário com o único intuito de fazer favores a certos professores que compactuassem com as políticas da Maria L. Rodrigues e em segundo lugar porque ao dizer que defendem que a avaliação deve ser considerada dão a entender que os professores não querem que a avaliação seja considerada, o que não é verdade e eles muito bem o sabem. O que os professores não querem é uma avaliação de faz de conta para previligiar amigalhaços, que parece ser o forte e a especialidade do nosso primeiro ministro.

Ainda outro dia eu e a Cecília tentávamos perceber o ódio que os do PS, mas não só, muitos outros também, têm aos professores. Chegámos à conclusão que talvez isso se deva ao facto de muitas excelências neste país, desde os que governam aos importantes gestores públicos, presidentes de câmara, vereadores e outros grandes nababos como donos de escritórios de advogados, etc., não conseguirem fazer aos professores o que fazem a muita gente no dia a dia: comprar favores. Talvez essa gente tenha filhos e ache os filhos super-especiais e não aceite que os professores não se submetam ao seu poder na hora de dar-lhes as notas. Talvez seja essa a falta imperdoável dos professores: não se venderem como parece ser uso e costume nos negócios com os poderosos - talvez suas excelências achem que os professores são muito incompetentes por não reconhecerem a genialidade dos seus descendentes ou deles próprios, de tal modo que tiveram sempre que conseguir diplomas e cursos por travessas tortas...

 


publicado às 21:46


isto não cheira bem

por beatriz j a, em 19.04.10

 

 

«Nunca existiu nenhum compromisso da parte do Ministério da Educação no sentido de que a avaliação do desempenho docente não fosse um dos critérios a tomar em consideração para a graduação profissional para efeitos do concurso», disse o secretário de estado Adjunto e da Educação.


«É perfeitamente normal que haja matérias nas quais há sintonia e outras em que não há ou em que o nível de concordância é menor».

«As sociedades democráticas são assim mesmo. Os governos existem para governar. Há decisões que merecem o apoio generalizado da população, há outras que não merecem essa mesma aprovação tão generalizada», sublinhou.

 

Há aqui qualquer coisa que não bate certo. A primeira frase contraria tudo o que a Fenprof andou a dizer durante a lua de mel. A segunda era uma frase que a Mº Lurdes Rodrigues costumava dizer... e nem digo mais nada, porque isto não cheira nada bem.

 

publicado às 21:02


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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