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vai para aí uma grande celeuma...

por beatriz j a, em 01.07.12

 

 

 

 

 

... por causa da possibilidade de se estender as aulas durante o mês de Junho para alunos com baixo rendimento.

 

Quanto ao que o Ministério chama "acompanhamento extraordinário", e  que consiste na extensão das aulas no primeiro ciclo do ensino básico até  julho para os alunos com baixo aproveitamento, a Fenprof discorda do que  está por trás: a realização de uma prova final a alunos "de graus etários  muito baixos". 

 

Em primeiro lugar não percebo tanto escândalo: conheço imensos professores que todos os anos dão aulas suplementares ao secundário para cumprirem os programas, nomeadamente os que vão a exame, devido a estas brincadeiras do ninistério, volta e meia, ou diminuir os tempos lectivos deixando os programas com a mesma exensão ou o contrário, aumentar os programas e não mexer nos tempos, de tal modo que as aulas não chegam, sobretudo se as turmas são enormes e uma pessoa quer fazer um trabalho sério (porque podemos sempre chumbar a metade da turma que pouco faz se não formos nós a dar o litro por eles para depois podermos fazer um trabalho como deve ser com a metade que resta...).


Estas aulas suplementares são dadas, ou depois do ano acabar e antes dos exames, intensivamente ou, no terceiro período, ao mesmo tempo que todo o resto do trabalho. Por exemplo, este ano lectivo herdei uma turma do 12º ano profissional porque no ano passado houve problemas e ficaram com 40 aulas por dar, de modo que tive que dar essas aulas em falta, para além das que fazem parte dos módulos do 12º ano. 40 aulas é muito! Porque foi a juntar ao resto do trabalho que de qualquer maneira teria. Não tive nenhuma redução...

 

Se não fora o facto de saber que o ministério, assim que estas coisas se implementam, dá logo cabo delas generalizando-as a todos os professores e turmas (com ou sem dificuldades) de modo obrigatório e massacrante sem mérito nenhum de eficácia, eu até estaria de acordo.


publicado às 18:05


aulas de apoio

por beatriz j a, em 01.08.10

 

 

 

Eu e as colegas de grupo tivémos durante uma série de anos um sistema de aulas de apoio a funcionar na escola que teve sempre um sucesso de 100%.

A coisa funcionava assim: no fim do ano lectivo e no início do seguinte cada uma de nós, nas suas turmas, fazia um levantamento dos alunos que precisavam de apoio e que tipo de apoio. Geralmente eram uns 4 por turma o que dava cerca de 30 e tal alunos no total. Distribuíamos esses alunos em grupos que nunca podiam exceder os 6 elementos (o limite máximo para que o trabalho resultasse) e algumas de nós ficavam com um ou mais grupos com os quais trabalhava 1 vez por semana.

Essas aulas de apoio tinham fichas de diagnóstico e de trabalho próprias e planificação própria. Havia alunos do 10º ano que só precisavam de ajuda para entrar dentro da lógica de funcionamento da disciplina, que é muito diferente do que estão habituados nas outras, de modo que ao fim de um mês podiam sair do apoio; outros tinham dificuldade com um tema em particular: a maior parte tinha problemas relacionados com a Língua Portuguesa -a Filosofia é subsidiária desta- mas mesmos estes tinham problemas diferenciados porque alguns só não sabiam realizar determinadas operações, como problematizar ideias, justificar, confrontar, fazer um comentário, etc., e outros tinham problemas estruturais. Só estes últimos é que frequentavam as aulas durante todo o ano. Os outros, assim que atingiam o que considerávamos necessário para acompanhar as aulas curriculares com proveito saiam do apoio e davam lugar a outros.

Falávamos entre nós todas as semanas porque nem sempre ficávamos com os nossos próprio alunos por questões de compatibilidade de horários. Fazíamos relatórios orais umas às outras sobre os progressos, dificuldades e problemas que detectávamos nessas horas de trabalho quasi-individual. Como eram poucos, os alunos acabavam por ganhar proximidade connosco e partilhar problemas que muito nos ajudavam a ajudá-los e criavam uma relação de confiança que os motivava.

No final do ano fazíamos um relatório pormenorizado com os alunos que tinham frequentado as aulas, as notas ao longo do ano, a percentagem da eficácia do trabalho com base na progressão das notas, incluindo a nota da prova global de escola. Sempre 100% de sucesso.

De ano para ano enriquecíamos o dossier das fichas de trabalho e de diagnóstico e fazíamos acertos no trabalho.

Isto durou até à Lurdes Rodrigues. O Conselho Executivo tinha autonomia para autorizar que as aulas de apoio fossem incluídas no nosso horário e nós tínhamos autonomia para as gerir como entendíamos melhor para os alunos.

No ano em que a Rodrigues chegou ao ministério mandou que os professores se enchessem de turmas para poupar dinheiro de modo que todo o trabalho de apoio passou a ser não lectivo, ou seja, trabalho voluntário...é claro que acabámos com isso porque aquilo dava um trabalhão e não é coisa que se faça de borla, para aquecer.

Agora os alunos têm dificuldades e nós não temos autorização para ajudar em moldes que produzam resultados...é assim...a educação -não rasca- custa dinheiro.

 

publicado às 19:16


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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