Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



 

Estamos imunes? Quem disse?

teresa de sousa

 

1. Ninguém viu chegar os gilets jaunes.

Imensa gente viu chegar os 'gilets jaunes'. Talvez não literalmente, com o colete amarelo mas muita gente em França alertava para a degradação das condições de vida dos trabalhadores, para o aumento obsceno da riqeueza dos ricos. Até Chirac, um insuspeito, avisou que se estavam a criar condições para insurreições. E não é só na França. Fala-se muito disso nos EUA e até há quem defenda a criação de exércitos especializados em revoltas populares. Cá em Portugal também se fala disso há muito tempo. O que acontece em França, como nos EUA, em Portugal e um pouco pela Europa fora é que não temos tido, desde há muito tempo, políticos acima da mediocridade com visão para além do seu umbigo.

 

...«Não quermos nada com os políticos. Ou seja, uma greve [está a falar da greve dos camionistas] contra a política. Ou seja, contra o sistema.

Os camionistas não dizem que são contra o sistema ou contra a política mas contra 'os' políticos, estes políticos que nos governam há anos num nepotismo divorciado do povo. Ora, dizer que perdemos a fé nestes políticos e precisamos de regeneração é muito diferente de dizer que se é contra 'a' política em si mesma.

Depois esta articulista fala na irresponsabilidade dos enfermeiros, insinua que se deve limitar as greves e diz que culpar o governo é de pessoas infantis. Quem é que toma as decisões e distribui dinheiros? Somos nós? A seguir mete-se com os professores para dizer que não queremos saber da qualidade do ensino. Assim sem mais. Só porque lhe apeteceu dizer, apesar de não perceber um boi do que se passa no ensino.

 

A seguir diz mal da campanha para o PE, chama populistas a estes e outros e diz que o debate político caiu para níveis muito baixos, o que é verdade mas ela própria, em grande parte deste artigo também mostra falta de nível: falta de conhecimentos e falta de argumentação para a sua tese. Não há uma reflexão, uma ideia. Nada. O artigo ocupa uma página inteira do jornal.

 

publicado às 19:22

 

O ataque à ADSE – mistério ou conspiração?

José Ribeiro e Castro

Por razões ideológicas, a ADSE continua a besta negra, a mal-amada, apesar de funcionar bem e dar boas respostas. Gigantesca será a responsabilidade de quem der cabo dela.

 

 

publicado às 07:43

 

 

Nota prévia:
Como resulta óbvio, este artigo foi escrito antes de nos terem espetado uma faca nas costas, ontem. Fora outra a conjunção dos tempos, e teria hoje, no Público, analisado este vil atentado ao direito à greve, a que chamaram serviços mínimos.
Foi notável a união e a generosidade que vi nestes dias de luta dos professores. Foi grande e sei que grande continuará. O sucesso da razão será a melhor vingança.
Não desistam.
Resistam!
 
 
Num final caótico de ano escolar, é necessário impedir que a informação falsa seja mais rápida que a verdadeira e a política seja confinada ao quarto escuro da manipulação. Daí a anáfora que se segue, particularmente dedicada a António Costa, Alexandra Leitão, João Costa, Lobo Xavier, José Miguel Júdice, Fernando Medina, Pedro Silva Pereira, Pedro Marques Lopes e Miguel Sousa Tavares.
 
- Não é verdade que a contagem de todo o tempo de serviço prestado pelos professores signifique um encargo de 600 milhões de euros. O número que António Costa referiu no Parlamento (e virou mantra nos jornais e televisões) foi colhido da leitura apressada (ou maliciosa) do Programa de Estabilidade 2018-2022. Acontece que tal número diz respeito ao descongelamento de todos os trabalhadores públicos, que não só dos professores. Desagregando estes, estaremos a falar de 380 milhões. Significativamente, o Ministério das Finanças já começou a corrigir as suas contas: os custos de 2018 já passaram de 90,2 para … 37 milhões.
 
- Não é verdade que alguma vez os professores tenham exigido pagamento de retroactivos. A contagem de todo o tempo de serviço prestado só é reclamada para efeitos futuros, sendo que os docentes propõem que o respectivo impacto seja acomodado de 2019 a 2023.
 
- Não é verdade, como afirmou António Costa, que o compromisso do Governo seja apenas descongelar as carreiras e que em nenhuma carreira tenha havido recuperação do tempo do congelamento. Citando Churchill, quando António Costa fala dos professores, o que diz parece “uma adivinha, embrulhada num mistério, dentro de um enigma”.
 
- Não é verdade que Alexandra Leitão tenha falado de factos no artigo que escreveu no Público. Ela falou de fictos. A memória de passarinho da secretária de Estado fê-la esquecer que no texto do compromisso consta “o tempo” e não apenas “tempo” a recuperar. Letrada que é, só em deriva ficcional pode reconhecer que o compromisso assume a “especificidade da carreira docente” para, do mesmo passo, se enlear numa espúria tentativa de a anular como carreira especial (à semelhança dos militares, polícias, magistrados, médicos e enfermeiros), indexando-a à carreira geral da função pública. Mas, mais grave que isto é esta doutora em leis ignorar os dois factos que importam: discutir a semântica do compromisso tornou-se irrelevante quando a Lei do Orçamento de 2018 (artigo 19º) estabeleceu que “o” tempo a recuperar não é matéria a negociar, mas tão-só o prazo e o modo de o fazer, em função das disponibilidades orçamentais; o esbulho que Passos iniciou e Costa quer eternizar, só passou no Tribunal Constitucional sob condição de ser transitório, que não permanente.
 
- Não é verdade que a infeliz nota informativa da DGEstE tenha pretendido apenas esclarecer normativos em vigor (declarações de João Costa). Fora ele carpinteiro de toscos e não secretário de Estado, e eu aceitaria que desconhecesse o que reza a portaria nº 243/2012 e o despacho normativo n.º 1-F/2016. Assim, tratou-se antes de um expediente vil (como tal participado à Procuradoria-Geral da República) para impedir uma greve legítima.
- Não é verdade que os docentes progridem na carreira de modo automático. Para progredirem, os professores têm de: obter classificação mínima de “bom” na avaliação de desempenho; frequentar com aproveitamento formação contínua certificada; submeter-se a avaliação externa (aulas assistidas); conseguir passar pela porta estreita das vagas limitadíssimas definidas pelo Governo, para o acesso ao 5º e 7º escalões.
 
- Não é verdade que os professores portugueses são os mais bem pagos da OCDE. Convém recordar que os seus salários líquidos variam entre um mínimo de 1.025,43€ e um máximo de 2.207,47€. Convém recordar que entre estes dois valores medeiam uns teóricos 34 anos de carreira (reais 48), o que explica que, actualmente, não exista um único professor a receber o salário correspondente ao último escalão. Convém recordar que milhares de professores estão há mais de uma década no primeiro escalão e a maior parte deles jamais chegará aos superiores.
 
- Não é verdade que Portugal tem ministro da Educação. Portugal tem um factotum de Centeno, uma espécie de Lola do Simplex, que vai à bola a Moscovo quando a Educação arde em Lisboa.
 
In “Público” de 27.6.18
 
SANTANA CASTILHO
 

publicado às 11:14


3 artigos de hoje que vale a pena ler

por beatriz j a, em 18.03.18

  

 

(sem comentários. O Costa e o DeBorla são isto, nos negócios com bancos e grandes destrutoras empresas batem qualquer política de direita aos pontos...)

 

Empresa do petróleo no Algarve já teve 200 milhões de apoios fiscais

 

Montepio, a casa de papel

A única certeza é que se algo correr mal, governos e supervisores vão dizer-nos que fizeram tudo o que a lei lhes permitia. Foi assim do BPN ao BES. Agora não será diferente.

 

O interior do interior

Estas terras pedem socorro. E o socorro de que precisam não são bombeiros, mas administração pública.

publicado às 13:39

 

 

Revolução Russa: abalo e réplicas

A revolução socialista também deu origem, no seu tempo e contexto, ao sistema político e económico que mais poder e liberdade concedeu ao seu povo [isto é uma enorme mentira. Nem concedeu nem nunca Lenine ou, mais tarde, Estaline, tiveram essa intenção].

 

Em 1917, a Revolução foi capaz de retirar a Rússia do feudalismo e lançá-la para a modernidade com um projeto que inspirou direta ou indiretamente todos os movimentos progressistas e grande parte das conquistas populares do século XX. [os movimentos progressistas são do século XIX, como resposta às condições criadas pela revolução industrial. O próprio Marx, como esta Mortágua deve saber, nos escritos dos últimos anos que têm estado a ser descobertos e editados, reviu parte da sua teoria política, admitiu ser a democracia parlamentar à maneira inglesa um regime melhor que o socialismo. E depois, muitos países tiraram as pessoas do feudalismo sem assassinar 40 milhões do seu próprio povo...mas enfim... isto devem ser pormenores].

 

...só um movimento capaz de mobilizar povos para além delas poderia ter suscitado o nazismo e o fascismo como reação das classes dominantes. [what?? mas quem é que argumenta o valor de um regime pelo poder de ter invocado o nazismo...?]

 

Este artigo mostra o problema do BE: não têm teóricos e não sabem onde enquadrar-se políticamente em termos de raízes conceptuais, porque... deixa ver... não as têm...?

 

Recomendamos a esta senhora a leitura deste artigo, embora sem grande esperança pois é sabido serem os devotos, cegos psicológicos, por assim dizer mas, quem sabe...?  

 

Liberty Under the Soviets, published in 1928, is a remarkable book. How rare to witness the mind of a man doing his best to ignore that his faith is a lie... more »

 

O André fez uma correção ao que eu disse,

"...o Marx não disse que a democracia inglesa era um regime melhor do que o socialismo. Disse foi que em países como o Reino Unido, com aquele modelo de democracia parlamentar, o socialismo podia ser alcançado sem revolução violenta, mas por via parlamentar e pacífica. É o melhor caminho para o socialismo, não melhor que o socialismo".

 

publicado às 17:51


Leituras pela madrugada: " O Rei dos Reis"

por beatriz j a, em 07.08.17

 

O rei dos reis

RICARDO SILVA

 

publicado às 05:51


Falar sobre educação sem dizer nada

por beatriz j a, em 29.07.17

 

 

Meteorito educacional

O livro parte de uma ideia simples: os pais devem poder escolher a educação dos seus filhos. A tese parece óbvia e pacífica, mas simboliza o abismo que nos separa de outras culturas. Desde o século XVIII que boa parte da intelectualidade portuguesa, em particular aquela que capturou o controlo do sistema educativo, se alimenta do postulado iniciático: o país só funciona adequadamente se uma elite iluminada, devidamente preparada e iniciada, tomar as rédeas da sociedade. Isto é assim porque o povo é ignaro e boçal, incapaz de se governar a si mesmo, necessitando da orientação dos seus maiores. (...)

(...) Este princípio, radicalmente antidemocrático, é partilhado por várias doutrinas dominantes...

(...) Assim, apesar da retórica, a intelectualidade nacional é profundamente antidemocrática. Temos um regime de sufrágio, mas numa cultura snob. O povo é quem mais ordena, mas apenas nos casos em que concorde com o orador.

(...) "Há muito boas razões para acreditar que um sistema de educação competitivo terá um desempenho melhor do que a maioria dos mercados. É expectável que as fontes tradicionais de problemas de mercado (...) sejam raras."

 

Este artigo reduz o problema educativo a um problema de elites ou pseudo-elites. Parte do princípio que os pais poderem escolher a educação dos filhos é uma tese óbvia e pacífica. Pode ser óbvia e pacífica mas não é simples como ele diz.

 

Em todo o artigo de opinião, procuramos por entre parágrafos de retórica anti... tudo e mais qualquer coisa, se está a defender a escolha, por parte dos pais, de uma educação propriamente dita ou a escolha da escola a frequentar. É que são coisas muito diferentes. Do livro que ele recomenda só ficamos a saber que favorece a competição, à maneira dos mercados, de sistemas educativos, de modo que se era para fazer a promoção do livro, não fez, antes pelo contrário, já que o sistema de mercado aplicado à educação tem dado maus resultados por todo o lado. Basta ver que os melhores sistemas educativos ou, pelo menos, como tal considerados, os dos países nórdicos, são quase totalmente públicos e não promovem a competição entre si.

 

publicado às 17:39


A democracia dos grandes é democracia?

por beatriz j a, em 10.07.17

 

O “Parlamexit” ou tapar o Sol com uma peneira

De nada serve cantar hossanas à "democracia europeia" para, depois, acabarmos nisto.

 

publicado às 14:19

 

 

NÃO PEÇAS A QUEM PEDIU, NEM SIRVAS A QUEM SERVIU

 

 

publicado às 07:45


Gostei deste artigo

por beatriz j a, em 13.10.15

 

 

Ao gajo dos piropos

Elisabete Rodrigues

 

Infelizmente (a provar que tem toda a razão no que diz) tem logo alguns comentários depreciativos de homens -e de uma mulher que desconfio ser homem que escreve com nome de mulher porque nenhuma mulher diria aquilo a não ser sendo mesmo estúpida [o que pode acontecer, claro]- a dizer que o problema da articulista é não ter homem, ser carente e por aí fora. Típico...

Agora o que me chocou foi ler que no vídeo promocional que a RTP exibiu a propósito das comemorações da implantação da República Portuguesa há uma cena sexista com um piropo daqueles que objectificam as mulheres. É triste.

 

 

publicado às 17:12


Se tudo é nada...

por beatriz j a, em 23.12.14

 

 

 

Everlasting glory

There are few fantasies so absurd as the idea of living on through fame. So why does immortality still beckon?

 

O autor deste artigo pergunta porque é que ainda nos agarramos à ideia de glória como imortalidade, se sabemos ser uma ilusão absurda, já que não é o eu que perdura no tempo -quando perdura- mas uma qualquer percepção do eu, não real.

Esta maneira de falar das coisas e da sua percepção como coisa real e não real já dava grande discussão mas não vou entrar aí porque mais que isso parece-me que o autor passa ao lado da questão.

O problema não está em sabermos que, se ganhassemos fama e glória imortais, estas seriam sempre interpretações do 'eu', o problema está em sabermos que a não imortalidade traz consigo o aniquilamento do 'eu', a realidade da nossa passagem por este mundo ter sido, no grande esquema da História, insignificante: que todo o esforço, o sofrimento, as lutas, as conquistas e dificuldades por que passámos são nada. Tiveram importância para nós e mais meia dúzia de pessoas durante um pequeno espaço de tempo e depois dissolvem-se no nada como se nunca tivéssemos estado aqui. Esse é que é o problema. É o problema de querermos que as coisas tenham um sentido, uma finalidade, uma escatologia qualquer que faça as coisas terem valido a pena e o valor próprio é, em grande medida, aferido pela validação dos outros, no grande esquemas das coisas.

Enquanto estamos vivos vemos como o trabalho de algumas pessoas tem importância na História, no sentido de influênciar o rumo dos acontecimentos. Se isto é vaidade? Talvez. O maior exemplo de vaidade, então, é o caso do Deus que podia, por um acto de vontade ter limpo os pecados do mundo mas fez questão de se fazer humano, mostrar o sofrimento para induzir piedade e exigir a glória e adoração eterna em troca da salvação... 

 

Pois a mim parece-me ser a natureza humana parente da Metafísica e todas as questões humanas, quando levadas até às últimas consequências, darem de caras com a Metafísica, na seguinte questão: se tudo é nada, porquê o ente, porquê o ser humano, consciente? 

 

 

publicado às 14:09


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D


subscrever feeds


Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Edicoespqp.blogs.sapo.pt statistics