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Na semana passada estava a trabalhar o tema da Argumentação e Retórica e estivémos a reflectir a partir de um excerto de um texto de Perlman, o filósofo belga que no século passado recuperou a argumentação da má fama que lhe derem durante séculos e a elegeu o melhor instrumento na decisão ponderada das democracias.

O texto acaba com essa frase que se lê em baixo e a propósito dela lancei para o ar a questão, 'porque é que a argumentação é própria das democracias?' aos que os miúdos responderam imediatamente, 'porque nas ditaduras, dá-se ordens e o ditador nem se dá ao trabalho de argumentar com os opositores. Não há interesse em procurar a melhor solução, confrontando hipóteses com argumentação'. Em seguida, perguntei, 'como é que podemos reconhecer que um sistema está a perder as qualidades democráticas?' Ao que eles responderam, 'quando uma das partes, a que tem o poder, deixa de reconhecer o outro como um igual que tem que persuadir e em vez disso, dá-lhe ordens.'

Pois, é isso mesmo. E para quem pensa que os jovens são todos idiotas, não são, não.

 

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publicado às 07:56

 

 

Ameaças obrigam a cancelar conferência de Jaime Nogueira Pinto  

Professor ia falar na Universidade Nova de Lisboa sobre o Brexit, Trump e Le Pen.

O CM sabe que a decisão foi tomada após a Associação de Estudantes apresentar uma moção contra "um evento associado a argumentos colonialistas, racistas e xenófobos" e apelar à Direção para não ceder a sala onde iria decorrer a conferência. A Associação de Estudante enviou ainda "uma nota de repúdio a esta actividade e a todas as suas implicações ideológicas".

 

A censura é própria das ditaduras e dos regimes autoritários. Colonialista é a atitude de impedir uma pessoa de argumentar o seu ponto de vista por ser contrário ao nosso. Este triste acontecimento que esperamos seja anomalia é mais um sintoma da decadência do ensino das Humanidades. 

A argumentação é própria de um Estado democrático e argumentar significa conceder ao outro o direito de nos contestar, criticar ou negar, o que por sua vez implica respeito pela pessoa que é o outro e pela sua liberdade de pensar e construir os seus quadros de referência teóricos e práticos. Recusar argumentar argumentos e em vez disso calar as pessoas é próprio de regimes autoritários, ditatoriais. Que os alunos universitários estejam do lado do autoritarismo contra a liberdade de expressão é inédito e surpreendente... ou talvez não, tendo em conta que estes alunos que andam agora na universidade já se desenvolveram em escolas (básicas e secundárias) onde o exemplo que é dado é cada vez mais exactamente este de se calarem as vozes críticas à força... E no país também: ainda ontem o senhor Costa tentou menorizar e apoucar a oposição, não foi?

Seja como for é um sinal muito preocupante da decadência da qualidade da experiência universitária. Qualquer dia resume-se às praxes e pouco mais.

 

 

publicado às 19:51


Estou de férias?

por beatriz j a, em 20.12.13

 

 

 

Sim e não. Alarguei a data de entrega dos trabalhos de argumentação das turmas do 11º ano, a seu pedido, para dia 22, até à meia noite. Como a parte escrita do trabalho vale 50% da nota (o resto vai para a apresentação oral) e já estão de férias, sem testes, alguns grupos andam a esmerar-se na elaboração dos trabalhos (que vou ter que avaliar nas férias). À conta disso estou aqui meio presa ao PC a tirar dúvidas e a ajudar em algumas pesquisas porque alguns temas que escolheram argumentar não são nada fáceis, como por exemplo, 'A guerra não é uma inevitabilidade' ou 'Não existe a maldade o que existe são pessoas com doenças mentais'.

Se chateia isto de ter um pé nas férias e outro no trabalho? Chateia e não chateia. Estou a achar piada aos temas e a toda a cena de os ver arquitectar uma argumentação em defesa de uma tese. Há miúdos muito criativos :)

 

 

publicado às 21:30


Crítica, controvérsia e desafio

por beatriz j a, em 27.09.13

 

 

 

 

 

Bernard Henri Levy (left) and Jean Paul Sartre refuse to discuss matters at the Musée Grévin waxwork museum in Paris, France. Photo by Sylvain Sonnet/Hemis/Corbis


(Bernard Henri Levy (left) and Jean Paul Sartre refuse to discuss matters at the Musée Grévin waxwork museum in Paris, France. Photo by Sylvain Sonnet/Hemis/Corbis)



O que causa estranheza neste tableau é vermos os dois filósofos, isolados, cada um em seu canto, por assim dizer, quando a Filosofia é argumentação, é crítica, é choque e conflito de ideias. Um filósofo precisa e quer, uma audiência inteligente que o critique para que possa melhorar as suas teses. Sem a controvérsia e o desafio, a Filosofia rapidamente cai no dogma. Quando a crítica está ausente da conversa filosófica, esta torna-se uma conversa de café. Foi John Stuart Mill quem cristalizou a importância de ter as suas ideias desafiadas por outros que discordam de nós. São as vozes discordantes que nos forçam a pensar.


(Without conversation, philosophy is dogma – Nigel Warburton – Aeon)



publicado às 19:26


de vez em quando, sinais positivos

por beatriz j a, em 15.03.11

 

 

 

Al-Qaeda lança revista feminina

 A Al-Qaeda acaba de lançar uma revista feminina destinada a dar conselhos de comportamento e beleza como a preparação dos filhos para a jihad (guerra santa) ou a importância de ficar em casa com o rosto tapado para manter a pele saudável.

Segundo o jornal britânico 'Daily Mail', a 'Al-Shamikha' (título que quer dizer "mulher majestosa") aconselha as mulheres solteiras a "casarem-se com muhajedines [combatentes]".

Mais próximos dos artigos que costumam aparecer em revistas femininas ocidentais são aqueles que tratam dos benefícios de máscaras faciais de mel

 

Não parece, à primeira vista, um sinal positivo, mas é! Uma revista que argumenta para tentar convencer as mulheres. Não interessa se é condescendente, estupidamente machista, pois a verdade é que argumenta. Recorre a razões e técnicas de persuasão. Ora, a argumentação é o primeiro sinal da desistência da força. Argumentar tem implícito o reconhecimento do outro como um ser racional capaz de, em igualdade, reconhecer razões, discuti-las e aceitá-las, ou não. A argumentação é própria das democracias, pois onde há recurso à força toda a argumentação é desnecessária...talvez depois das revoltas dos povos contra as ditaduras islâmicas comecem a recear a revolta das mulheres contra a escravatura imposta pelos homens. Não sei, mas sei que esta revista com estas estratégias ridículas de persuasão são um sinal positivo de que uma mudança foi desencadeada e não tem volta atrás. Pode ainda levar tempo, mas já não tem volta atrás :)

 

publicado às 05:08


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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