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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Estamos quase em cima das legislativas e ainda não sei onde pôr o meu voto. Como as ideologias e as práticas dos partidos são já quase indiferenciáveis pensei tornar o meu voto útil e dá-lo a alguém que faça um bom trabalho de oposição, papel indispensável em qualquer democracia digna desse nome. E, nessa ordem de ideias, pensei dar o meu voto à Ana Drago que é uma deputada que me parece fazer um trabalho sério, honesto, inteligente e, além disso, parece-me o oposto de uma carreirista comprometida. Bem, fui ver em que partido é que ela está e descobri que está no Livre. Estava a considerar a possibilidade de votar nesse partido com esperança que ela fosse a deputada quando fui dar com umas declarações do responsável do partido sobre a mulher do Passos Coelho, que luta com um cancro e que apareceu sem cabelo num evento oficial: é que me caíram muito mal. Achei muito baixas as palavras do indivíduo; de uma enorme falta de respeito pelo direito dos outros se apresentarem como são... fez-me lembrar aqueles machistas que agora perseguem as mulheres quando as vêm a dar de mamar aos filhos porque não querem ser incomodados com a biologia dos outros. Enfim, não me parece que possa dar o meu voto a um partido cujo líder tem essa postura de desprezo pelo sofrimento alheio. Hence... voltei a não ter em quem votar, nem em modo útil.... então faço daqui um apelo à Ana Drago: se por acaso vier a pôr os olhos neste singelo texto, pondere, por favor, entrar num partido com gente decente ou, porque não, formar o seu próprio partido a tempo de eu poder votar :)) Obrigada :))
Platão foi um filósofo que começou a escrever tarde influenciado pelo facto de Sócrates, seu mestre e mentor, nada ter escrito. Pensava que a filosofia teria de ser pensamento vivo dialéctico e que isso não se coadunava com escrever livros que seriam lidos por pessoas que estando longe, podiam não os perceber ou ter dúvidas ou precisar de discutir esta ou aquela passagem. Na escola dele, a Academia, juntava-se com os discípulos em pequenos grupos porque pensava que a aprendizagem beneficiava da proximidade e até amizade entre o mestre e o discípulo. Isto porque entendia a aprendizagem como uma transformação interior influenciada ou até inspirada por essa relação dialéctica. Mais tarde, pensando que a melhor maneira de divulgar a Filosofia seria fazê-la chegar a muita gente, começou a escrever as suas ideias. No entanto, escreveu-as em forma de diálogo, de discussão, como convém ao exercício filosófico.
Platão dedicou bastante tempo a pensar na educação. À maneira do mestre pensava que nenhum sistema político podia funcionar sem um bom sistema de educação. Uma educação para a responsabilidade e para a virtude. Platão não era uma pessoa demasiado sisuda, mas ficou marcado pelo facto de a Democracia ter morto o seu melhor cidadão e era empenhado em pensar um sistema político e uma arquitectura legislativa que garantissem, dentro do possível, que as Democracias não fossem tomadas por corruptos, por ignorantes, por criminosos. Sabia da enormidade da tarefa e vemo-lo até ao fim da vida lutar com esse problema onde a educação joga um papel tão importante.
Os gregos tinham uma palavra, aporia, para designar um problema sem solução...
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