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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
É como dizia uma amigo, mesmo que tudo tenha sido feito dentro da lei, sabendo nós que é o governo/partido/MPLA quem contrata, paga e controla os empregos, o exército, as empresas, os meios de comunicação e a vida das pessoas em geral de modo semi-ditatorial há quase 40 anos, como é possível as eleições poderem ser livres com este nível de manipulação?
Os regimes de ditadores convivem mal com a liberdade de opiniões como toda a gente sabe mas condenar pessoas por ler é digno dos tempos dos assassinos da União Soviética ou do assassino narcísico do livrinho vermelho.
Angola, um país riquíssimo, tem a morgue de Luanda neste estado que se vê aqui na reportagem do jornalista Rafael Marques. É uma espécie de self-service onde os familiares é que tratam dos corpos dos mortos, ali mesmo no pátio de terra batida. Faz impressão. Depois põem-nos nos caixões e deixam as roupas ensanguentadas e contaminadas, espalhadas por todo o lado. Um país rico cada vez mais pobre. E as pessoas estão habituadas a este tratamento de choque porque vê-se que fazem o que têm a fazer sem se queixar. As ditaduras são assim... tudo para os do partido, nada para os do povo.
Angola é uma espécie de paradigma dos políticos medianos: o MPLA passou de comunista a marxista-leninista, depois a social democrata e depois a neo-liberal sempre com as mesmas pessoas no poder: ou seja, eles querem é lá ficar e vão mudando as designações de acordo com o que acham que está mais de acordo com as tendências bem pensantes internacionais. É um regime de... ditadura adaptativa.
O Julgamento
Hoje seria supostamente o último dia do julgamento. O veredicto seria lido em breve. Mas não! Hoje foram ouvidos apenas 3: Nito Alves, Hitles Tshisonde e agora Domingos da Cruz. A falta de celeridade por parte do tribunal é algo que dá que pensar: Em breve começarão as férias judiciais e o tribunal abrirá apenas em Março. Os 15+2 poderão ficar encarcerados à espera do veredicto até 2016. Até então o regime ganhará tempo. Segundo algumas fontes esta é a estratégia.
Os Jovens têm sido alvo de vários tipos de tortura nomeadamente;
- Esgotamento físico: Têm sido despertados entre as 03:30 e as 04:00h da manhã para sairem as 6.
- Esgotamento emocional: Chegando às 06:30 ao tribunal são mantidos mais de 2h dentro dos carros ALGEMADOS, alguns são transportados nas viaturas Land Rover da Unidade Especial Anti-crime,
- Tortura Física: Um dos responsáveis do DESP (Destacamento Especial dos Serviços Prisionais) Manuel, também conhecido por Manico tem sido extremamente prepotente e vingativo e supostamente ordenou pontapés e choques eléctricos por meio de Tasers ao activista Mbanza Hamza
Os jovens têm sido transportados em autocarros dos serviços prisionais com com as janelas fechados sem circulação de ar e muitos em celas contíguas (celas de máxima segurança). O activista Bingo Bingo após viajar numa destas celas desmaiou.
ontem a Sala do Tribunal já estava cheia mesmo antes da abertura oficial da porta com polícias à civil DESP, SINSE e SIC : Homens e mulheres. Ocuparam mais de 30 lugares para uma sala de lotação de 70 pessoas, para legitimarem a não entrada dos observadores internacionais no julgamento, apenas admitido 2 "observadores" supostamente da SADC, mas já identificados como trabalhadores do SINSE de Viana, um homem e uma senhora.
Os advogados foram separados e alguns deles têm de ficar sentados na platéia, alegando falta de cadeiras, duas delas preenchidas pelos "assistentes de escrivãos".
Eis um dos indícios da falta de imparcialidade num órgão de soberania independente como é o TRBUNAL.
Mais informações brevemente.


O activista António Diogo de Santana Domingos “Magno”, de 38 anos, cumpre hoje o seu quarto dia de prisão preventiva por ter pensado em dirigir-se à Assembleia Nacional, para ouvir o Discurso à Nação proferido pelo vice-presidente Manuel Vicente, a 15 de Outubro.
Domingos Magno, como é conhecido, nem sequer chegou a 200 metros de distância da Assembleia Nacional. Maka Angola recolheu vários depoimentos junto de familiares, amigos e fontes policiais, e narra o sucedido.
Que pena... um País tão rico... em todo o lado a mesma coisa, corrupção, políticos e lobbies corruptos.

Leonor João, mãe do preso político Mbanza Hamza.
Uma pessoa cohecida que trabalha muito em Angola contou-me que quando o Presidente angolano sai de casa cortam o telefone e a internet a todo o quarteirão durante horas, não vá sua excelência ter algum incómodo... as mães também se querem invisíveis para não incomodar suas excelências...
Qual é o problema disto? Complexos colonialistas? Não entendo... se o investimento vier da China ou da Alemanha é mais digno...? Menos indigno...?
Artigo publicado no Politico refere que a classe média angolana "fez de Lisboa o seu recreio durante a última década, desfrutando de gastos excessivos nas boutiques de gama alta da Avenida da Liberdade".
Caso de estudante agredida por oficiais da polícia e da Segurança do Estado foi denunciado por movimento da oposição e organizações da sociedade civil, que exigem “um pronunciamento imediato do Presidente de Angola a condenar o acto".
Uma estudante agredida e torturada por participar numa manifestação e querer mudanças no país.
A fazer o elogio do presidente angolano e da 'democracia' angolana... que hipocrisia.
Vinha há bocado a ouvir na Antena 1 uma rapariga (não sei quem é, não apanhei a conversa do início) a falar sobre a intervenção de um Coronel junto de Pinheiro de Azevedo e dos EUA para tirar de Angola os portugueses antes da guerra civil após a indepndência. Nunca tinha ouvido falar dessas diligências nem desse indivíduo sequer mas, pelo que ouvir, muitos milhares de portugueses devem-lhe a vida. A conversa não só era sobre esse Coronel mas também sobre o contexto em que essa operação de resgate se deu: o interesse do governo português, o interesse do governo americano, as diplomacias envolvidas...
Acho uma pena que em Portugal pouco se tenha escrito sobre o 25 de Abril. Falo dos episódios e eventos que pessoas particulares viveram ou testemunharam, ou sabem por qualquer razão e que ajudariam a perceber o que se passou nas várias frentes e, com isso a percebermo-nos a nós próprios na nossa História recente. Enquanto a memória das pessoas é fresca podia-se ir directamente aos actores dos acontecimentos.
Não percebo porque não se fomentam grupos de investigação que desenterrem essas pessoas do anonimato e lhes dêem voz. Portugal é um país cheio de gente interessante que não consegue fazer aqui nada por haver um grande desprezo pelo conhecimento, pelo saber, pelas artes e pela cultura em geral. É triste.
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