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todos os dias mentiras

por beatriz j a, em 30.12.09

 

P

As duas confederações que representam os pais e os encarregados de Educação pedem ao Governo e aos sindicatos dos professores para chegarem a um acordo sobre a carreira e a avaliação, porque as escolas precisam de “tranquilidade”.


Consideramos que existem boas condições para se chegar a um acordo e é isso que desejamos, para que a tranquilidade regresse às escolas e os professores se concentrem no trabalho na sala de aula”, afirma o presidente da CONFAP, Albino Almeida, em declarações à Agência Lusa.

O responsável sublinha que o Governo tem procurado, durante o processo negocial, ir ao encontro das questões que mais preocupavam os sindicatos, como a divisão da carreira.

 

Todos os dias temos de ver pessoas com responsabilidades na educação a dizer mentiras como este Albino.

Os pais querem tranquilidade? Também nós queremos.

Queria poder voltar a trabalhar com tranquilidade.

Queria poder concentrar-me nos  alunos.

Queria poder trabalhar num ambiente sem desconfiança entre colegas.

Queria trabalhar numa escola onde nada faltasse aos alunos.

Queria trabalhar numa escola onde os alunos não fossem premiados por serem faltosos.

Queria trabalhar com uma tutela que não desprezasse a educação e os professores.

Queria poder trabalhar numa escola onde nenhum professor fosse espião do colega.

Queria poder trabalhar sem que me roubassem o tempo de serviço.

Queria poder trabalhar sem ser prejudicada por não ser submissa.

Queria poder trabalhar sem ter que pagar o mateiral de trabalho: pc, papel, tinteiros, canetas, pastas, lápis, calculadoras, livros, cdroms, filmes, leitores de DVD, pilhas para comandos, visitas de estudo de alunos, etc.

Queria poder trabalhar numa escola com instalações com um mínimo de dignidade.

Queria poder trabalhar com turmas mais pequenas.

Queria poder trabalhar numa escola com uma gestão democrática.

Queria poder trabalhar em paz e tranquilidade.

 

Queria isso tudo sim, mas não a qualquer preço. Não se o preço for a industrialização da educação e o quebrar da espinha aos professores com o objectivo de sacrificar a escola pública, fazendo dela uma fábrica de cidadãos de segunda categoria.

Não se o preço for a liberdade do ensino, a qualidade da educação.

Já investimos e pagámos muito para chegarmos aqui a esta situação de, pelo menos, terem de nos ouvir, e não despacharem os professores como se fossem insectos que se esmagam com a sola do sapato. Já pagámos muito e não podemos deitar esse esforço fora.

Continuo a achar que os professores foram a única classe profissional que se dispôs a dar o corpo ao manifesto contra o despotismo e a corrupção e pelo futuro deste país.

Não vamos pagar qualquer preço. Queremos águas tranquilas mas não inquinadas.

 

 

publicado às 11:35


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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