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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
The most recent culprit in the category of anti-abortion double-think is Tim Murphy, a Pennsylvania Republican who on Thursday announced he would resign from his House seat this month. Two days before, Mr. Murphy had voted for a bill that would ban abortion after 20 weeks on the medically dubious grounds that, at that age, a fetus can experience pain.
“I was proud both to sponsor and vote for this important bill to clearly stand for the dignity and value of all human life, both the born and the unborn,” Mr. Murphy wrote in a statement posted on his office’s Facebook page after the bill passed in the House.
Then The Pittsburgh Post-Gazette published texts revealing that when Mr. Murphy’s mistress thought she was pregnant, he urged her to consider an abortion.
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In 2015, Mr. DesJarlais voted in favor of a 20-week ban, and boasted of a “100 percent pro-life voting record” while in Congress. Meanwhile, The Chattanooga Times Free Press reported that he supported his ex-wife’s decision to have two abortions (no word on how far along she was) and encouraged a patient with whom he was having an affair to terminate her pregnancy as well. Like Mr. Murphy, he is a co-sponsor of the abortion bill that passed on Tuesday.
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It’s a child, not a choice, abortion opponents tell us. Unless the pregnancy is embarrassing and super-inconvenient and an impediment to your political future, in which case it’s merely a clump of cells.
Um caso paradigmático de contra-informação, ou a interrupção involuntária, por via administrativa, de uma gravidez viável.
Sobre a garota que está grávida, vítima de violações do padrasto, aos 12 anos de idade, este indivíduo, depois de fazer uma série de especulações sobre a interrupção da gravidez ter sido feita contra a vontade da garota (?), faz considerações sobre a gravidez ter que ser levada até ao fim, sendo viável, o que para ele significa, não há a certeza de a mãe ou o feto virem a morrer ou, talvez, ficarem com deficiências graves (?), sendo que defende que a vida humana começa logo na concepção, esquecendo-se que a da mulher já está aí e não é apenas uma projecção abstracta, mas enfim... O que noto quando estes indivíduos falam destas questões -e nem estou a falar destes argumentos facilmente rebatíveis- é que não têm a mais pequena ideia do que seja uma gravidez porque falam dela como se fosse equivalente a uma mulher ter ali uma espécie de um implante durante uns meses, de modo que acham incompreensível que, não havendo risco de vida, ela não esteja disposta a andar uns meses com ele... é que pelo modo como falam vê-se que não percebem as transformações dramáticas e irreversíveis que as mulheres sofrem, física e psiquicamente, com uma gravidez. E se numa gravidez desejada ou pelo menos não indesejada, essas transformações são orientadas num sentido positivo e enriquecedor, numa gravidez traumática, indesejada ou odiada, mesmo, têm consequências devastadoras e podem significar a destruição da pessoa. Nestes sermões contra as mulheres -aqui contra os médicos que decidiram e agiram em benefício da garota- as próprias mulheres nunca são consideradas... sabemos que as mulheres são pouca coisa para a tradição eclesiástica e que a maior virtude delas é serem reprodutoras de modo que negarem-se à 'quasi-única' utilidade que têm que é a de parir...
Eu percebo que tantas mulheres neste país ainda sejam contra o aborto tendo em conta que vivemos numa sociedade católica onde as pessoas são endoutrinadas desde que nascem para a instrumentalização da vida das mulheres e a objectificação dos seus corpos à medida dos interesses dos homens; agora o que não entendo é que mulheres adultas e já com capacidade para pensar por si próprias lutem para criminalizar outras mulheres, defendendo um retrocesso aos tempos em que morriam em abortos de vão de escada, eram perseguidas e ostracizadas, não podiam recorrer a cuidados de saúde e corriam o risco de ir presas, elas e os que as ajudavam.
Num tempo como este em que a loucura das religiões faz milhões e milhões de vítimas entre as mulheres, que as escravizam com a obrigação de casar e ter filhos mesmo contra a sua vontade, haver mulheres adultas que podendo lutar pela autonomia e liberdade das mulheres escolham contribuir para perpétuar essa objectificação das mulheres como meros instrumentos, choca-me.
Eu já fui católica, nasci num meio católico, fui educada como católica e sei bem o tipo de mentalidade que a educação católica induz nas crianças e jovens. No entanto, nunca me lembro de ter defendido a criminalização das mulheres que abortam. Uma pessoa não é eterna criança que olha com palas sem espírito crítico...
... sendo que um dos argumentos para a abolição dos direitos dos judeus foi o de que era bom para a economia...
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