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Hoje é dia 25 de Novembro

por beatriz j a, em 25.11.17

 

 

Fui à rua e entrei na tabacaria para ver se alguma revista ou jornal trazia algum artigo sobre o 25 de Novembro em ângulo novo ou com testemunhos inéditos. Nada. Nenhum jornal fala no assunto. É um não-assunto. 

Não sou particularmente tradicionalista mas parece-me importante não deixar cair no esquecimento as datas, os acontecimentos e as pessoas que contribuiram positivamente para o presente em que estamos. Eu sei que temos um governo que gosta de definir-se como de esquerda (para o que lhe interessa) e que um dos elementos da coligação é o PCP, partido nada interessado em reviver o fim do sonho totalitário que tentou implantar no país mas, mesmo assim, um governo tem que pensar de modo nacional e não apenas e sempre só nos amigos. 

Que país queremos ser de costa voltadas para a História?

 

Estive na Ajuda nesse dia, com uma das minhas irmãs. Estudávamos no Liceu D. João de Castro e fomos para lá a correr assim que se soube que, 'havia guerra na Ajuda e andava tudo aos tiros', segundo uma funcionária da escola. Não havia guerra mas houve tiros. Já uma vez contei  aqui a minha experiência desse dia como o culminar de um ano de PREC dramático na minha vida e na da minha família de onde saí viva, mais por sorte que por vontade do COPCON. Não esqueço o 25 de Novembro. Obrigada, Jaime Neves!

 

 

publicado às 17:49


25 de Novembro sempre!

por beatriz j a, em 25.11.16

 

 

Não fosse o Jaime Neves em Lisboa e o Ramalho Eanes em Évora e tínhamos tido aqui um muro de Berlim ou um Paralelo 38, à portuguesa, a separar o Sul do Norte. No Sul houve sangue, não foi a brincar. Houve perseguições, vinganças e outras coisas dessas comuns nas revoluções que são tempos em que o melhor e o pior vem ao de cima.

 

Por essa altura o Otelo achava-se o Kadafi do rectângulo e passeava-se por aí à patrão com os seus COPCONs a distribuir mandatos de prisão em branco para eles porem o nome que lhes apetecesse: ora toma lá um mandato em branco e vai prender alguém de quem não gostes ou de quem queiras alguma coisa. O Cunhal não queria acreditar que o povo não o amava depois de tantos anos a lutar e fazia de tudo para ser poder, independentemente da vontade do povo que foi coisa que nunca lhe interessou. Interessavam-lhe ideias e não pessoas.

 

O PREC foi o completo oposto de Democracia.

 

Eu vivi os dois: o PREC vivi-o no Alentejo até meio de Julho de 75 quando de lá saí (eu, os pais, a avó e dois irmãos mais novos, ele com oito anos, ela com cinco, depois de meses -desde 11 de Março- de prisões, ameaças, intimidações, etc) com as metralhadoras do COPCON apontadas às costas, perto da uma da manhã, depois de um dia presos e guardados à vista e de um julgamento popular que durou desde as sete e meia da tarde à meia-noite e meia do dia seguinte (anda aí um vídeo no youtube com um julgamento popular em Tomar com o título, 'Único Julgamento Popular em Portugal' mas é mentira: houve outros só que não se passaram em tribunais), organizado pelo partido comunista com os COPCONS do Otelo. Tenho isso tudo escrito há muito tempo.

 

No 25 de Novembro estava em Lisboa a estudar no Liceu D. João de Castro. Assim que tivémos notícias do Jaime Neves com os comandos na Ajuda (a escola fechou), fomos (eu e uma irmã) à corrida até à Ajuda ver o fim desse desvario que foi o PREC, que quase nos levou a uma guerra civil, por vontade do senhor Otelo e do senhor Cunhal.

 

 

dia 12 de Março, dia a seguir ao início do PREC de 75 começaram logo a matar pessoas.

 

 

12 Novembro 75, quando o Cunhal instigava o caos para chegar à ditadura comunista, isto nos intervalos de ir a correr à Rússia pedir instruções ao grande líder enquanto lá deixava os documentos da História portuguesa: registos da PIDE, etc.

 

 

25 de Novembro pelos próprios

 

 

 Os que estiveram na Ajuda

 

 

publicado às 17:11


25 de Novembro III

por beatriz j a, em 25.11.15

 

 

 

O testemunho directo de alguns dos principais intervenientes. Em 6 partes. Tem piada ver a linguagem dos militares igual à da época e o hábito ainda de 'educar' politicamente as populações.

 

 

 

publicado às 04:44


25 de Novembro II

por beatriz j a, em 25.11.15

 

 

 

25 de Novembro é o fim do PREC, esse período em que parte do país foi vítima das ideias do Cunhal, que durante esse tempo já não falava sem cartazes gigantes do Marx, do assassino do Lenine e do outro assassino psicopata do Estaline atrás dele, nem fazia nada aqui em Portugal que não se tivesse feito já na União Soviética. Dividiu o país e queria a guerra civil quando viu que o povo não votava PCP nas eleições e até o CDS tinha ficado à frente deles... aquele nojento do Vasco Gonçalves como primeiro ministro... 

 

O Otelo fazia de rei Sol com o COPCON e mandava prender porque sim, porque podia. Distribuia armas por aí a fomentar uma fractura do país com base no terror de uns contra outros. Ocupavam-se terras indiscriminadamente nesse 'verão quente', com julgamentos populares (eu estive num como vítima e sei o que é isso) e, até mortes, com esquemas cuidadosamente preparados pelo PCP à maneira dos julgamentos leninistas. Não se podia ir de Évora a Lisboa sem ter que parar em 20 piquetes pelas estradas fora e ser revistado e assediado por esses gajos. O Otelo, em 30 de Julho de 1975, acabado de desembarcar em Lisboa, vindo de Cuba, diz, no aeroporto, entusiasmado com a lição que recebera de Fidel Castro (esse grande democrata), “Fascistas para o Campo Pequeno” – frase com que deixou no ar a ameaça de fuzilamento dos que se opunham ao processo revolucionário. 

 Aterrorizavam-se pessoas e o país viva num declive ardiloso a caminho duma mini-União Soviética ditatorial. É claro, os oportunistas destas coisas abusaram durante 9 meses horrorosos em que só havia liberdade para quem era do PCP e quejandos. No 25 de Novembro tentaram fazer à força o que não conseguiram nas urnas. Correu-lhes mal... felizmente para nós. No 25 de Novembro acabou-se o Otelo a mandar no país e acabou-se o COPCON, esse comando de milícias sem princípios nem escrúpulos. 

 

 

PREC agosto de 75

 

 Dia 7 de Agosto - Tornado público o ‘Documento dos Nove’

8 de Agosto - Toma posse o V Governo Provisório, presidido por vasco Gonçalves. Teixeira Ribeiro assume as funções de vice-primeiro-ministro; Nacionalização da CUF, Setenave, Sociedade Geral de Transportes.

9 de Agosto - Publicada no ‘Jornal Novo’ carta aberta de Mário Soares a Costa Gomes a exigir a demissão de Vasco Gonçalves.

10 de Agosto - Manifestação em Braga organizada pela Igreja; Assaltadas sedes do PCP em Monção, Porto e Trofa.

11 de Agosto - ‘Grupo dos Nove’ é suspenso do Conselho da Revolução; Assaltadas as sedes do PCP em Viseu, Vila Verde e Tondela; Publicada a Lei da Reforma Agrária de Oliveira Baptista.

13 de Agosto - É publicado o ‘Documento do COPCON’, como resposta ao ‘Documento dos Nove’.

 

O DOCUMENTO DOS NOVE - “O País encontra-se profundamente abalado e defraudado relativamente às grandes esperanças que viu nascer com o MFA (...) alarga-se dia a dia o fosso aberto entre um grupo social estremamente minoritário, portador de um certo projecto revolucionário, e praticamente o resto do País, que reage violentamente às mudanças que uma certa vanguarda revolucionária pretende impor (...)”

- “(...) Os subscritores deste documento recusam quer o modelo de sociedade socialista tipo europeu oriental, quer o modelo de sociedade social-democrata em vigor em muitos países da Europa Ocidental (...) Lutam por um projecto político de esquerda (...) Recusam a teoria leninista de vanguarda revolucionária que impõe os seus dogmas políticos de forma sectária e violenta (...)”

- (...) Defendemos um modelo de socialismo inseparável da democracia política, construído em pluralismo político (...)”
(correio da manhã 7-8-2005)

 

publicado às 04:33


25 de Novembro

por beatriz j a, em 25.11.15

 

 

Do 25 de abril ao 25 de Novembro.

 

 

 

publicado às 04:07


25 de Novembro

por beatriz j a, em 25.11.13

 

 

 

Obrigada, Jaime Neves. Obrigada ao Eanes também. Pela coragem, dignidade e sentido de dever.

 

publicado às 13:35


25 de Novembro de 75

por beatriz j a, em 25.11.08

 

 

Memória de uma cidadã anónima:

 

Lisboa, liceu D. João de Castro.

A meio da manhã, na aula de Português do 6º ano (agora 10º).

Uma funcionária abre a porta e diz:

- senhor professor, temos que sair depressa, a escola vai fechar.

- Mas o que se passa? Perguntou o professor.

- Parece que andam aos tiros ali na Ajuda - diz a funcionária.

 É a rebaldaria total na sala de aula.

Saímos todos a correr; encontro no corredor a minha irmã M..

Olhamos uma para a outra e, em grande excitação, sai-nos quase ao mesmo tempo: vamos ver a guerra!

Bem dito, bem feito. Desatámos a correr pela rua abaixo - aquela que vem desde o Alto de Santo Amaro até cá abaixo à Junqueira (não me recordo do nome). Aliás, vinha o Liceu inteiro, mais os da Escola Ferreira Borges, ao lado, a correr desenfreados pela rua abaixo.

Andavam rumores no ar, como era costuma na época. Falava-se em guerra civil. Dizia-se que o Jaime Neves andava em Chaimites a disparar tiros na Calçada da Ajuda.

Quando chegámos ao jardim, na Ajuda, estava tudo cheio de gente, a ver a guerra...

Lembro-me da minha irmã a discutir com um dos Comandos que estava a barrar a rua para que ele a deixasse ir ver a guerra de perto. Ele a mandá-la para trás, e ela a discutir com ele: para trás? Então isto é como antigamente que estamos proibidos de ir onde queremos? Já não há Salazar, agora há liberdade e se eu quiser ir ver a guerra vou.

O homem nunca perdeu a paciência com ela.  As coisas em Lisboa eram diferentes. Eu, vinda do Alentejo há poucos meses, achava que aqui em cima era tudo mais ou menos uma brincadeira.

Mais tarde,  vi na televisão (penso que nesse dia, mas já não tenho a certeza) o Ramalho Eanes, em cima dum tanque, mãos na cintura em ar de desafio. Em Évora. Lembro-me de pensar que ele tinha muita coragem, porque aquilo em Évora não era uma guerra a brincar como em Lisboa.

Lá em baixo ninguém se punha a discutir com os Copcons do Otelo.

 

publicado às 13:53


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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