Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau

muito por cumprir

Os capitães de Abril não vão comparecer à sessão solene de comemoração ao 25 de Abril, no Parlamento.
A Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, telefonou a Vasco Lourenço para convidar os capitães de Abril a estarem presentes na sessão solene que se realiza todos os anos para assinalar o 25 de Abril. Contudo, há dois anos que a Associação não está presente, por discordar do rumo que o país está a levar e da austeridade imposta pelo Governo, mas este ano Vasco Lourenço fez depender a presença dos capitães da possibilidade de intervirem no plenário.
Confrontada com esta condição, Assunção Esteves respondeu: “O problema é deles”. Palavras que não caíram bem a Vasco Lourenço. “Há dois anos que não vamos às comemorações por razões que são conhecidas. Este ano as razões mantêm-se e até se agravaram mas a Presidente da Assembleia ligou-me e fez sentir que este ano, com os 40 anos, era um caso excepcional, que éramos insubstituíveis e não seria o mesmo sem nós”, conta ao SOL. “Face a isso disse que poderíamos admitir ir, se usássemos da palavra. Agora recebo essa resposta através da comunicação social. Se o problema é nosso, nós não vamos!”
Vasco Lourenço rejeita assim a presença dos capitães de Abril na sessão solene, no Parlamento, e diz estar convencido que “o povo português entenderá as razões”.
O que é que é que se passa neste país? Porque é que quem está no poder acha que pode fazer tudo? Porque é que só funcionam se destruirem todos à sua volta que não lhes sejam submissos ou que tenham uma voz crítica? Isso é marca dos medíocres! A incapacidade de lidar com ideias diversas e usar de força para levar a sua avante! Porque é que esta reformada que lidera a AR se acha dona do 25 de Abril enquanto símbolo comemorativo ao ponto de proibir a voz dos que o fizeram? Ele representa o povo, não se representa a si própria. Em Portugal os dirigentes acham que se representam a si próprios e que os cargos são prémios para viverem melhor à custa dos outros. Porque razão não hão-de os capitães que o fizeram, ter a oportunidade de falar? Porque vão falar mal do governo? E então? É proibido? Estamos numa ditadura? Quem não sabe aceitar críticas não tem competência para liderar seja o que for. Acho significativo que a comemoração do dia da Liberdade seja marcada por um acto de censura. É injusto, é um abuso de poder e é revoltante!
MNE torna opcional feriado do 25 de Abril
Eu era miúda antes do 25 de Abril mas já tinha ouvido falar na PIDE e na falta de liberdade, embora não a sentisse, ainda. Cantava canções contra a PIDE, apesar de não saber bem o significado do que estava a cantar. Alguns adultos falavam-nos das coisas políticas. Tive uma professora de Francês que me marcou muito positivamente quando andava no Liceu de Évora (onde agora é a Universidade). Não lembro do nome dela (nessa altura era casada com o Abílio Fernandes que foi presidente da Câmara de Évora durante décadas a seguir ao 25 de Abril) mas estou a vê-la nitidamente. Morena, cabelo curto, muito magra. De vez em quando contava-nos que ia ouvir o Zeca Afonso às escondidas e falava-nos das letras das músicas dele.
Fui 'roubar' este vídeo a um blog (blasfémias). Há muito tempo que não ouvia uma intervenção no parlamento, na comemoração do 25 de Abril, com tanto significado e sentido actuais. Sem clichés, sem frases para encher tempo. Falou de liberdade, de revolução, do povo e da (má) distribuição da riqueza. Das promessas repetidas, mas não cumpridas.
A revolução parada no semáforo...
Palavras de ordem...e a voz do povo.
Este filme é muito bom.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.