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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
1. A idade não importa
A idade é um número, apenas, sem grande significado quanto ao estado de espírito e às possibilidades do que se pode fazer. Há jovens de idade que são velhos de espírito e há velhos, de idade, que são jovens de espírito. Há quem veja a idade como uma contagem decrescente, um drama de impossibilidades crescentes. Esses são amargos e infelizes, têm inveja dos mais novos, revoltam-se com a vida e, sobretudo, com o que não fizeram quando podiam. Os outros vivem-na. Num determinado nível, que é o nível do pensamento, somos todos da mesma idade.
2. O que os outros pensam de nós pessoalmente não importa
A não ser que sejam amigos e pessoas por quem se tem respeito e cuja opinião se respeita, o que os outros pensam de nós pessoalmente [não em termos profissionais, que aí importa], não importa. Não faz sentido ter a ilusão e a expectativa de que todas as pessoas venham a gostar de nós. Isso é um narcisismo patológico e as pessoas que vivem para essa admiração por parte dos outros vivem com uma máscara permanente: fingem que são bondosas e graciosas, sempre divertidas, simpáticas, que gostam dos outros, etc.
A maioria das pessoas julgam os outros, não pelos actos delas ou com critérios de objectividade mas a partir das suas próprias motivações, ambições, limitações, invejas, inseguranças, esquemas, etc., de modo que o que pensam dos outros tem mais a ver com o que elas próprias são do que com o que os outros de quem falam, efectivamente são.
3. O emprego não é a vida
É claro que o emprego importa, e muito, porque nos realiza, dá-nos o sentimento de sermos úteis e socialmente válidos, por exemplo, mas não é a totalidade da vida. Uma pessoa positiva tenta fazer o melhor no seu trabalho e retirar satisfação da competência mas, sabendo que o trabalho pode ser um vírus infeccioso de stress não limita a sua vida aos problemas do trabalho. É multidimensional e não unidimensional. As pessoas unidimensionais estão expostas à infelicidade e miséria quando essa única dimensão falha. É por isso que há tantas pessoas tóxicas e sacanas nos trabalhos. Não têm nenhuma satisfação para além daquilo e têm uma vida vazia. Mas uma pessoa multidimensional não se reduz a uma dimensão, não se define por um critério e tem sempre outras fontes de satisfação que renovam a energia.
4. O medo não é real
Uma pessoa positiva sabe que o medo é uma ilusão. É um estado de espírito que podemos modificar se mudarmos a percepção que temos das coisas. Não é a mesma coisa que prudência. Prudência é o cálculo dos riscos, medo é uma impotência que atrofia e impede a vida autêntica.
5. O estado do mundo não é um impedimento à acção
É verdade que o mundo está num estado deplorável: o ambiente, as guerras em todos os continentes, o resurgimento do capitalismo selvagem, a competição selvagem entre as pessoas, a corrupção dos políticos e satélites, etc., mas podemos ver isso como uma oportunidade de transformar o que se pode dentro do seu raio de acção. As pessoas positivas são dínamos de energia transformadora e não se deixam abater pelos obstáculos, as outras alimentam os problemas, fechadas nos seus pequenos interesses materiais, incapazes de se projectar no mundo.
6. As pessoas com quem mais se fala e se está, dizem o que se é
As pessoas têm tendência a dar-se e gostar de pessoas que lhes são semelhantes e com quem se identificam de modo que, quem quer saber se é uma pessoa positiva ou, tóxica, pense acerca das pessoas com quem mais fala, se dá e confia: são pessoas multidimensionais ou unidimensionais? Vivem sem ou com máscara? Têm uma acção sobretudo positiva ou negativa sobre os outros? Trabalham para melhorar as situações ou para os papéis e para inglês ver? Têm ou não necessidade de autoridade sobre os outros? Têm ou não prazer em humilhar outros? Têm ou não necessidade de atribuir a si mesmas títulos e honras? São genuínas ou interesseiras? Progridem pelo mérito ou promovem-se à custa de esquemas e de rebaixar os outros? Etc.
7. O passado é o que foi
As condições de vida de uma pessoa raramente são uma fatalidade, só um condicionamento. Pessoas positivas não estão presas ao passado e não se bloqueiam por ele nem vivem com o rancor das dificuldades que tiveram ou do mal que lhes fizeram. Aceitam que a vida tem marcadores negativos e usam o passado como lições para projectar o futuro. Pessoas negativas acham-se vítimas das condições do mundo e é frequente pensarem-se grandes vítimas de tragédias quando, às vezes, até tiveram vidas relativamente fáceis quando comparadas com outras. É o seu modo de mascarar as limitações que não aceitam.
8. Não trabalhar para as recompensas
Pessoas positivas fazem as coisas pelas próprias coisas e não para receberem recompensas. Não é que sejam contra as recompensas e muito menos contra a justiça nas recompensas mas não limitam as suas acções às coisas onde existem expectativas de recompensa. Quem assim age só faz alguma coisa quando há pessoas a olhar ou recompensas a receber de modo que anda sempre desiludido, não tem prazer no que faz e tem uma vida triste.
9. Aceitar os erros e limitações
As pessoas positivas aceitam-se: aceitam as limitações, os erros e os defeitos. Por isso, são capazes de evolução e não estão presas ao que as limita. Pessoas negativas são incapazes de reconhecer erros e limitações e nunca têm defeitos; ou não fazem nada mal ou se fizeram a culpa foi sempre de outros. Essas pessoas não evoluem, estão estagnadas, gastam energia anímica a mascarar-se em vez de viver.
10. Não aceitar rótulos
Pessoas positivas não se deixam delimitar por rótulos. Não aceitam os rótulos que lhes põem e fazem o que pensam que devem fazer e que podem fazer, independentemente dos rótulos sociais. Também não vêem os outros por rótulos: a idade, o cargo, a posição, a riqueza, o estatuto, os títulos, o género, a raça, a nacionalidade, etc., são ilusões atrás dos quais se escondem as pessoas. As pessoas negativas funcionam por rótulos, só fazem o que vem inscrito nos rótulos com que se definem e esperam que os outros os respeitem por causa dos rótulos que conseguiram comprar de modo que não se respeitam pelo que são e entram em pânico quando não conseguem os rótulos de impressionar.
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