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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Erdogan já passou limites do ditador benigno há muito tempo, quando se fez filmar, no dia da vitória eleitoral, a descer umas escadarias ladeadas com figuras dos sultões otomanos, com os quais se compara, naturalmente.
Ontem disse a uma garota de sete anos que se Deus quisesse seria uma mártir e a enterrariam com a bandeira do país... Erdogan está num processo de esmagamento dos curdos, sem os quais a guerra contra o EI não teria sido vencida. O resto do mundo vê e cala.
Xi Jinping quer acabar com a limitação de mandatos para ficar eternamente no cargo. Putin só sai de lá quando e, se, quiser. Na UE já falavam em concentrar numa única pessoa os cargos de Presidente do Conselho e da Comissão e acabar com o princípio de um membro por cada Estado-Membro. Trump, se pudesse, há muito que era um Putin, líder por quem tem enorme respeito e admiração.
Há uma tendência cada vez mais clara para a degradação das democracias. Será que os ditadores não se vêem como o que são? Será que os líderes não têm noção de como a concentração de poderes continuada na mesma pessoa leva à corrupção, ao desvirtuamento dos processos, à destruturação da coesão social? Serão tão cegos que se pensam imunes aos perigos do poder?
Até em pequenas comunidades como as escolas vemos esta degradação. Onde vai a gestão democrática das escolas? Como se podem educar os jovens para sociedades de vivência democrática se os exemplos que lhes dão são o oposto disso?
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