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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Debaixo de um coro de críticas de toda a esquerda, o ministro da Educação, Nuno Crato, esperou em silêncio até à sua intervenção. Um minuto e 58 segundos bastaram para o ministro assegurar, no Parlamento, que não se vai demitir e sublinhar que o ministério já pediu desculpa e que tudo fez segundo a lei.
Aqui está o exemplo mais evidente de que o cliché segundo o qual o problema da função pública é os chefes não poderem despedir os incompetentes é uma falsidade. Na realidade passa-se exactamente o oposto. Na função pública, ao contrário do privado, os chefes não perdem dinheiro com a sua incompetência: não gerem o seu dinheiro mas o dos outros e não sentem as perdas - podem perder hoje umas eleições mas há sempre outras e outros cargos. Por essa razão, sempre que podem contratar e despedir a seu bel prazer, não é a competência o critério decisor, como se vê por este exemplo do Crato (e o do Gaspar a quem pagaram a incompetência com um cargo dourado) mas a capacidade de submissão e lealdade ao chefe.
Neste caso, o chefe do governo quer implementar uma ideologia de despedimento e contratação política nas escolas. Depois de esvaziar de conteúdo todos os cargos da escola excepto um, quer que esse cargo assegure, nas contratações que faz (e no modo de gestão como a escola funciona), o prossegimento das suas ideologias políticas. O ministro cumpriu e mandou fazer concursos de porta aberta ao amiguismo. Deu mau resultado mas, como o seu papel não é ser competente mas prosseguir esta ideologia que se quer implementar, nem o chefe o quer demitir nem ele se demite.
De facto, na função pública, quando o chefe não tem sentido de serviço público, não tem visão nem competência, o que ele faz é rodear-se de outros iguais ou piores e, se puder despedir à vontade, despede em primeiro lugar os competentes que são leais ao serviço e não às suas ideologias particulares. E é assim que temos o governo e a administração pública cheio de incompetentes e, de cada vez que muda a cor política do governo, contratam-se novos incompetentes. Quanto mais incompetentes, mais agarrados ao poder, mais manipuláveis, mais dependentes, mais mesquinhos e mais leais.
Como convivem maioritariamente com outros incompetentes que os validam e porque entendem o serviço público como uma adesão à ideologia do partido que entendem ser o benefício do país, muitos nem se apercebem da sua incompetência, mesmo quando ela é evidente, como neste caso em que um indivíduo não consegue pôr ninguém do seu serviço a funcionar com eficácia e tudo que faz tem maus resultados.
A outra que lá esteve antes, por ter tido a imprensa e os outros incompetentes governativos do seu lado durante muito tempo, também se pensava muito querida do povo e muito competente... ainda hoje se acha apesar de evidenciar uma enorme ignorância sempre que abre a boca.
Os políticos e os chefes da função pública, pela própria natureza do poder que o cargo acarreta perdem completamente o insight sobre si mesmos.
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