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Sentimentos ambivalentes

por beatriz j a, em 28.09.18

 

 

... acerca deste filme, Woman Walks Ahead. O filme é sobre Catherine Weldon, uma pintora activista política nova-iorquina que vai sozinha para o Dakota lutar pela tribo dos Lakota Sioux com uma visão e argumentos do nosso tempo e não do dela e se torna amiga e confidente do chefe da tribo, o famoso Sitting Bull.

O filme é muito bonito. Filmado naquelas paisagens do Oeste americano, de planícies enormes com montanhas ao fundo e céus infinitos que dão uma atmosfera espiritual com a sua presença esmagadora e inalterável.

 

Também gostei que Sitting Bull não fosse representado da maneira simplista e unidimensional como os nativos americanos costumam ser retratados -ou bêbedos violentos ou sábios sentados a fumar cachimbo- mas aparecesse como um ser humano vivo e sofisticado.

 

Depois, e isso será o melhor do filme, os actores (ele é um nativo de uma tribo canadiana) tecem muito bem os fios da amizade e intimidade emocional que cresce entre eles, em parte por serem ambos -índios e mulheres- discriminados e maltratados pela sociedade violenta dos homens de então mas sobretudo por serem ambos pessoas extraordinárias habituadas a terem que sobreviver num mundo de gente vulgar com motivações vulgares.

 

O que chateia é que ela é retratada como sendo muito mais simples do que na realidade era e que a amizade deles tenha sido reduzida a essa parte emocional quando sabemos que ela era uma activista política convicta -divorciada e não viúva como aparece no filme- que viajou para o Oeste sozinha, determinada a lutar pelos direitos dos nativos americanos, era uma pessoa intelectualmente educada e a relação entre eles teve uma dimensão intelectual que falha no filme. E isso acho uma pena porque há milhares de mulheres extraordinárias que a História dos historiadores homens votou ao esquecimento, ao desprezo ou até à desvirtuação e quando a história de uma delas é contada chateia que não lhe dêem a dimensão que teve e merece.

 

Dito isto, o filme vale muito a pena ver. É um filme visualmente belo, instrutivo e comovente.

 

 

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publicado às 21:22


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