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... ou pior...

Escolas devem preocupar-se em ensinar em vez de preparar alunos para exames, diz secretário de Estado

O secretário de Estado da Educação defendeu esta quinta-feira que as escolas devem preocupar-se em ensinar em vez de se inquietarem com a preparação dos alunos para os exames nacionais, argumentando que desta forma os estudantes terão melhores resultados académicos.

 

1º Os exames são obrigatórios para muitas disciplinas e a nota dos alunos nos exames é determinante para as escolhas que os alunos podem fazer em termos de estudos universitários. Logo, um professor que ignore a importância desta condição na vida dos alunos e a sua responsabilidade na questão, é um professor que não se interessa pelos alunos. É isso que o secretário de Estado quer?

 

2º Os exames são momentos de avaliação de conhecimentos e de técnicas com particularidades específicas pois há 100 maneiras de se apresentar uma questão ou problema. Alunos que não são treinados para o modo como as questões são apresentadas nos exames e para o modo como são avaliadas (o que os correctores valorizam e o que desvalorizam) ao chegar ao exame perdem imenso tempo a perceber como devem organizar os conhecimentos que têm à volta da questão em causa. Isto para não falar de disciplinas como a Matemática onde os problemas podem ser apresentados de maneiras muito diferentes, sendo que, se os alunos não treinam vários modos de apresentação de questões, no exame nem percebem o que têm que fazer.

Como toda a gente que já fez testes psicotécnicos ou outros teste ou que já foi a uma entrevista de trabalho sabe, a experiência e o treino prévio aumentam a eficácia dos procedimentos. Ou o secretário de Estado quando ia a entrevistas de trabalho ou fazia exames não se preocupava em saber a melhor forma de responder à tipologia de avaliação e confiava que deslumbrava toda a gente com a sua genialidade? Um professor que não perceba a importância destas questões não ajuda os alunos.

 

3º Por exemplo, muitas questões de escolha múltipla dos exames de Filosfia são dúbias e prestam-se a várias interpretações; o problema da ambiguidade inescapável da linguagem, como se sabe, está na origem de toda uma corrente da filosofia; no entanto, como só aceita uma resposta como correta, é preciso ensinar os alunos acerca das interpretações que costumam ser aceite nessas questões, senão arriscam-se a saber e mesmo assim errar ou, pior, os que sabem menos mas têm sorte no totobola é que as acertam.

 

4º como sabemos, há imensos pormenores que afectam a performance dos alunos, até coisas como a temperatura das salas de exame (women perform better on tests of cognitive function at toastier room temperatures. ), de modo que dizer que quem sabe faz sempre bem ou até que os exames deviam mudar todos os anos e ser sempre uma surpresa, é de uma grande ignorância.

 

O que devia acontecer era termos currículos que permitissem dar os programas e ao mesmo tempo treinar o tipo de performance que os exames requerem.

Portanto, o secretário de Estado exortar os professores a não se importarem com os exames é o mesmo que incentivar-nos a desconsiderarmos um acontecimento que pesa no futuro dos alunos. Pela minha parte, não sigo o conselho, obrigada.

 

publicado às 13:50


2 comentários

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De Manuel J. Alves a 30.05.2019 às 14:55

"ue as escolas devem preocupar-se em ensinar em vez de se inquietarem com a preparação dos alunos para os exames nacionais"
Decerto modo isto é auto-contraditório, não lhe parece? Porque eu penso que não é possível preparar para exames sem ensinar algo, isto é, quem prepara para exame automaticamente tem de ensinar (talvez de modo ligeiramente diferente, admito).
A minha experiência como estudante (foi há bastantes anos) diz-me que os exames foram muito úteis. Sem eles eu não teria feito as revisões da matéria que fiz nem treinaria a memória (coisa erradamente desvalorizada, hoje) como treinei. Além disso os exames incutem um sentido de responsabilidade insubstituível.
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De beatriz j a a 30.05.2019 às 15:04

Quando ensinamos numa disciplina sem exame temos mais liberdade em diversificar os instrumentos de avaliação. quando ensinamos disciplinas com exame, uma grande parte dos instrumentos de avaliação têm que ser idênticos na ao exame final para os alunos irem treinando e não serem apanhados de surpresa.

Os exames avaliam um certo número de coisas: a capacidade de organizar ideias, conhecimentos e técnicas em torno de uma questão em situação de stress; ensinam a saber gerir o tempo; obrigam a um esforço de concentração; testam a capacidade dos alunos, no final de um ano lectivo, serem capazes, ainda assim, de reunir energias para fazer tarefas complexas, o que treina a capacidade de aguentar volumes de trabalho suplementares; também testam, até certo ponto, os professores. Testam muita coisa e são importantes, em meu entender, até para os alunos se porem à prova.

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