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Porque há um ror de taxistas que são uns grunhos... hoje estava a ver que não conseguia apanhar um táxi (pensei que a greve era só ontem) e apanhei um meio às escondidas. Como precisava ir à baixa, demos uma grande volta pelo Martin Moniz e o homem deixou-me na Praça da Figueira para evitar a Avenida, os Restauradores e o Rossio onde estavam centenas de táxis estacionados a fazer barulho e a ameaçar quem não fazia greve. É claro, fiquei com o cartão do homem e quando precisei liguei-lhe e lá combinámos um sítio para me apanhar sem ter que passar pelos outros e arriscar-se a confrontos.

 

Não tenho nada contra os táxis fazerem greve e até acho que têm alguma razão no que toca à questão dos impostos e seguros que os outros não pagavam. Agora, não percebo que queiram impedir de trabalhar quem não quer fazer greve e andem a atirar garrafas aos táxis que levam clientes.

Faz-me lembrar o PC dos anos oitenta... nos dois primeiros anos que dei aulas, numa escola do Barreiro, sempre que havia greve o PC enviava os professores controladores para a porta da escola para pressionar a que ninguém fosse trabalhar e, se entrássemos na mesma, o que eu fazia sempre, porque aquilo eram greves estúpidas, do género, greve de solidariedade com os mineiros polacos, por exemplo, tinham lá dentro colegas apontar o nome de quem estava a dar aulas (éramos três ou quatro na escola toda). Como se isso me ralasse um átomo...

 

Pois os taxistas, habituados a serem um monopólio, para além de barafustarem, podiam aproveitar para melhorar o serviço. São caros, muitos têm os carros todos sujos, alguns parecem relíquias de 1940, sem suspensão nem ar condicionado e ainda temos que gramar a rádio Amália e as queixas e o mau humor dos indivíduos.

 

Outro dia tive uma cena com uma fila inteira de táxis... numa paragem de táxis, fui direita ao 1º quando reparei que era daqueles em que se paga mais 25% por ser um carro que leva 6 pessoas. Como não estou para pagar isso, fui ao 2º, a mesma coisa. Dirigi-me ao 3º, que me disse que eu tinha que ir num dos dois da frente... tenho o quê? Tenho que pagar mais 25% indo sozinha só para vos agradar? Eu escolho o táxi que quiser, é o meu direito, e de qualquer modo não ia consigo que tem um carro de 1940 sem ar condicionado. Não estou para sufocar aí dentro. O homem ficou furioso... como se isso me ralasse... fui ao 4º que já estava com medo de me levar, o ar de pânico na cara dele... de modo que peguei no telemóvel e disse, 'é por estas e por outras que cada vez mais gente anda na Uber' e fui andando para me afastar dali e chamar a Uber quando uma taxista lá mais atrás me chamou e disse, 'eu levo-a'. Os outros ficaram a esbracejar e a gritar comigo e com a condutora. Uma grande quantidade deles são uns grunhos, habituados a fazerem o que querem e a comportar-se como se fossem patrões dos clientes.

 

E metade deles, se puderem, aldrabam. Outro dia chamei um táxi para ir da Lapa para Pedrouços. Enquanto me distraí a pôr o cinto de segurança, o homem já ia para o lado contrário... 'onde é que o senhor vai?' Ah, vou apanhar a avenida D.Carlos e depois dou a volta... 'não senhor, meta-se aí pela Buenos Aires até à Infante Santo e passe logo para o lado de lá'.  Vai ele, 'ah, pois é, nem me estava a lembrar que podíamos passar logo aí para o lado de lá'. Que grande lata! Mesmo asim paguei à volta de dez euros. No dia a seguir chamei a Uber. Dois euros e meio... nem chega para pagar a bandeirada do táxi... é assim...

Pois hoje andar de táxi em Lisboa foi uma aventura.

 

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publicado às 18:54



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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