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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Porque todos os envolvidos na no centro ou orla desses casos estão no governo ou em altos cargos do partido, há muitos e muitos anos. Portanto, se não estavam por dentro destes esquemas de roubo ao mais alto nível, são, no mínimo, cumplices por conivência de fidelidade ou silêncio. Quando já entrava pelos olhos adentro que o Sócrates só estava metido em embrulhadas de muito dinheiro defendiam-no como cães fiéis. Nem um único se demitiu. Tudo era normal. O Costa, o SS ou outros por acaso sentiram-se incomodados com tanta notícia de subornos, desvios, falcatruas...? Não, senão tinham-se demitido que é o que uma pessoa honesta faz quando percebe que está metida numa quadrilha de malfeitores.
Alguns continuam a ser amigos pessoais de Sócrates e a defendê-lo como se fosse uma vítima. Portanto, para falarem dele teriam que falar de si mesmos, das suas conivências, dos seus aproveitamentos, da organização pouco-democrática da vida política partidária, da organização do Estado ao serviços de interesses e de outros pilares com rupturas da democracia. E não querem, nem vão fazê-lo.
Depois se olharmos para os outros partidos que têm andado pelos governos, quem é que quer falar no caso BPN, como estava infiltrado ao mais alto nível do Estado? Pois, ninguém....
Nestas coisas, se se começa a puxar a linha, corre-se o risco de desfiar o novelo todo. E se se desfiar todo o novelo muita coisa pode ficar exposta, muita gente pode ficar sem carreira política ou mesmo ir parar à prisão, sabe-se lá. Portanto, esperar que queiram resolver a corrupção é o mesmo que esperar que a macieira do quintal, de repente, comece a dar pêras.
Depois, não percebo este interesse em saber o que disse Costa no congresso. Aquilo é um discurso que alguém escreveu para as câmaras da TV para convencer o povo a votar nele. Se ele fosse uma pessoa de cumprir compromissos... mas como não é, dado que atraiçou tudo o que o levou a formar esta pacto de governo, que interessa aquele processo de intenções com promessas eleitorais? Os políticos não prometem sempre as mesmas coisas em vésperas de eleições? Não percebo. Que interessa se ele é a favor da social democracia ou outra coisa qualquer? O que ele e os outros do partido dele querem é o poder e dizem o que for preciso para lá se manterem.
Mas ainda alguém acredita que estes políticos acreditam em ideologias diferenciadas? É que a prática mostra exactamente o oposto.
(Bernardo Ferrão, Expresso)
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