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SEDES critica ausência de propostas dos partidos para corrigir “fraquíssimo crescimento económico”

Uns dão “migalhas”, outros “perseguem quem tem dinheiro e poupa”. Não há partido que mereça, globalmente, avaliação positiva no que toca às suas propostas económicas e com impacto orçamental para estas eleições. SEDES também avaliou áreas da saúde ou da reforma do sistema eleitoral

 

Um conjunto de propostas pouco ambiciosas, que não oferecem mais do que “migalhas” para estimular o crescimento económico e, em certos casos, parecem querer “perseguir quem tem dinheiro e poupa”. As conclusões são da SEDES - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, que se dedicou a comparar os programas dos partidos e a analisar as medidas que estes propõem para os próximos quatro anos - e chegou à conclusão de que as ideias para a economia estão muito longe de trazer soluções para o país.

Durante a apresentação das conclusões da SEDES, que também incidiram sobre as áreas dos programas dedicadas à Saúde ou à reforma do sistema eleitoral, as críticas mais duras foram feitas às medidas económicas, de política orçamental e salarial. Com um traço comum: quase todas foram consideradas insuficientes e pouco ambiciosas. E um contexto: a SEDES, como explicava o socialista Álvaro Beleza, que faz parte do conselho coordenador, tenta fazer uma avaliação “o mais objetiva possível”, tendo em conta a sua base de origem - um pensamento com raiz nos países do norte da Europa, na social-democracia e na democracia cristã.

Nem por isso foram apenas os partidos de esquerda os alvos de crítica durante a sessão desta quinta-feira. Alexandre Patrício Gouveia, administrador do El Corte Inglés, identificou o problema: “É no crescimento que Portugal tem claramente um défice”. E porquê? Porque “a atual política [para o crescimento] não leva a lado nenhum”. Nem dá sinais de melhorar: “A lição de fraquíssimo crescimento de 19 anos euro não foi aproveitada pela grande maioria destas propostas políticas”.

A lista do que podia ser feito mas é longa: a falta de investimento, “que não chega a 60% da média europeia”, é um dos maiores “bloqueios” e continua a não haver “uma política claramente virada para o investimento”; também não existe “uma campanha de poupança”, sendo, ao contrário, o consumo incentivado; e assim não se aumentam salários: “Os salários não se aumentam por decreto, mas pelo funcionamento da economia. Parece que há uma perseguição de toda a gente que tenha dinheiro e poupe”, criticou Gouveia, apontando as baterias à esquerda.

As críticas tiveram eco: o economista e professor universitário Abel Mateus frisou o mesmo ponto, dizendo não ver “nenhuma preocupação sobre poupança e investimento” e apontando riscos até no programa do PS. “Quanto um partido diz que reduziu o passe em 20 euros ou aumentou a pensão em três, são medidas pobrezinhas com um impacto marginal sobre a vida das pessoas”. Para o crescimento, defendeu, tudo o que há são “migalhas” - e não uma real alteração de políticas que permita a Portugal ultrapassar os países de leste neste ranking.

Quanto às propostas tendo em vista a despesa, frisou João Duque, presidente da SEDES, uma palavra positiva para a “responsabilidade” mostrada por PS e PSD - mais preocupados com a redução do défice. Ainda assim, “não existe” uma proposta “rigorosa” que apresente uma redução do défice sem um aumento da carga fiscal, nem uma resposta “ambiciosa e plena” a esse objetivo.

“DE BOAS INTENÇÕES ESTÁ O INFERNO CHEIO”

A sessão focou-se sobretudo em política económica, mas não só. Houve ainda tempo para analisar as propostas dos partidos na área da Saúde - com as do PS, PSD e CDS consideradas “mais realistas e moderados” pela organização e as da esquerda atacadas por Álvaro Beleza: querem “mais investimento” e “menos privados”, mas “de boas intenções está o inferno cheio”.

Embora com poucas hipóteses de avançar, dado o desacordo entre os partidos - alguns têm propostas, mas são em boa parte impossíveis de conciliar - o outro tema abordado foi o da reforma do sistema eleitoral, com José Ribeiro e Castro a apontar a “nebulosidade” de algumas propostas, sobretudo no PSD, que “defende com vigor” uma mudança no sistema mas “não clarifica” os moldes desta. “É uma promessa adiada”, uma “batalha que importa prosseguir”, garantiu o antigo líder do CDS - resta saber se há vontade política para isso. (Expresso)

 

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publicado às 05:50



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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