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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Esta peça tenta ridicularizar a moda dos anos 70. Sim, é verdade que tinha coisas que agora parecem ridículas (algumas já na altura pareciam) mas o que vejo nestas imagens é outra coisa. Houve nesta época uma aproximação de géneros. Muitas barreiras de preconceitos caíram e as mulheres e os homens tiveram, por uns momentos que duraram uns anos, uma visão de si mesmos como seres iguais em liberdade. De repente, aquilo que antes distanciava raparigas e rapazes parecia pouca coisa quando comparado com o que os separava das gerações mais velhas e conservadoras dos anos 50. Isso vê-se nestas roupas que são um documento da mudança de mentalidades.
Nessa altura, era possível, rapazes e raparigas vestirem as mesmas roupas e não parecerem ridículos, nem uns, nem outros. Passados estes anos, elas continuam a poder vestir aquelas roupas sem parecer ridículas mas eles não, e isso, a mim, parece-me um retrocesso neste movimento de libertação de preconceitos de género. Desde então os homens foram tornando-se cada vez mais reprimidos na maneira de vestir. Têm uma indumentária limitada, seja na forma das roupas, seja nas cores e padrões.
Têm que vestir azul, preto, castanho, beje, camisas sem padrão... quanto muito umas riscas ou quadrados mas de cores sóbrias... imagine-se aparecerem de camisa às florinhas, rosa shoking ou de mini-saia... arriscavam-se a ir presos como acontecia às mulheres que usavam calças no início do século XX e ainda acontece nos países dos islamitas... têm que vestir calças, mesmo no verão quando as saias são muito mais confortáveis. Têm um código de vestuário muito restrito e repressivo a não ser em situações muito particulares de excepção. É um sintoma visível da divisão de géneros que desde os anos 70 veio crescendo.
Por essa razão, olho para as imagens da peça e o que vejo é um certo espírito de união e uma certa ingenuidade que infelizmente se perderam.



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