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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Um caso paradigmático de contra-informação, ou a interrupção involuntária, por via administrativa, de uma gravidez viável.
Sobre a garota que está grávida, vítima de violações do padrasto, aos 12 anos de idade, este indivíduo, depois de fazer uma série de especulações sobre a interrupção da gravidez ter sido feita contra a vontade da garota (?), faz considerações sobre a gravidez ter que ser levada até ao fim, sendo viável, o que para ele significa, não há a certeza de a mãe ou o feto virem a morrer ou, talvez, ficarem com deficiências graves (?), sendo que defende que a vida humana começa logo na concepção, esquecendo-se que a da mulher já está aí e não é apenas uma projecção abstracta, mas enfim... O que noto quando estes indivíduos falam destas questões -e nem estou a falar destes argumentos facilmente rebatíveis- é que não têm a mais pequena ideia do que seja uma gravidez porque falam dela como se fosse equivalente a uma mulher ter ali uma espécie de um implante durante uns meses, de modo que acham incompreensível que, não havendo risco de vida, ela não esteja disposta a andar uns meses com ele... é que pelo modo como falam vê-se que não percebem as transformações dramáticas e irreversíveis que as mulheres sofrem, física e psiquicamente, com uma gravidez. E se numa gravidez desejada ou pelo menos não indesejada, essas transformações são orientadas num sentido positivo e enriquecedor, numa gravidez traumática, indesejada ou odiada, mesmo, têm consequências devastadoras e podem significar a destruição da pessoa. Nestes sermões contra as mulheres -aqui contra os médicos que decidiram e agiram em benefício da garota- as próprias mulheres nunca são consideradas... sabemos que as mulheres são pouca coisa para a tradição eclesiástica e que a maior virtude delas é serem reprodutoras de modo que negarem-se à 'quasi-única' utilidade que têm que é a de parir...
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