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O que eu queria mesmo?

por beatriz j a, em 29.03.17

 

 

Esta profissão fantástica vem sendo estragada, paulatinamente, por cada ministro que vai parar ao cargo, com particular incidência para a época pós-Rodrigues, esse presente envenenado do grande líder, o Sócrates. Dantes havia critérios informados, objectivos, pedagógicos e, éticos, que orientavam a acção nas escolas. Agora não há critérios, há pessoas que mandam de modo que as coisas são deixadas à sorte [pode ser que sendo aluno tenhas a sorte de te calhar um professor bom, ou um DT bom, ou uma turma boa, ou uma escola boa, ou sendo professor, podes ter a sorte de te calhar um chefe bom (bom no sentido de pessoas que agem segundo critérios informados, objectivos, pedagógicos e éticos) ou, então, não tens essa sorte e estás tramado], à arbitrariedade e à disposição de carácter de quem chefia. Com estas premissas é indiferente o que se faça em reformas... é o mesmo que ter um carro com o motor inadequado e dedicares-te a pintá-lo e mudar-lhe os estofos .

 

O que eu queria mesmo era uma equipa ministerial burra, perfeita na sua burrice. Não falo de pessoas de sucesso na sua área porque esses são um grande perigo: por terem chegado longe na sua área (serão bons engenheiros, cientistas ou produtores de estatísticas ou outra coisa qualquer) entendem que serão bons em tudo e mais alguma coisa e acham poder mexer em tudo com mérito. São os que têm ideiazinhas que desfazem o já feito por entenderem que as suas reformas é que vão fazer encontrar a pedra filosofal. Também não falo dos que se enganam a si mesmos pensando que a competência está ligada à quantidade de folclore e papelada que produzem para tapar as insuficiências estruturais, de que não têm consciência - sabemo-lo pelo modo como trabalham. Não, não, não... falo mesmo de gente burra, que nunca tenha conseguido fazer coisa alguma de jeito e que, por isso, tenha medo de estragar e se refreie de mexer, remexer, desfazer, refazer, baralhar e voltar a dar. É que a quantidade de pintura e estofos que já meteram no carro é de tal ordem [li que foram dezenas de reformas em 10 anos] que já não se aguenta mais ideiazinhas, mais reformazinhas, mais metas, mais decretos, mais regras, mais porcarias que interferem com o trabalho e cada vez o atrapalham mais... uma pessoa tem mais trabalho a evitar estragar o seu trabalho por causa do [mau] trabalho deles, de interferência com o nosso trabalho, do que a fazer o trabalho propriamente dito... 

 

É claro que o melhor era ter um Platão ou um Bertrand Russel como ministro da educação mas, como isso é muitíssimo improvável, então que venha um burro. Burro, burro, perfeito na sua burrice, como o burro de Buridan.

 

 

publicado às 15:23


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