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Ao contrário do que dizem por aí parece-me que não seria um mal menor para a UE e que o risco de, a médio prazo se desmoronar parcialmente [o que é igual a os países do Norte perderem o valor e poder que agora têm], seria bem real. 

 

Para nós, a única coisa que não interessa é a Grécia ficar de espinha quebrada perante a Alemanha porque isso torna os PIGS mais PIGS ainda do que são. 

 

Se a Grécia ficar na UE com um acordo em que ambas as partes cedam mas sem que o Eurocamartelo obrigue a Grécia a prostrar-se na miséria pedindo ela própria o chicote da troika, o que seria, penso, a única solução positiva, é bom para nós porque teríamos mais confiança em que a UE, num futuro qualquer cinzento não nos faça o que está a tentar fazer à Grécia.  [à questão, 'Para onde foi o dinheiro emprestado à Grécia ¿ a resposta é: a grande maioria para os credores e o resto para os corruptos dos quais a Alemanha fez questão de dizer que queria que os gregos elegessem para com eles continuar a negociar...']

 

E sim, é verdade que beggars can't be choosers e que a Grécia está na posição de pedinte mas a UE já não é apenas uma união de interesses económicos, é uma união política. É que a Alemanha e o Norte comportam-se como se fizessem um grande favor aos outros países por tê-los na União de tal modo que estes devem aceitar as suas ordens e interesses como se fossem os de todos... quando a verdade é que obrigaram os gregos a encolher a sua economia e a empobrecer enquanto lhes emprestavam dinheiro para comer juros, comer os negócios que eram tradicionalmente deles (como fizeram connosco a quem pagaram para não produzir) e deixá-los na posição de pedintes e fornecedores de mão de obra barata.

É bom não esquecer que a união tem como objectivo principal a paz no espaço europeu.

 

Se a Grécia sair da UE também é bom para nós, apesar de inicialmente perdermos algum dinheiro.

Talvez que com os líderes que os gregos agora têm (não corruptos e sem medo de grandes lobistas corporativos subornadores), possam pôr as contas em dia muito mais depressa que no contexto da UE: podem negociar com o FMI e a UE mas já sem terem que aceitar ordens políticas de desmantelamento geral da economia. Iam ter com os chineses, os russos e os turcos [e outros]. Voltavam ao dracma que valeria quase nada o que seria bom para a exportação, turismo e, enfim, para a economia. Punham o turismo, as indústrias mercantes e outras a funcionar e em uns 5 ou 10 anos estavam back in business... porque o que lhes querem propôr é uma escravidão muito maior que é lutar e passar dificuldades mais umas dezenas de anos sem perspectivas de paridade, sempre como inferiores pedintes... [os credores aumentavam os juros? Eles estão com os juros a 20%!!! ].

 

Isto seria um grande precedente de como lidar com as políticas imperialistas alemãs e nórdicas que os poria num lugar muito mais cauteloso que aquele em que estão agora e que é de uma arrogância muito nefasta e perigosa para todo o projecto europeu... o que seria bom para nós...

 

O único cenário mau para nós é a Alemanha (juntamente com os seus parceiros interesseiros) conseguir quebrar a espinha aos gregos. Os países do Sul agem amedrontados com os do Norte e é a economia que paga essa falta de coragem política na mesa das negociações: que raio de benefícios é que isso lhes poderá alguma vez trazer???

 

Mas quem é que honestamente pode ainda defender que estas políticas de austeridade radical que levaram ao desemprego em massa, à miséria, à fuga de jovens que tanta falta fazem, estão bem e são a solução para os países do Sul alcançarem autonomia económica e política?? 

Como é que se pode dizer, como disseram há uns dias os do Eurocamartelo que Portugal está no bom caminho mas precisa de continuar as reformas, isto é, despedir mais pessoas, cortar salários e baixar o salário mínimo!!??

Quem ouve estas coisas e engole e cala merece tudo o que lhe acontece.

 

 

publicado às 17:45


14 comentários

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De Anónimo a 18.02.2015 às 14:13

Na sua "teoria", há algumas opiniões que não estão correctas.
Voltar ao dracma seria desastroso para a Grécia em inúmeras maneiras, a mais simples de se perceber é a dívida está em euros, para que a Grécia a consiga pagar em dracmas vai ter que imprimir moeda desmesuradamente a inflação vai disparar para % que já não se vêem na Europa há décadas, o que aumenta a dívida real.
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De beatriz j a a 18.02.2015 às 14:17

Calculo que sim mas é preferível lutar e fazer sacrifícios com a esperança de sair da crise, mesmo que leve mais 10 anos, do que fazer os mesmos sacrifícios com a desesperança de nunca sair do posto de soldado raso às ordens de comandos e interesses estrangeiros...
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De Anónimo a 18.02.2015 às 14:34

É muito fácil não ter que estar sujeito às ordens de comandos de CREDORES (e não de interesses estrangeiros). É não ter dívida! Caso contrário teremos sempre que estar sujeitos ao que os credores pretendem, podemos ver isso nas nossas vidas pessoais. Um Estado não devia ser muito diferente há quantos anos não temos superavit? Alguém em Portugal se lembra o que é isso?!?!
E não concordo minimamente que tenha que ser o Estado a criar postos de trabalho, o que foi feito até agora terá que ser desfeito. O Estado foi criado para servir os cidadãos e para criar condições para que quem queira criar valor prolifere. Algo que já há umas boas décadas os partidos esqueceram.
É evidente que o Estado tem que despedir para mitigar a lacuna que foi criando. Agora esses desempregados têm que ser absorvidos pelo privado. E aí concordo, esta parte está em falta.
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De beatriz j a a 18.02.2015 às 14:50

A maioria dos credores são os países que comandam. Não sou especialista em economia mas não me parece que se possa comparar a economia caseira à economia de um país. Um país se quer investir e dinamizar a economia precisa de se endividar alguma coisa a não ser que tenha colónias para explorar... neste momento as colónias somos nós, os PIGS...
Se é certo que os países, na pessoa dos seus bancos, políticos e satélites gastaram demais durante muito tempo isso também se deve a terem sido induzidos a essa dependência de não produzir e ter que comprar aos países credores.
Parece-me que devem ter hipótese de equilibrarem as suas finanças sem terem que se submeter a uma espécie de escravatura onde interesses estrangeiros forçam a economia a encolher 25% e os países a empobreceram à sua medida.
Também estou de acordo que o Estado não tem como missão ser O criador de empregos mas convém que seja competente para não destruir o emprego. E cabe-lhe a ele manter serviços públicos essenciais de qualidade o que não se compagina com despedir às dezenas de milhares e depois ir contratar consultores e advogados pelo preço que custavam os empregos.
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De Anónimo a 18.02.2015 às 16:20

Comparar a nossa economia a uma economia caseira é puramente ilustrativo. O que deve reter é que as dívidas têm que ser pagas. E para isso é preciso que haja anos de deficit e de superavit que contrabalancem. Sabe há quantos anos sucessivos é que isso não acontece?
Quanto ao tema dos advogados e consultores estou absolutamente de acordo consigo.
Quando se fala de serviços públicos de qualidade, infelizmente verificamos que o estado não é eficiente para gerir muitos dos nossos serviços públicos. E na minha opinião (que vale o que vale), preferia pagar seguros (para poder escolher onde queria ser tratado), fazer a minha reforma da maneira que quisesse (embora tendo obrigatoriedade de a fazer) e pagar a minha educação numa instituição à minha escolha. Reduzir assim o valor astronómico que nos é descontado para impostos para pagar todos esses serviços.
O estado era assim reduzido para 1/4 se tanto, e tendo muito menos pessoas era mais fácil controlar a corrupção.
Uma coisa lhe garanto, grande parte dos parasitas que temos no nosso país desapareceriam, pois para ter benesses tinham que trabalhar para as obter.
Só imigrava para cá quem tivesse interesse em trabalhar e gerar riqueza.
Nos EUA, o sonho americano perdeu-se quando começaram a batalhar com o social.
Infelizmente isto é só uma Utopia!

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De beatriz j a a 18.02.2015 às 18:15

Caro Anónimo, concordo consigo em algumas coisas, outras não. O Estado não é competente para gerir os serviços públicos porque estão politizados: em vez de escolherem os mais competentes fazem ajustes directos aos amigos e pagam os favores aos companheiros de partido. De resto, como se viu pelo BES, mas se pode alargar a muitos outros, as grandes empresas particulares vivem das subvenções e 'ajudas' do Estado e é só com essas benesses que têm lucros.
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De Anónimo a 19.02.2015 às 09:07

Se reparar no que diz, tudo se iria resolver com o Estado mais pequeno e com menos orçamento para esbanjar (como sugeri no meu comentário anterior).
Tendo menos pessoas no Estado, menos são os amigos a ajudar e mais depressa se descobrem actos de corrupção e benefícios.
Além do mais com o orçamento reduzido, o efeito redistributivo era mitigado, as empresas não podiam ficar à espera de benesses do Estado para laborarem.
Quanto ao caso BES não é tão linear, e atenção que o problema nunca foi o BES, mas sim o GES. Neste momento penso que o BES podia continuar se o separassem do Grupo Espirito Santo. Se o BES não funcionasse hoje não teríamos o Novo Banco.
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De beatriz j a a 19.02.2015 às 15:50

Sim, mas tudo o que diz necessita de tempo para ser alcançado e de políticos que não se dobrem a interesses particulares e a 'ajuda' à Grécia nunca se incomodou em injectar dinheiro a governos despesistas desde que os gregos aceitassem uma austeridade brutal, o desmantelamento da economia e o empobrecimento geral, sem possibilidade de recuperação nas próximas dezenas de anos. Que é o que nos vai acontecer a nós que estamos a pagar empréstimos antes de tempo à custa de termos um desemprego brutal, impostos brutais, a educação e a saúde na miséria e termos que ter 'cedido' uma geração de jovens a países como Alemanha, Inglaterra, Canadá, Holanda que se servem deles como mão de obra barata. E a nossa dívida não diminuiu! Para quê então estes sacrifícios todos? Quem beneficiou com eles? A Alemanha e outros países do Norte. Nós estamos mais endividados ainda e continuaremos a ser servos neste império com capital na Alemanha porque nem cem anos chegarão para termos uma economia saudável. Estamos numa guerra pelo poder e os países que comandam não deixarão nunca que os outros cresçam ao ponto de os incomodarem. Temos que abandonar o papel de pedintes e vestir o papel de parceiros, que é isso que somos. E é isso que a Grécia está a tentar fazer: voltar a pôr a UE no rumo do qual se desviou bastante. A UE é uma união de países parceiros não um sistema feudal.
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De manuel a 18.02.2015 às 14:47

se os países do sul querem ser igual aos do norte e fácil trabalhem . sejam como as formigas e não como a cigarra.
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De beatriz j a a 18.02.2015 às 14:52

Está a dizer que os milhões de portugueses trabalhadores são todos uns calões irresponsáveis e que os milhões trabalhadores dos países do norte são todos excelentes e responsáveis...? Acredita mesmo nisso?
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De Anónimo a 18.02.2015 às 16:03

Brilhante conclusão!!! Até dói ler comentários na net!!! A net é a coisa mais democrática: qualquer burro zurra!!!
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De jose a 18.02.2015 às 16:04

A Alemanha e os paises nordicos tem sucesso pela organização dos povos que votaram em politicos organizados.
A suiça que é muitas vezes dada como exemplo tem salarios contidos e uma reforma publica com teto maximo independentemente dos descontos feitos.
A industria não foi esquecida nesses paises, o que não aconteceu em portugal onde todos estudaram para não serem operarios de fabrica, onde existe excesso de pessoal a exercer funções das 9 as 5 Portugal pais de serviços que pouco ou nada cria, e que tem a sua misera industria não mão do know hoe allemão.
Bosch braga leica e continental Famalicão Autoeuropa etc...Sim em portugal quiseram ser doutores ganhar muito e nada produzir, agora sujeitam-se a uma emigração com canudo, porque o trabalho manual sempre foi mal visto.
Um tecnico numa empresa ganha mais do que um professornuma escola ou enfermeiro no hospital, aqui seria impossivel mas la fora é realidade.
todos puxam dos galões licenciatura mestrado douturamento por graduação MBA etc...
Mas na pratica não passam de uns administrativos que tomam decisões e nada criam nada inventam.
A Europa fala em relançar a industria, temos a maoir zona maritma de europa para não dizer do mundo e nem sabemos como vigiar e explorar a mesma.
Somos um país de Opinion Maker's digo em inglês porque assim o meu discurso aprece intelectual e cheio de sabedoria. Sou representante de portugal la fora prefiro falar um inglês fraco Very bad do que um português são os tradutores estão para traduzir. Vejam os alemães os franceses la fora defendem a lingua deles.
Temos opinião sobre tudo, mas experiencia em nada, não criamos simplesmente porque temos a cabeça cheia de teoria e não temos nenhuma pratica.
Criticamos aqueles que nos emprestaram quando temos de pagar, criticamos os povos que foram inteligentes o suficiente para se organizarem de forma a gastar o que ganham e não mais.
Criticamos os alemães por terem produtos de alta qualidade e de alta tecnicicidade , pois isso sabemos o que é porque o sonho da viatura alemã na garagem está nos sonhos.
Temos muito dinheiro mas ninguem investe em capital risco para ajudar alguem que tem ideia projeto e produto e depois ficamos felizes por haver licenciados a trabalhar em projetos de alta importancia numa empresa alemã ou americana ou mesmo britanica.
Nunca aproveitamos as nossas materias primas, areas maritimas, capacidade industrial, a nossa tecnologia resume-se ao calçado e confeções, o que nos leva a revolução industrial do seculo 18 enquanto ja entramos no seculo 21.

A Europa é a nossa sorte e os alemães serão os nossos instrutores porque temos muito a aprender dos nossos parceiros dos quais estamos dependentes tal como um toxicodependente esta da sua dose diària. è triste infeliz mas verdade porque a realidade não engana e só não vê quem não quer ver.
O caminho que ser a seguido será mesmo que hajam comentarios e opiniões contrarias sem alternativas crediveis e economicamente viaveis.
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De beatriz j a a 18.02.2015 às 18:18

Caro José, o que me parece é que o senhor mistura alhos e bugalhos e repete alguns slogans que não têm dados que os sustentem como esse de termos perdido as indústrias e o saber-fazer por causa de querermos todos ser doutores.

De Anónimo a 19.02.2015 às 03:49

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