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Note to myself

por beatriz j a, em 08.10.19

 

A tranquilidade não é ausência de paixão nem distância que isso é alienação, incapacidade de lidar com o sofrimento que vem muitas vezes com a entrega, a exposição, a partilha, o envolvimento, o risco de estar presente e deixar-se ver, como se é.

A meditação como isolamento do mundo é uma droga de alienação. O silêncio há-de ser um estado de espírito de aceitação, não do mundo como é porque ele não é bom mas das nossas limitações em transformá-lo e transformarmo-nos para melhor. Há muitas maneiras de transformar o mundo para melhor: plantar árvores, ajudar os outros, inventar uma técnica... todas elas implicam presença, atenção, partilha, risco, exposição.

Presença significa, 'estar ali ao alcance da mão', 'ser visível' e ocupar um certo espaço que nos rodeia. É o contrário de ausente que significa, 'não estar, não ser, não-existir'. 

A virtude está na presença e não na ausência.

É preferível tentar e fracassar, do que não tentar; é preferível expôr-se e fracassar do que fechar-se. Pior é querer e não ser capaz. Sócrates, no fim da vida, era um homem tranquilo, não por ter conseguido isolar-se das frustrações, injustiças, humilhações e enganos, pelo contrário, mas por saber que tinha tentado melhorar os outros e a si próprio. 'Melhor sofer uma injustiça que cometê-la',  dizia, pois se a cometemos, juntamos ao mal que fizémos o termos de viver connosco próprios sabendo-nos injustos.

De modo que é melhor arriscar a tempestade que esconder-se e nunca ver o mar.

 

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publicado às 04:57



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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