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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Mas, afinal, onde é que está a grave infracção política ou ética? Será que, de repente, um ministro já não pode ser convidado ou solicitar um lugar de acordo com a natureza do cargo e a segurança ajustada ao mesmo?
O ministro não foi convidado nem estava em funções públicas, muito menos o filho. O ministro pediu que lhe dessem lugares para si e para o filho (hoje para o filho, amanhã para toda a família e amigos) em lugar onde só deve sentar-se quando está em representação, sendo que o filho não representa, nunca, ninguém. Logo, deve pagar os seus bilhetes e os da sua família. O Benfica, como outros clubes de futebol, recebem dinheiro do Estado, logo, dos cidadãos. No que me diz respeito, eu, que me privo de eventos culturais porque tenho o salário de 2009 (porque o ministro Centeno diz que os professores não merecem ser pagos e ter carreira) num mundo de preços de 2018, não quero ter que pagar os bilhetes da bola ao ministro Centeno nem a outros ministros e suas famílias. Estas pessoas legislam contra os portugueses e não percebem o custo das coisas por estes hábitos de viverem à pala dos cidadãos e acharem normal que lhes paguemos todos os gostos da sua vida privada. Almoços, jantares, carro, gasolina, idas à bola, ao concerto, ao diabo a nove. Mandam vir os bilhetes que o povo paga. Não quero, nem acho que tenha que pagar a vida privada dos outros. E sim, acho que o ministro ficou condicionado. Fizeram-lhe um favor, podem pedir-lhe um favor. No mínimo passaram a ter acesso directo, privilegiado, ao ministro das finanças com tudo o que isso implica. Como vivemos num país que todos os dias tem escândalos de corrupção, peculato, tráfico de influências, abuso de poder, enfiar toda a família em cargos públicos, substituir os competentes pelos amigos, mesmo que incompetentes, a acção do ministro conta como mais um abusozinho. É pequenino mas o princípio é o mesmo: sou ministro, mando pedir o que me apetecer para mim e para a minha família que me aparece logo à porta. É mais um para quem a noção de serviço é servir-se. Quer ir à bola com a família, vá à sua custa e não à minha. Mas percebemos que outros políticos não achem mal nenhum nestas coisas. Afinal, também já estiveram nos cargos e acham isto tudo natural.
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