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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Não é que não soubéssemos isto mas o relatório torna-o oficial, por assim dizer. Esta já não é a Europa idealizada no fim da Segunda Grande Guerra. Esta é a Europa do lucro a qualquer preço, muito parecida à imediatamente anterior à Primeira Grande Guerra mas, um bocadinho mais cínica.
Europa: Direitos humanos atravessam 'crise sem precedentes
Os direitos humanos, a democracia e o Estado de direito atravessam hoje, na Europa, uma "crise sem precedentes desde o fim da Guerra Fria", conclui-se num relatório divulgado hoje pelo Conselho da Europa.
No documento, o secretário-geral da organização pan-europeia de defesa dos direitos humanos, Thorbjorn Jagland, alerta para um "aumento dos casos graves de violação dos direitos humanos (corrupção, impunidade, racismo, discursos de ódio e discriminação) em todo o continente ".
"Os direitos da pessoa humana estão igualmente ameaçados pelas repercussões da crise económica e por desigualdades crescentes", avisa Jagland, que apela aos 47 Estados-membros do Conselho da Europa a "agir o mais depressa possível para conter esta erosão dos direitos fundamentais ".
Jagland refere, por exemplo, a situação na Ucrânia, onde a ausência de um poder judiciário independente nos últimos anos criou "um terreno propício à corrupção e aos abusos de poder", o que levou à revolução.
Entre os problemas mais recorrentes, o relatório cita as discriminações contra as minorias étnicas em 39 dos 47 Estados-membros do Conselho da Europa, as condições de detenção, nomeadamente a sobrelotação prisional, em 30 Estados e a corrupção em 26 Estados.
Cerca de 20 países registam ainda falhas nos direitos reconhecidos aos demandantes de asilo e aos migrantes, enquanto oito Estados não respeitam a liberdade de expressão e dos media, acrescenta o mesmo documento.
Os Estados faltosos referidos não são identificados no relatório, tendo o Conselho da Europa transmitido confidencialmente a cada um deles os problemas identificados, a fim de melhorar a situação de forma construtiva, disse à AFP o porta-voz de Jagland, Daniel Höltgen.
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