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Escola inimiga da família

A variável determinante são as características de cada um: o desempenho escolar é pré-escolar, nasce com eles. (...) A escola é um pormenor: estes miúdos [os bons alunos] são bons alunos em qualquer parte do mundo e apesar de qualquer escola, ministro ou professor.

(...) O nosso sistema não sabe transformar um mau aluno num aluno médio e um aluno médio num bom aluno. Não tem tempo, não tem pedagogia, está soterrada em burocracia, está refém dos maus professores - é irrelevante os professores serem bons ou maus -, vive no sobressalto com as alterações nos currículos, metas e manuais.

 

Segundo esta mãe de família os bons alunos são-no por questões genéticas e os professores não têm nenhuma influência na sua progressão. Já os maus alunos ou médios dependem dos professores para progredir só que os professores são péssimos e as escolas também. Portanto, os maus e médios alunos não têm genes? As suas fracas capacidades, para usar o ponto de vista desta mãe que atribui aos genes as boas capacidades dos bons alunos, não têm origem genética e não são, como os dos bons alunos, indiferentes à qualidade dos professores? Se não podemos influenciar um bom aluno porque são os genes que o fazem ser bom como podemos influenciar um mau aluno se os seus genes o fazem ser mau(?), para usar o argumento desta mãe. Quer dizer que há seres humanos cujos genes são independentes de influências exteriores e seres humanos cujos genes são dependentes de influências exteriores?

 

O resultado é que hoje a escola é um dos principais senão o principal fator desestabilizador das famílias: um miúdo considerado mau aluno pela escola corre o risco de ser considerado mau filho pelos pais.

A culpa também é nossa, dos pais? Seria, se não fosse obrigação da escola adaptar-se à realidade das famílias em vez de serem as famílias a terem a obrigação de se ajustar à esquizofrenia do nosso sistema educativo.

 

Esta mãe acha que os pais que consideram os filhos maus por terem maus resultados na escola não têm que mudar a sua perspectiva, acha que os professores é que devem dar boas notas a todos, mesmo aos que não trabalham e nada fazem, para que os pais não tenham esse esforço de gostar dos filhos e apreciá-los enquanto seres humanos, apesar de terem maus resultados escolares.

E naturalmente os pais não têm culpa porque a escola é que tem que adaptar-se às famílias. Deixa ver, se a família tem pais alcoólicos a escola deve promover a ingestão de álcool; se há violência física e verbal nas famílias a escola deve adaptar-se e treinar os alunos para a violência física e verbal; se os pais são preguiçosos, não vão à escola saber dos filhos, não os ajudam em nada, a escola deve promover a preguiça e a falta de responsabilidade nos alunos e por aí fora? 

 

O que parece é que esta mãe teve uma angústia qualquer com as notas de um filho e como pode vociferar a sua fúria nos jornais é o que faz. Os pais de hoje vêm os filhos como clientes de uma empresa -a escola- que deve fazê-los felizes e transformá-los, como que por magia, em Einsteins, mesmo que os pais se demitam da sua obrigação de pais e só façam asneiras que estragam os filhos para o estudo como vemos em centenas de casos.

 

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publicado às 19:59


21 comentários

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De P. P. a 13.05.2018 às 13:53

Excelente chamada de atenção.
Felizmente, já tive a oportunidade de melhorar a perspetiva de tantos alunos, antes considerados suficientes ou maus, passando a bons ou muito bons. Não é qualquer forma de egocentrismo da minha parte, mas a realidade. Também, já sucedeu colhermos bons frutos em função de um CT dedicado. Aliás, por onde tenho passado, para as turmas problemáticas, os professores são escolhidos.
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De beatriz j a a 13.05.2018 às 14:35

Quantas e quantas vezes melhorámos alunos... os saltos de progresso que os miúdos dão do início do ano para o fim... alguns ficam irreconhecíveis e vem esta mãe dizer que somos péssimos e que não somos capazes de fazer nada...
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De P. P. a 13.05.2018 às 13:59

No artigo de opinião é ainda referido que percebe-se quem são os bons alunos logo no pré e 1.ºCEB. Curioso, mas comigo ocorrem sempre mudanças no 5.º ano. Há 20 anos que tal acontece. Assim como há mudanças no secundário, fruto da adolescência.
Não nego a complexidade das matérias, mas a referência à "memória fotográfica" por parte da autora do artigo de opinião... Em matemática, por exemplo, existem períodos em que é preciso ouvir e depois treinar. "Memória visual", penso ser aquilo que quer dizer, aplica-se, por exemplo à legendagem de uma figura, em Ciências naturais, mas estas nem sempre são iguais e tem que haver compreensão para, por exemplo, definir "digestão".
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De beatriz j a a 13.05.2018 às 14:37

A referência à "memória fotográfica" é para nos denegrir, para dar a entender que o ensino é só decoranço e que nós professores não sabemos ensinar de outra maneira.
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De P. P. a 13.05.2018 às 15:03

É triste, muito triste.
Classifiquei o artigo como o pior que li sobre educação neste ano. Pagam a pessoas destas para escrever crónicas?! Por isso não admito, entre outras coisas, a referência à "memória fotográfica". Eu, por exemplo, sempre aprendi filosofia, história da educação, desenvolvimento curricular, etc, etc a discutir os temas em análise, nas aulas. Este é apenas um exemplo para quem defende que só se aprender a memorizar. Claro que também é necessário. Quantos conceitos matemáticos se clarificam apenas, ao realizar exercícios...
É também curioso como no artigo não é feita referência ao papel dos pais. Escusado será dizer que os alunos que são vistos como brilhantes no 1.ºCEB e que depois até baixam comigo, levam a que tenha de conversar muito com os pais. Sou exigente desde cedo, uma vez que os alunos têm que chegar bem preparados ao secundário e fui ensinado a ver a progressão a longo prazo. Com o oposto, quase ainda mais difícil e mais frequente, quantas vezes tenho que pedir aos pais para que confiem em mim e nos filhos pois estes são capazes de muito mais? E são-no.
A sr.ª em causa fala a respeito do ensino com tecnologias. Quantos pais podem permitir que os filhos levem o smartphone ou tablet para a escola, uma vez que esta não tem meios suficientes (há muitas turmas, vários ciclos, vários anos)? Quantos têm tablet se até para mim é um instrumento caro? É tão fácil escrevermos quando fora da realidade, colocando os outros contra a classe docente. Tão fácil que considero tal escrita "suja". Quais os fundamentos? Quais as bases e as provas?
Muito obrigado por trazer este tema para aqui. De nada adianta comentarmos no sítio do artigo pois, dia menos dia, seremos ofendidos por quem se dedica a tal. Aqui, podemos refletir com respeito e verdade!
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De beatriz j a a 13.05.2018 às 15:10

Acho que a mulher está chateada com algum professor que não deu ao filho ou filha as notas que ela queria.

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De P. P. a 13.05.2018 às 15:20

Sem dúvida.
Ou então, o melhor amigo do filho, que até tem baixo rendimento económico, consegue melhores níveis (já passei por isto, como DT e prof de MAT).
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De beatriz j a a 13.05.2018 às 15:46

Seja como for o que este artigo mostra é uma mãe que não está disponível para acompanhar o filho na escola e quer que seja a escola a acompanhá-la a ela. Acho que é uma pessoa a precisar de ajuda.
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De Live and Love a 13.05.2018 às 18:44

Sou professora com muito gosto e orgulho... Já me passaram pelas mãos muitos alunos, bons e maus e nunca desisti de nenhum. Infelizmente, a opinião dessa mãe é o "espelho" daquilo que a escola se está a tornar. Pais que acham que são professores e vêm nos dar lições de moral, ou porque não estão contentes com as notas ou porque acham que o comportamento do aluno é devido à falta de educação dos outros. Sinto como se estivessem a invadir o meu espaço e o meu profissionalismo. Em mais nenhuma profissão se vê tanta gente a opinar sobre como o deveríamos fazer. Entram na escola porque acham que têm direitos, mas esquecem dos deveres como pais e esquecem-se que a escola é uma instituição onde há regras e uma hierarquia. Sinto-me triste, porque não sei onde isto vai parar.
Boa mensagem deste post. Obrigada pela partilha
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De beatriz j a a 13.05.2018 às 20:00

Obrigada pelo comentário. Concordo consigo.
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De P. P. a 14.05.2018 às 22:12

Estando eu de acordo, destaco os seguintes períodos "Em mais nenhuma profissão se vê tanta gente a opinar sobre como o deveríamos fazer. Entram na escola porque acham que têm direitos, mas esquecem dos deveres como pais e esquecem-se que a escola é uma instituição onde há regras e uma hierarquia."
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De Anónimo a 14.05.2018 às 11:59

Acho que o que faz os bons alunos, são os bons professores.
Se tivermos bons profissionais na educaçao escolar, certamente teremos alunos com grande sucesso, independentemente ddos seus genes
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De Pedro a 14.05.2018 às 16:01

Só os professores não fazem milagres, principalmente se forem filhos de familias desajustadas ou com muitas carências materiais (até alimentares às vezes).
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De beatriz j a a 14.05.2018 às 18:25

Exacto. Para haver bons resultados, pelo menos dois dos vértices (pais, alunos, professores) têm que trabalhar bem.
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De beatriz j a a 14.05.2018 às 18:25

Acho que é um trabalho comum. Não são só os professores que fazem os bons alunos. São os professores, os próprios alunos e as famílias. É um esforço comum. Os maus alunos também. Quem os faz são as famílias, os professores e eles próprios, os alunos, estes sobretudo à medida que crescem.
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De P. P. a 14.05.2018 às 22:13

Totalmente de acordo, Beatriz.
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De Anónimo a 14.05.2018 às 19:06

Educar é uma tarefa comum, partilhada, entre a escola e a família (e o sistema!). É, portanto, uma situação complexa. Há várias variáveis em jogo e todas elas influenciam (positiva ou negativamente) este processo.

Cada agente educativo, de facto, deve saber estar no seu lugar e quando as situações se intercetam - quando, e se fôr o caso - ninguém deve "meter a foice em seara alheia" mas sim, procurar-se um consenso, que sabemos que por vezes não é fácil, pois "ninguém quer enterrar o seu machado de guerra".

Muitas vezes, não é fácil colocarmo-nos do outro lado e, desse modo, os problemas vão-se cada vez mais agudizando, pois isto de ser-se reflexivo, tolerante, esbarra com as crenças, motivações e comportamentos estabelecidos/assumidos por cada um.


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De beatriz j a a 14.05.2018 às 20:48

Pois, isso que diz é verdade mas seria de supor que os pais teriam confiança nos professores de que percebem mais de ensino que eles...

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