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Para que servem então, as humanidades, a filosofia, as artes, e a literatura? A verdade é que elas não servem para nada. As Humanidades não nos tornam servos; tornam-nos livres. Livres para pensar na sociedade e para denunciar as iniquidades presentes nela.

 

Precisamos dos saberes que alimentam o espírito, que reivindicam o bem comum da humanidade, o respeito pela pessoa humana, o sentido de responsabilidade social, a solidariedade entre as gerações, a paz. Essa é a ‘inutilidade’ das Humanidades: tornar possível que continuemos a preferir o bom ao útil.

 

Na verdade, a insistência em submeter a educação ao lucro tem graves consequências para uma sociedade democrática: enfraquece a habilidade para criticar a autoridade, diminui a sensibilidade aos marginalizados, às minorias, aos grupos etnicamente diferentes; diminui a capacidade de lidar com a complexidade dos problemas globais… É a perda destas capacidades básicas que põe em risco a saúde das democracias.[2]

 

O mundo do estudante é muito mais do que a sua casa, a sua escola, o seu grupo. Será o mundo global, muito além das fronteiras do seu país. Por isso a educação tem de lhe dar ferramentas que lhe permitam conhecer o outro, e sobretudo pensar acerca do outro. Para viver nessa rede de interdependências globais, é preciso conhecer as línguas e também a história das culturas, a economia global, as principais religiões do mundo – tudo aquilo que constitui o campo das humanidades.

 

Pelo contrário, a educação utilitarista desrespeita o lugar das artes e das humanidades. A implementação de programas de crescimento económico é mais eficaz se não houver quem denuncie a iniquidade; se o cidadão não souber defender-se intelectualmente; se for dócil e submisso. E há uma maneira de produzir gerações submissas: é não lhes dar pensamento crítico, é não as ensinar a exprimir-se, é privá-las da sua própria memória e identidade, impedi-las de conhecerem as suas razões de ser; é suprimir as artes e as humanidades.

 

 

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publicado às 09:48


4 comentários

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De David Marinho a 06.07.2018 às 11:53

Infelizmente caminhamos para uma ditadura auto-sustentada pela falta de vontade de aprender, pela falta de valores e pela fraca disponibilidade para saber mais.
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De beatriz j a a 06.07.2018 às 16:41

Pois é mas o contexto não ajuda a mobilizar, antes pelo contrário.
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De júlio farinha a 06.07.2018 às 23:29

As humanidades são respeitadas em civilizações avançadas. Veja-se a Grécia no período clássico ou Florença que arrastou a Itália para o Renascimento e o Humanismo. Os países, como Portugal, que ainda não atingiram um estádio de desenvolvimento suficiente para proporcionar a satisfação das necessidades básicas à sociedade, não valorizam a componente cultural como os sectores mais avançados desejam. Uma sociedade pobre é, em regra, avessa às humanidades. Mas há países, como os EUA, que não sendo pobres são desiguais em desenvolvimento. A cultura acompanha a riqueza. Há sectores cultos e outros incultos. Estou ciente que a reflexão tem que ser mais sustentada e o ponto de vista que deixo apresenta, vejo, vulnerabilidades.
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De beatriz j a a 07.07.2018 às 04:48

O mundo foi tomado, acho, pelo cientismo, em primeiro lugar e depois pelos economistas e pelas suas visões de progresso meramente mercantilista da sociedade. Tudo tem que ser uma mercância e de preferência imediata.

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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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