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Ida ao médico V

por beatriz j a, em 30.03.15

 

 

 

Pus-me aqui a pensar neste problema de não saber em quem votar nas próximas legislativas e imaginei um cenário metafórico onde os partidos políticos são médicos para ver se o quadro me inspirava alguma luz.

Então imaginei que estou doente, dói-me a perna, por exemplo, e vou ao médico. Vamos lá a ver como me tratavam e em quem posso ter confiança para me resolver o problema.

Se o médico fosse...o ex-BE

 

- B - Bom dia.

- ex-BE nº1 - Bom dia. Então diga lá o que tem?

- B - Bem, caí na rua e na altura não me doeu mas agora acho que tenho aqui qualquer coisa séria na perna.

- ex-BE nº1 - Ah, esta calçada lisboeta é muito bonita mas tem esses perigos.

- B - Por acaso não foi aqui que caí, foi em Setúbal.

- ex-BE nº1 - Setúbal? Como assim? Isso é o quê?

- B - Hã...? É uma cidade, aí a 40 km de Lisboa...

- ex-BE nº1 - Não estou a perceber o conceito...

- B - Qual conceito?

- ex-BE nº1 - Fora de Lisboa...

- B - O quê...??

- ex-BE nº1 - Um momento.

 

[foi à porta e chamou um colega. Aparecerem três. Olhem lá, está aqui uma senhora a dizer que caíu em Setúbal. Algum de vocês conhece Setúbal? 

- ex-BE nº2 - Epah... és parvo? Conhecer não conheço mas sei que aquilo é o far-west, anda tudo armado a assaltar bombas da gasolina - a mulher vem armada? 

- ex-BE nº1 - Sei lá!... ó ex-BE nº3, já ouviste falar disto que ele diz?

- ex-BE nº3 - De Setúbal não, mas sei que há uma margem sul só que ouvi dizer que era um deserto e não uma cobóiada. 

- ex-BE nº4 - Eu já ouvi falar do Porto. Porque é que não ligamos ao capitão Haddock? Ele se calhar tirava-nos deste embaraço.

- ex-BE nº2 - Cala-te, pá, és parvo. Claro que há terras a sul de Lisboa. O filho da minha empregada mora em Ourique e de cada vez que adoece tem que ir ao veterinário porque não têm lá médicos. Acabaram com os centros de saúde e com os médicos.]

 

- B - Não sei se percebem que estou a ouvir a conversa. E não, não venho armada...

-  ex-BE nº1 - Olhe, minha senhora, o caso é o seguinte: nós só temos medicina para os doentes de Lisboa e mesmo assim estamos em fase de orfandade... ninguém sabe já se devemos seguir a cartilha trotskista...

Mas, se tiver um problema de gays, transgénicos, barrigas de aluguer, eutanásia, mau olhado e amor livre... conte connosco, que somos especialistas; de resto, o melhor é ir tratar-se com alguém conheça os organismos alienígenas.

- B - Alienígenas?! 

- ex-BE nº2 - Cala-te, pá, és parvo. A mulher é uma eleitora!

- ex-BE nº1 - Uma eleitora? Ela não vota em Lisboa.

- B - Vou-me embora antes que enlouqueça e junte esse mal ao da perna. 

 

(estes estão riscados da lista)

 

 

publicado às 20:19


4 comentários

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De nuno a 31.03.2015 às 18:20

Olá, como se sente a chocolateira? Bem sei que é um texto fictício, mas esse diálogo poderia mesmo ser real, neste País, em que muitas vezes, os ditos profissionais têm tiradas parvas. Mas também devo dizer que tem jeito para a comédia, apesar de ser um texto sério. Beijos e boas leituras
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De beatriz j a a 31.03.2015 às 20:25

Eu só relato a comédia que é este país e os 'nossos' representantes políticos.
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De nuno a 31.03.2015 às 20:54

Boa noite . E tudo muito bem retratado, por sinal. Gosto dos seus textos. Bom relax. Beijos e bom jantar
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De beatriz j a a 31.03.2015 às 21:51

obrigada :)

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