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Gastos públicos, por aluno, em cada país

por beatriz j a, em 02.12.15

 

 

"The lack of a quality education is the most powerful form of social exclusion", said OECD Secretary-General Angel Gurría launching Education at a Glance 2015

 

Um gráfico vale o que vale, quer dizer, há aqui dados como o PIB per capita que interessava correlacionar com estes números. No entanto, sabendo nós, mais ou menos, o lugar relativo do nosso país e de outros em termos de riqueza, isto diz qualquer coisa a importância que os países dão à educação. Em geral, segundo o relatório, os gastos públicos com a educação têm vindo a baixar desde 2010.

Em Portugal tudo piorou (ver relatório http://bit.ly/1TbO60m  #OECDEAG)... as consequências das políticas ceifeiras do Crato... as turmas a abarrotar de alunos, a diminuição de apoios, de equipas escolares, etc., que foi tanta coisa que nem dá para dizer tudo.

 

 

 

publicado às 13:25


10 comentários

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De Ideias e Baleias a 02.12.2015 às 14:45

Quero começar por dizer duas coisas:
1. Comparar países com base no dinheiro por aluno não é uma métrica adequada. O dinheiro não é o factor que faz a diferença na educação. Poderiam despejar todo o dinheiro do mundo num país que não seria isso que melhoraria o processo educativo (escrevi um pouco sobre isso aqui: ideiasebaleias2.blogs.sapo.pt%2Fbercos-de-ouro-mas-eles-nao-tem-culpa-e-258419)

2. Comparar países com custos de vida muito diferentes é uma forma errada de comparação. 1$ no Luxemburgo não compra o mesmo que 1$ em Portugal ou 1$ em França ou no Quénia.

Analisando este gráfico e combinando-o com conhecimento de cultura de geral, quem mais gastará/investirá mais dinheiro em educação serão os EUA e não os vários países nórdicos. Aliás, nesses países o custo de vida é maior, assim como os vencimentos.

Por exemplo, uma métrica mais fidedigna seria a divisão entre o valor do gráfico e o vencimento mínimo do país (ou até o vencimento médio).

Calculei para 5 países e verifica-se que para estes 5 quem, proporcionalmente gasta mais é Portugal, ou seja, 14.89 vezes o ordenado mínimo (convertido para dólares americanos).

Portugal 7952 534 14,89
França 10450 1414 7,39
Luxemburgo 22545 2033 11,09
EUA 15494 1200 12,91
Suécia 12742 2279 5,59

Nota: os valores foram convertidos para USD e considerei 21000 coroas suecas como ordenado mínimo (21000SEK=2279€).

O importante é como se gasta o dinheiro e não quanto se gasta.

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De beatriz j a a 02.12.2015 às 19:12

O relatório não se reduz a este quadro. Aliás, começo por dizer isso mesmo... era preciso saber o dinheiro que cada país tem para gastar e o custo de vida para perceber o esforço que cada um faz. No entanto, sendo verdade o que diz, o quadro dá para ver alguma coisa. Por exemplo, estamos bastante abaixo do que é o gasto público médio por aluno na OCDE e, apesar disso, continuamos a desinvestir na educação. É claro que para se ter uma visão mais completa e correcta é necessário ler outros dados do relatório que completam estes.
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De Ideias e Baleias a 04.12.2015 às 11:15

Sim, li que refere isso no início e concordo com o que diz no início deste comentário: há outras variáveis a considerar na análise.
Estar abaixo da média da OCDE não me diz nada. Como escrevi, temos de comparar números equivalentes. Até podíamos estar abaixo da média da OCDE e estar bem. Num mundo perfeito poderíamos ser o último país da lista e a qualidade de vida ser 10 vezes superior à actual.

O mais relevante é:
1) verificar a tendência de investimento/desinvestimento ano após ano em Portugal (suponho que esteja a baixa)
2) verificar se o investido é suficiente ou se é possível gastar melhor o dinheiro (no meu entender, seria necessária uma reforma no método de ensino para melhorar o conhecimento dos alunos; essa reforma não está ligada a dinheiro, mas à forma como se funciona)

Muitas vezes consegue-se fazer render mais o mesmo €.
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De beatriz j a a 04.12.2015 às 14:35

Isso do 'O' método de ensino é um mito. Talvez haja métodos de ensino que não são bons mas não há um método de ensino melhor que outros. Os métodos têm a ver com as matérias que se dá e com as pessoas que as dão. Diferentes professores têm estilos diferentes de ensinar com pedagogias que com eles funciona muito bem embora com outros possa não funcionar. Um dos erros que se tem cometido nestes anos todos é o de cada um querer impôr a última moda pedagógica ou o seu método particular de fazer as coisas a todos e de modo uniforme. Isso está em pleno funcionamento nas escolas de modo que de vez em quando acontece terem métodos medíocres e quererem impôr a todos a sua mediocridade.

O dinheiro faz diferença. A minha escola teve obras. Antes das obras estávamos dentro das salas a ouvir tudo o que se passava nas outras aulas e lá fora. Má construção, paredes de papel. Agora quando fechamos a porta não se houve nada e o ganho em concentração e rendimento é enorme. Agora temos 30 e tal alunos dentro das salas e há quem tenha 11 turmas... não são condições que permitam fazer um trabalho minimamente sério... mas poupa-se imenso dinheiro.
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De Ideias e Baleias a 09.12.2015 às 12:41

Não há 1 método, 'O' método. Podem haver vários.

Mas o método clássico, o de hoje, não funciona muito bem. É bom para criar "decoradores" e mestres enciclopédicos que quando chegam à idade da verdade já o conhecimento "decorado" desapareceu.

O dinheiro é útil para dar salas e outras infraestruturas em boas condições e os materiais de ensino básicos. Adquirido isso, entra o método de ensino e as condições emocionais para ensinar, motivar, inspirar e cativar.

Quanto ao número de alunos, turmas e outras situações, isso envolve dinheiro: para obras/manutenção e contratação de professores. Como as contas públicas não são públicas nós não conseguimos ter informação que nos permitam apontar como gerir o dinheiro do Estado e encaixar com as necessidades.

Tenho a teoria de que a contratação de 1 professor adicional - para além do custo com vencimento, SS, IRS e outros - vai colocar dinheiro na economia. Seja a comprar/arrendar casa ou nas despesas que faz (IVA e outros).
Um desempregado não recebe e não gera quase nada, não faz fluir a economia. De forma crua, é um fardo para o Estado ou para a família que sustenta a sua vida. Mas a Troika só olha a números mais ligados a cortes. E os senhores que lá estão são da mesma "família".
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De beatriz j a a 09.12.2015 às 13:10

Mas hoje em dia também não há UM método de ensino. Isso do método clássico não existe. Há vários métodos. Coisas que funcionam com uma turmas não funcionam com outras e nós passamos o tempo a corrigir-nos a nós próprios. Às vezes levamos qualquer coisa preparada para os alunos interagirem e que achamos que os alunos vão gostar e corre mal e no intervalo, antes da aula seguinte, corrigimos as coisas consoante o que vimos não ter funcionado. Um mesmo professor não têm um só método, tem vários, tem várias estratégias e recursos que foi aperfeiçoando com a experiência do feedback dos alunos e as formações.

Não é verdade que todas as aulas sejam treinos de decoranço. Nem nunca foi assim.

É claro que há professores que são assim, obrigam os alunos a decorar os livros para reproduzirem tal qual nos exames mas isso é porque são medíocres e é a maneira de se protegerem. Têm medo de sair do canteiro, não lidam bem com perguntas, com críticas e os seus alunos não aprendem a pensar, aprendem a decorar.

Na realidade a tutela encoraja esse tipo de ensino e as direcções das escolas têm mentalidade formatada pelo poder político, estão lá instaladas há dezenas de anos de modo que já não querem saber e têm as fasquias quase no chão e são veículos ditadores da uniformidade que o MEC praga como se fosse a palavra divina. 90% do que fazem são ordens tipo tropa: agora todos têm que fazer isto assim e agora todos estão proibidos de fazer não sei quê. Vivem para agradar à inspecção para poderem ficar nos cargos de modo que trabalham para produzir papéis e destruir todos os que se atrevem a ser autónomos... Isto foi a Rodrigues que fez... deu cabo das escolas.

Mas muitos mais professores não são nada assim e não se deixam arrebanhar como ovelhas e gostam do que fazem e gostam dos alunos e tentam ser inventivos e motivadores; e os alunos gostam das aulas; do que eles não gostam é de ter que estudar e é claro que ao longo do ano têm altos e baixos e nem sempre estão com vontade de trabalhar.

Por muitos variados ou interessantes que sejam os métodos de ensino, as aulas são trabalho, não são divertimento pessoal. Depois, hoje em dia os alunos têm a noção de que o 11º ou o 12º ano não servem para arranjar um trabalho que lhes dê uma vida digna com alguma folga de modo que aqueles não querem ir para a faculdade não têm motivação para estudar, não têm perspectivas, objectivos... Os pais estão em crise, desorientados e nem sempre os sabem ajudar.

O que quero dizer é que o problema da educação é muito complexo e não se reduz a ter um bom método de ensino ou a outro factor qualquer isolado. São muitas variáveis que funcionam em rede. E as coisas constroem-se com dificuldade e destroem-se facilmente.

Os professores portugueses, no geral, fazem um bom trabalho. Hoje vem no jornal que estamos nos dez primeiros a nível mundial no ensino científico. Agora, a verdade é que os professores fazem um bom trabalho, apesar da tutela e apesar das direcções das escolas e não com a sua ajuda.
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De Ideias e Baleias a 15.12.2015 às 17:39

Concordo no geral com o que escreveu (e não o diria melhor).
O ensino teoricamente deveria ser adaptado a cada aluno. Cada um é diferente e aprende de maneira diferente. Mas o ensino é igual para todos.
Talvez daqui a algum tempo se entenda o método mais comum deve ser adaptado para criar pensadores em vez de decoradores.

O seu comentário, só por si, dava um excelente post.
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De beatriz j a a 15.12.2015 às 20:04

Obrigada :)

Não acho que haja assim tantas maneiras de aprender. A maioria dos alunos aprende com os mesmos métodos e só há umas franjas de alunos que são completamente diferentes a pensar, a organizar a mente e a aprender. Aliás, os alunos aprendem melhor em grupo do que sozinhos ou em grupelhos de 5 e 6 porque uns puxam os outros e o grupo cria uma dinâmica que alunos sozinhos não conseguem forjar.
O que dificulta é que cada um chega à mesma aula com uma maturação diferente, com interesses diferentes, problemas diferentes, etc. que custam a harmonizar em pouco tempo, se as turmas são grandes e o programa é extenso, etc.
Uma das maneiras de lidar com isso é diversificar as avaliações mas, lá está, eu faço isso porque não tenho um programa rígido, quilométrico com exame obrigatório, porque se tivesse, era mais difícil fazer. E faço muita coisa à mão, como a ponderação de notas, para me obrigar a pensar em cada aluno e nas dificuldades de cada um vez de usar grelhas de excel para tudo. Mas lá está, se tivesse 11 turmas como tem uma colega da escola, ou mesmo 7 não podia fazer isso...
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De cheia a 02.12.2015 às 19:12

Temos de nos bater por um ensino publico excelente, porque só na escola pública cabem todos. Por isso, o dinheiro dos contribuintes não deve sustentar o ensino privado . Quanto aos resultados, dos poucos anos em que foi dada alguma atenção à educação, são bons, mas, depois tudo descarrilhou.
Assim, pais, professores e Governos devem dar toda a atenção à qualificação de todos, porque essa é a nossa maior riqueza.
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De beatriz j a a 02.12.2015 às 19:35

As estruturas das escolas precisam de uma grande volta... cada governo que vem estraga um pouco mais do que estava bem e implementa erros piores que os anteriores. Faz-se e desfaz-se e não se corrige o que é preciso porque as escolas são lugares politicamente instrumentalizados. São um espelho do país...

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