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Filmes - Den Skyldige

por beatriz j a, em 30.12.18

 

Hoje é dia de filmes. 

Den Skyldige, que se traduz por, «O Culpado» é um filme muito bom em vários sentidos.

Passa-se em duas pequenas salas de atendimento de telefonemas de emergência da polícia com meia dúzia de pessoas, algumas que nunca vemos pois estão do outro lado do telefone, outras que são os colegas de trabalho do polícia, actor principal, mas que pouco falam de modo que o filme é o polícia e uns telefonemas, sobretudo um, de uma mulher que foi raptada.

 

Quase todo o filme são grandes planos da cara do polícia o que tem como efeito uma imediata intimidade com aquele homem, o seu pensamento e as suas emoções. O filme tem um efeito de suspense que nos prende a partir destes pouquíssimos elementos extraordinariamente bem explorados num diálogo muito bom e numa filmagem ainda melhor.

 

Este é um polícia sobre quem pende uma investigação com audiência em tribunal marcada para o dia seguinte ao do drama do filme que ocorre durante uma tarde e uma noite do trabalho em que o puseram enquanto aguarda o fim da investigação. Não digo mais para não estragar a experiência a quem o for ver.

 

Só digo que o filme faz lembrar a «Janela Indiscreta» de Hitchcock neste sentido em que a partir de uma sala e uma pessoa e sem bangs e efeitos especiais, só com o trabalho da câmara e do actor, se constrói um filme que nos prende, provoca a imaginação e o pensamento e, isso, é algo que já não via há muito, muito tempo. 

 

Como qualquer bom filme, pode ter muitas leituras: sobre a culpa, o bem e o mal, o que parece e nem sempre é, a raíz profunda e turva dos heroísmos, a complexidade do ser humano, a necessidade de redenção, o ponto de ruptura das pessoas...

No entanto, para mim este é um filme sobre como as pessoas afectam as outras pessoas, nomeadamente a constatação de que, quando saímos das relações superficiais do quotidiano e nos conectamos, realmente, a uma outra pessoa, enquanto pessoa e não enquanto categoria (colega, vizinho, político, polícia, comerciante, etc.), não é possível não nos 'co-movermos'. Há uma perturbação emocional mútua que gera um 'mover-se com' a outra pessoa, não é possível ficarmos imperturbáveis, iguais e, não controlamos onde vamos parar.

 

 

publicado às 14:18


2 comentários

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De fl a 30.12.2018 às 18:49

Boa noite.
Obrigado pela informação. Vou tentar ver ou ler.
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De beatriz j a a 31.12.2018 às 08:33

Depois diga se gostou.

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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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