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Li este artigo acerca da indústria do carvão na Alemanha que chegou a empregar 607.000 trabalhadores e fechou as portas no ano passado sem despedir ninguém. Porquê e como? Isso é que é interessante. Nos anos 50 a Alemanha estava tão determinada a tornar-se uma força para o bem que desenvolveu uma forma distinta de capitalismo, chamado o capitalismo renano, marcado pela aversão ao conflito. Isto significa que os sindicatos trabalham com as direcções das empresas e participam, são consultados, nas grandes decisões de negócios. [chamam a isso, a este tipo de gestão, "Mitbestimmung" - sistema consensual que permite aos trabalhadores terem um papel activo nas decisões de gestão das empresas e que lhes permite ter lugares no conselho fiscal]. Quer dizer, os alemães preferem o consenso e não deixam as situações chegar a conflitos. 

 

É claro que isto implica levar em conta os interesses dos trabalhadores e não vê-los apenas como números que potenciam lucros, mas como pessoas, com direitos.

 

Isto é um exemplo muito interessante que podia ser seguido por governos: em vez de construirem estradas de abuso de poder, sonegação de direitos, ódio, de mau-trato, de depreciação e, consequentemente, conflito, construírem estradas de consenso. 

 

Em Portugal, os últimos governos construiram o seu poder sobre conflitos que os próprios governos iniciaram contra classes inteiras de trabalhadores. Como é sabido até houve ministros que se gabaram de terem destruído irreversivelmente as relações com os trabalhadores, 'perdi os professores mas ganhei os pais'. Mas quem é que pode pensar que a educação ou a saúde ou outra actividade ganha quando se perdem por hostilidade, os seus profissionais?

 

Calculo que as estratégias de hostilizar trabalhadores sejam a pensar na boa produtividade: é evidente que trabalhadores vitímas de abusos, calúnias, injustiças e atiçados uns contra os outros permanentemente em conflito têm maior produtividade e são um sintoma de uma democracia robusta que se quer melhorar a si mesma...

 

How Germany closed its coal industry without sacking a single miner

 

publicado às 06:59


23 comentários

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De Manuela a 16.07.2019 às 11:16

O problema é que, em Portugal, acham que ainda estamos no tempo da revolução industrial (embora não tenhamos indústrias!). Tratam os trabalhadores como números....como se estivessemos num campo de trabalho. Se não serve, vai fora.
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De beatriz j a a 16.07.2019 às 11:18

mas têm orgulho nisso de tratar mal as pessoas e isso é que não percebo

estou de saída para Lisboa. estou numa formação hoje e amanhã sobre filosofia e cinema. espero que seja giro :)
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De Manuela a 16.07.2019 às 11:26

Boa! Filosofia e Cinema dão-se muito bem!
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De Joao Miguel Guterres a 17.07.2019 às 15:42

Não temos industrias? Então não produzimos nada? Não há produtos de Portugal nas nossas lojas?
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De Manuela a 17.07.2019 às 15:50

Praticamente só produzimos calçado...e mesmo esse vai todo para o estrangeiro.
A nossa indústria é residual!
Foi essa uma das condições da nossa adesão à UE....
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De beatriz j a a 17.07.2019 às 15:56

pagaram-nos para destruir a indústria das pescas, para arrancar a vinha, destruir a metalurgia... e o pior foi que nós aceitámos logo de mão estendida...
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De Joao Miguel Guterres a 17.07.2019 às 16:36

Se isso é verdade Portugal é só Guimarães.
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De Anónimo a 17.07.2019 às 13:55

Para completar o quadro poderia colocar o índice de produtividade de um alemão vs um português desde a década de 50. E antes que venha o argumento da praxe...lamento mas não,,,,,não sou empresário, apenas gosto que se mostre todo o cenário e não apenas a parte que fica bem na fotografia.
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De beatriz j a a 17.07.2019 às 14:28

Que tem essa questão a ver com o que é dito no posto? Ou o seu argumento é o de que onde a produtividade é baixa só se pode liderar pela hostilidade e conflito?

Se calhar o índice de produtividade está ligado mais à organização do trabalho nas empresas e estilos de liderança e menos ao número de horas de trabalho.

Mas o ponto deste post era mostrar que se pode liderar positivamente com estratégias de consenso em vez de fomentar conflitos e, podendo fazê-lo é melhor.

Ou quererá dizer que o consenso funciona para os alemães porque são produtivos mas para os portugueses não porque não somos capazes de ser produtivos? Os portugueses na Alemanha são menos produtivos que os outros trabalhadores alemães?
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De Anónimo a 17.07.2019 às 15:32

A diferença de produtividade tem quase exclusivamente a ver com o valor dos bens que se produz. Em média, as empresas alemães produzem bens muito mais valiosos que as empresas portuguesas. Simplificando, o trabalhador português produz rolhas e o alemão produz automóveis. Quando colocam ambos em empresas que produzem bens de valor semelhante, a produtividade do trabalhador português é igual ou melhor à do alemão. A falta de produtividade portuguesa não tem a ver com os trabalhadores e sim com a estrutura das empresas.
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De beatriz j a a 17.07.2019 às 15:45

Ok, então estávamos a dizer a mesma coisa.
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De Manuel da Rocha a 17.07.2019 às 14:44

Uma das coisas que os alemães fazem é que os "sindicatos" sejam grupos de trabalhadores coesos. Na maioria das empresas, o "sindicato" é igual para todos. Assim não há benefícios para uns sem cobrir os outros. E, numa coisa que anda a ser ABUSADA cá em Portugal, lá o "trabalho sindical" são 6 horas por mês e não inclui reuniões com a direcção da empresa (cá em Portugal são 4 dias por mês de faltas pagas a 100%, desde que sejam dirigentes de sindicato, até ao limite de 12 por associação... daqui se percebe porque é que nasceram 415 sindicatos de enfermeiros, a norte do Mondego, nos últimos 12 meses, a maioria com 12 (ou menos) sindicalizados).

Nada de grave, assim que o governo volte para o CDS-PSD (talvez o Aliança e o Chega consigam eleger deputados e juntar-se ao apoio ao governo), que os trabalhadores passam a pagar 50% do rendimento e os empresários 2,5% (0,5% se a ideia do CDS ficar na liderança).
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De beatriz j a a 17.07.2019 às 15:01

Isso é outra questão diferente. Nós tivemos um 25 de Abril que entre todos os benefícios que teve também teve alguns efeitos negativos e um deles foi ter-se aberto, de repente, uma luta pelo poder e, nessa luta, os partidos terem usado todos os recursos, éticos e não éticos, para se alçarem ou manterem no poder. Um dos recursos foi a partidarização sindical com a distribuição de benesses a uns em detrimento de outros. Também, a manipulação de negociações de contratos colectivos de trabalho e de direitos de trabalhadores através da 'compra de sindicatos'. Mais uma vez, não se tem uma visão de conjunto em que uns e outros, quer dizer, os que estão no poder e os que estão em posição de dependência se vêem como partes duma mesma sociedade mas antes como forças em choque e conflito.
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De singularis alentejanus a 17.07.2019 às 15:14

Como se pode chegar ao diálogo com dirigentes sindicais assumidamente comunistas, cuja base ideológica é a ditadura do proletariado?
A Alemanha pós-guerra ficou a saber o que foram dois extremos, o nazismo e o comunismo, logo há que criar, inventar outro tipo de relação entre empregador e empregado, foi o que simplesmente fizeram.
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De beatriz j a a 17.07.2019 às 15:44

talvez, mas o que uns seres humanos fazem, outros podem fazer, não é? ora se isso foi a tragédia do que nos ensinou o nazismo, ficarmos todos a saber o que podemos fazer de mal, este exemplo é o contraposto positivo daquilo que também nós podemos tentar fazer enquanto sociedade, não?
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De Anónimo a 17.07.2019 às 17:56

Falar em holocaustos e mencionar apenas o nazi demonstra mais uma vez uma profunda falta de conhecimento. Sem descrédito do referido e toda a brutalidade que representa, os "irmãos" socialistas conseguiram no mínimo igualar e em muitos casos superar tudo o que de pior se fez contra a humanidade.
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De beatriz j a a 17.07.2019 às 17:58

Portanto, de cada vez que falar num extermínio ou num massacre tenho que mencionar todos os que já existiram no mundo para mostrar que os conheço...?
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De Anónimo a 17.07.2019 às 16:40

Não explicou como foi possível…. !!!
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De beatriz j a a 17.07.2019 às 16:58

é preciso ler o artigo que explica tudo e contextualiza... as minas foram sendo fechadas à vez e progressivamente. Quem queria reforma ofereceu-se-lhes reforma, outros ainda queria trabalhar e eram transferidos para as minas que ainda funcionavam, outros preferiram compensações económicas e foram arranjar outros trabalhos; aos poucos converteram-se as minas em museus e parques educacionais e ficaram outros a trabalhar nesses complexos. Os 5000 mil que sobraram ficaram a trabalhar, uns no sistema do fecho das próprias minas e atribuição de pensões, outros, engenheiros, trabalham na reabilitação paisagística dos locais das minas e em manter bombas a trabalhar para que a contaminação das minas não afecte os lençóis de água das regiões. arranjaram trabalho para todos e reforma para os que quiseram reformar-se.
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De Helder a 17.07.2019 às 17:45

Foi o que entendi também depois de ler a notícia original. Isto de apenas tirar partes que interessam, levam a induzir em erro quem lê...
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De beatriz j a a 17.07.2019 às 17:47

talvez, mas não me apeteceu traduzir aquilo tudo
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De Anónimo a 18.07.2019 às 09:51

Eu não li tudo, mas a diferença principal está no sindicalismo. Enquanto em Portugal os sindicatos lutam para destruir as empresas, na Alemanha cooperam com as Administrações para as valorizar. Assim, criam mais riqueza e ficam todos a ganhar. E, claro, na Alemanha não há PCs e BEs e pessoas a votar neles...
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De beatriz j a a 18.07.2019 às 11:31

o sindicalismo não existe no vazio

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