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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Nessa conferência, o presidente do Conselho Científico do Iave afirmou que o Ministério da Educação (MEC) tem feito “a encomenda dos exames nacionais” com a indicação de que se deve “manter a estabilidade nos resultados” dos alunos “em relação aos anos anteriores, porque socialmente é difícil de explicar que as notas tenham grandes variações”. Isto, que já de si causaria perplexidade, foi acrescido de alguns pormenores sobre como alterar os resultados finais com recurso a pequenos “truques” técnicos. Disse ele: “Hoje temos um historial de cinco mil itens a Português, por exemplo. Se quero que haja notas altas é muito fácil. Pego numa ou em duas perguntas, substituo-as por outras, aparentemente semelhantes, e a minha expectativa em relação aos resultados dá um salto de cinco valores”. Mais adiante disse que “não é segredo para ninguém que as equipas do Iave que realizam os exames fazem uma estimativa de que resultados, em média, cada exame vai ter”. E não só “acertam em 95 % dos casos” como “conseguem fazer um exame para a nota que querem”. Dito assim, é espantoso: se os resultados fossem encomendados para se aproximarem de uma determinada nota, a equipa conseguiria “fabricar” exames à medida. E quando alguém, da assistência, comentou que seria “vão” o esforço de professores e instituições para melhorar os resultados de Física e Química quando estes dependeriam “de uma decisão política”, o presidente do Conselho Científico do Iave respondeu que valia a pena o esforço, até porque “a Sociedade Portuguesa de Física e a Sociedade Portuguesa de Química, com a colaboração do próprio Iave, têm tentado mudar essa situação, mesmo contra os pedidos políticos que têm sido feitos”.
Isto é um enorme escândalo e espero que alguém que tenha autoridade faça alguma coisa.
Então os exames, afinal, não servem para o rigor do ensino e melhoria da aprendizagem dos alunos mas para os políticos terem instrumentos de propaganda que os beneficiem? Se um político quer dizer que os bons resultados na educação se devem à sua pessoa mandar subir as notas dos exames mas se quiser, por exemplo, argumentos para denegrir professores para depois os despedir manda baixar 5 valores nas notas de exame? E o IAVE existe para manipular exames e fabricar notas? Então andamos a trabalhar, nós, professores e alunos, a trabalhar a sério e cheios de pressão às ordens de um Instituto de Avaliação sem profissionalismo, sem seriedade nem honra, sem rigor, sem nada... um conjunto de indivíduos que brincam com o trabalho e o destino dos outros? Pode acontecer o excelente trabalho de professores e alunos parecer um péssimo trabalho devido à intervenção caprichosa do deus ex-machina IAVE...?
Mais vale acabar com os exames... é que, pelo que se vê, é indiferente alunos e professores trabalharem para melhorar se as melhorias dependem do mood do político de serviço e dos funcionários do IAVE, entidade deus ex-machina, que são quem decide, artificialmente [literalmente, recorrendo a artifícios], se os resultados são bons ou maus.
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Adenda - publico o comentário muito pertinente de um leitor
De José Rosa a 17.05.2015 às 11.25
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