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A partidocracia destrói a democracia

Paulo de Morais

Os partidos, que deveriam ser a essência da democracia, estão a aniquilá-la.

Criados para representar as diferentes visões da sociedade, ao serviço do eleitorado, os partidos políticos estão em fase acelerada de degenerescência. São habitados por elites políticas que esqueceram os cidadãos e tudo fazem agora para manter os privilégios de que se foram apropriando. São os principais responsáveis pela abstenção, pelo desinteresse crónico pela política e pela crise da democracia.

Os partidos nem sequer cumprem a Lei, em múltiplos aspectos, o mais escandaloso dos quais é o desrespeito pela legislação de financiamento político. São recorrentemente condenados, multados pelo Tribunal Constitucional; mas sem quaisquer consequências, porque o Estado sempre permite a prescrição, no tempo, das sanções que aplica.

 

Estes partidos garantem ainda, apenas para si próprios, financiamentos de Estado permanentes. Usufruem de subsídios públicos de todo o tipo, com os quais mantêm uma máquina de propaganda, ilegítima fora de períodos eleitorais. Só em Portugal há, em permanência, propaganda partidária nas ruas, uma forma de lavagem cerebral sistemática. Utilizam até o domínio público como propriedade sua: são aos milhares os pequenos cartazes ilegais, degradados, apensos a candeeiros públicos, de propaganda ao Bloco de Esquerda e do Partido Comunista. Este lixo urbano deveria ser removido pelas câmaras; o que não acontece, porque os partidos estão acima da lei.

 

Além de negócios e rendas milionárias, os partidos garantem a sobrevivência económica dos seus apoiantes através da atribuição de muitos milhares de empregos. Usam, para este fim, a Administração Central, as autarquias, as empresas municipais, os institutos públicos. Transformaram-se mesmo na maior agência de emprego do país.

 

Assim, os partidos tudo fazem para manter o status quo: controlam o sistema eleitoral, impedem a apresentação de alternativas, violam leis, utilizam recursos públicos em seu proveito, manipulam a opinião pública, enxameiam as televisões com comentadores facciosos, censuram todo o discurso contraditório. Ameaçados pelo desmoronar das bases democráticas, preferem apelidar de populista qualquer alvo em movimento, do que realmente regenerar a sua missão. Os partidos, que deveriam ser a essência da democracia, estão a aniquilá-la.

 

publicado às 20:50


2 comentários

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De Francisco Seixas da Costa a 18.01.2019 às 20:40

Fico muito grato pela informação de que fui “ex-governante do sector das obras públicas”. Não sabia. Sabia, no entanto, que fui secretário de Estado dos Assuntos Europeus, cargo que deixei em 2001, no exercício do qual nunca tive o mais leve contacto com o setordas obras públicas. 12 anos depois, reformado da função pública, aceitei uma função não-executiva, no meu caso, exclusivamente no âmbito do aconselhamento estratégico externo, essencial para uma empresa que opera de 26 países e que, desde 2013, conta com a minha opinião, com base na experiência internacional obtida em 40 anos de vida diplomática, para fazer as escolhas dos mercados onde deve operar. Em todo o mundo os antigos diplomatas são aproveitados neste tipo de atividades. Cá, pelos vistos, é “pecado”. Tomei nota
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De beatriz j a a 18.01.2019 às 21:25

Embora o texto não seja da minha autoria, uma vez que o publiquei aqui, se há informação errada, peço desculpa.
No entanto, parece-me inegável que em Portugal existe uma grande promiscuidade entre os políticos e as empresas que tutelam e para onde vão depois trabalhar. Acredito que alguns justos paguem pelos muitos pecadores neste assunto, o que aliás torna ainda mais urgente a necessidade de lutar contra o tráfico de influências, a corrupção, etc. Ora, o que se vê não é o esforço de 'limpar' e credibilizar a classe. Pelo contrário, há esforço no sentido de abafar e desvalorizar os casos.
Aqueles que estão ou estiveram em cargos públicos e têm conhecimento e poder para mudar a situação, parece-me que são os que mais deviam fazer para inverter este estado de coisas, assumindo que não fazem parte dos pecadores mas dos justos.
A verdade é que o teor do artigo é correcto no que diz relativamente aos partidos viverem numa bolha de interesses e tentarem a todo o custo tapar os orifícios por onde poderia entrar ar renovado. E isso está a destruir a nossa, ainda jovem, democracia.

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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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