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É isto...

por beatriz j a, em 28.04.17

 

 

Há pouco tempo, num inquérito feito a professores, já não lembro por quem, mas recordo que tinha a ver com a indisciplina nas escolas, os resultados mostraram que a esmagadora maioria dos professores tem como prioridade conseguir que os alunos gostem de si. Para que isso aconteça, têm que não incomodá-los muito, ser porreiraços, compinchas, etc. É claro que sacrificam o interesse dos alunos.

 

Uns fazem-no por ignorância. São aqueles que dizem, 'epá, que interessa, mais trabalho menos trabalho, ou que eles não façam isto ou aquilo ou que tenham cometido fraudes... isto aqui não é a tropa, o que importa é sermos amigos e estarmos bem e sobretudo que eles estejam felizes e tal'. Parece-me isto uma enorme falta de respeito pelos alunos. É não perceber que são pessoas, que têm potencialidades que nunca vão concretizar se não os incomodarmos um bocado de maneira a que eles as descubram e se superem. Estes são geralmente os que enchem a boca com palavras como democracia, igualdade, vão para as manifestações gritar por direitos, etc., mas não percebem que não fazem a sua parte para que os miúdos, de facto, tenham na escola uma oportunidade de superar o mau lugar de partida que a vida lhes reservou. São a maioria, como dizia os resultados do tal inquérito, querem é que os alunos gostem deles. 

 

Depois há os que o fazem por cobardia. São aqueles que dizem, 'epá, lixa-te nisso, ninguém te paga para isso. Já viste as condições em que trabalhamos? Vais arranjar chatices... para quê? Se o indivíduo/a não quer fazer ou quer desistir, deixa-o ir. Cada um sabe de si'. Ora, é evidente que os miúdos, mesmo aos 18 anos, muitas vezes não sabem o que é melhor, querem é o mais fácil ou querem fugir dos problemas. Os cobardes são especialistas em fazer tudo segundo as regras sem fazer nada que incomode alguma vez alguém, pois o seu interesse é estar bem com todos ao mesmo tempo, não ter chatices e manter os privilégios intactos.

 

O problema é que uma pessoa não anda ali só para despejar matéria ou para cumprir calendário e ganhar uma porcaria de salário não é justificação para tudo e mais alguma coisa. Há alunos que precisam mesmo de ser incomodados, precisam de um empurrão para evoluir, sem o qual saem da escola mais ou menos como entraram, com os mesmos problemas e dificuldades. Uma pessoa vai desenvolvendo um trabalho que por um lado constrói confiança mas por outro força a dar o passo em frente. E depois vem alguém e deixa-os fugir.

Dantes, na escola pré-Rodrigues, os professores colaboravam uns com os outros para os alunos superarem dificuldades, mas na escola pós-Rodrigues, isso só existe por acaso, se porventura, num sítio, coincidirem várias pessoas que não tenham uma visão cobarde ou miserabilista dos alunos e da educação. É rara essa coincidência. A colaboração foi substituída pela interferência. Toda a gente vê o seu cargo como uma oportunidade de exercer poder e interferir. Espírito colaborativo e respeito são miragens de outra época. 

O que mais me chateia nisto tudo é ser tão estúpida que me esqueço completamente que estamos na era pós-Rodrigues, que não posso contar que haja respeito, interesse pelos alunos e colaboração generalizados e que é preciso sempre tomar precauções para evitar estragos. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa!

 

 

publicado às 14:40


6 comentários

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De cheia a 28.04.2017 às 22:09

Como é que os pais, governantes, professores não fazem com que a educação seja a principal aposta, para que o país progrida! A profissão de professor é muito exigente, por isso deviam ser muito bem paga, exigindo-se-lhes muita dedicação e empenho, porque formam cidadãos, que necessitam de bons exemplos.
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De beatriz j a a 29.04.2017 às 05:39

Pois, estão sempre a dar como exemplo a Finlândia que é muito exigente na escolha de professores mas esquecem-se que lá os tratam como deve ser. Nós temos muito bons professores mas porque o são por si mesmos, porque tudo na 'carreira' disincentiva.
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De eu a 29.04.2017 às 15:29

"Desincentiva". Peço desculpa, srª.
Eu, às vezes, também me engano.
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De beatriz j a a 29.04.2017 às 16:03

Ah, pois está mal escrito, está.
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De Luna a 30.04.2017 às 15:03

Os professores que me lembro mais não são os "porreiraços" que deixavam fazer tudo nas aulas, mas aqueles que realmente ensinaram alguma coisa e nos mostraram diferentes formas de ver as coisas. Poucos, mas...
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De beatriz j a a 01.05.2017 às 06:21

Eu também. Desses e dos completamente destrambelhados :)

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