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Das profissões que impôem respeito

por beatriz j a, em 16.04.18

 

 

É verdade que todas as profissões têm mérito, se são exercidas com profissionalismo e ética mas nem todas impõem respeito que é uma categoria diferente pertencente à dignidade daquelas cujo efeito transformador nas pessoas é duradoro. Por exemplo, uma cabeleireira consegue pôr-nos mais confiantes e animadas mas o efeito não é duradoro.

Há quatro profissões que se destacam pela diferença real duradora que imprimem na vida das pessoas: a profissão de médico, de professor, de juíz e de político. São profissões de serviço e ajuda aos outros. Mesmo que sejam exercidas por pessoas medianas, em termos técnicos, desde que o façam com sentido ético e espírito de serviço, o seu impacto transformador é sempre positivo. Quando são exercidas por pessoas de qualidade superior, então, afectam-nos de modo indelével. O caso do médico é o mais evidente por ser o mais imediato: uma pessoa que consegue tirar-nos a dor, melhorar a qualidade da vida, aumentar a liberdade e, em último caso, manter-nos a vida.

O impacto do professor é menos visível porque a transformação pela educação requer maturação, logo, tempo, mas um professor, mesmo mediano, impacta positivamente a vida dos alunos: descobre-lhes talentos, dá-lhes ferramentas mentais, abre-lhes horizontes, dá-lhes segurança, etc. Se for um professor excepcional transforma a vida das pessoas no sentido de lhes abrir caminhos que lhes multiplicam as possibilidades, internas e externas. E isso é indelével.

O impacto do juíz é tão grande que sem ele não seria possível termos uma sociedade de leis e estávamos entregues à lei do mais forte.

O impacto do político é brutal porque tem o poder de fazer as coisas acontecerem. Mesmo um político mediano, desde que imbuído de sentido de serviço, tem sempre um impacto positivo na vida das pessoas: melhora-lhes as condições de vida e de bem-estar. Um político excepcional tem um impacto que se prolonga por décadas ou séculos, até.

A questão é a seguinte: sendo o poder transformador destas profissões muito forte, quando são exercidas por pessoas que não têm profissionalismo, não têm espírito de serviço, nem têm sentido ético, são destruidoras de um modo também duradoro. O médico destrói vidas, o professor destrói possibilidades, logo, vidas, o juíz destrói vidas e famílias inteiras e, o político, destrói ainda mais possibilidades, logo, muito mais vidas, uma vez que o seu campo de influência é muito maior.

Ora, eu conheço alguns médicos muito bons (um, pelo menos, de categoria muito superior), que usam todos os seus recursos e conhecimentos para nos ajudar; conheço muitos professores muito bons, tecnicamente e em termos humanos, pessoas com consciência do trabalho que fazem e para quem o fazem. Não conheço muito juízes de modo que não sei dizer o que se passa nessa profissão mas sou capaz de dizer alguns juízes portugueses, italianos, americanos que prestaram enorme serviço aos seus países, com espírito de sacrifício até. Já políticos... não sou capaz de dizer um a não ser dos livros de História e, mesmo assim, não é fácil.

Esse é que é o drama porque são aqueles cuja influência mais se faz sentir. Aliás, depende deles, as outras profissões terem uma dinâmica positiva porque quem manda define as condições e as possibilidades do exercício daquelas profissões.

Um político pode não disparar uma arma contra ninguém mas pode, com as suas políticas, fazer com que as pessoas tenham uma reforma miserável e não tenham dinheiro para ir a um médico ou comprar medicamentos. Logo, condenam as pessoas a uma morte prematura. Ou deixam alargar o fosso entre ricos e pobres por razões de incompetência ou corrupção e condenam gerações de famílias a empobrecer, eles, os filhos e os filhos dos filhos. Roubam-lhes as possibilidades de vida.

É por isso que a profissão de político, merecedora do mais alto respeito, não tem o respeito de ninguém: porque os que a exercem muitíssimo raramente o fazem com profissionalismo, espírito de serviço e sentido ético de modo que a transformam num mero comércio e feira de vaidades cujo impacto negativo na vida das pessoas é indelével.

 

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publicado às 19:11



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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