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É o caso desta comentadora que faz questão de ignorar as denúncias diárias acerca das condições de trabalho nas escolas, acerca dos diplomas asininos desta equipa da educação que aumentam os papéis sem nenhum acréscimo de qualidade para o ensino, acerca da gestão das escolas, da confusão e contradição dos currículos, dos concursos de professores, etc., etc., etc., que se podem ler um pouco pelos jornais, por blogues de professores, por cartas abaixo-assinadas por professores e por aí fora.

 

Ela rala-se tanto com o ensino público que sabe zero acerca do que se passa na educação e reduz os mais de 100 mil professores ao Mário Nogueira. Ora, como não acredito que seja assim tão estúpida, só posso inferir que é mal intencionada ou talvez esteja a escrever para fazer um favor a alguém do governo.

 

Na cabeça destes comentadores, um professor é um padre missionário e, se se preocupa com a educação dos seus alunos, então não pode preocupar-se com questões salariais, esse tema tão pouco espiritual. Já se se preocupa em não chegar à reforma, depois de uma vida de trabalho, a ganhar o salário mínimo, só quer dizer que não quer saber dos alunos.

 

Enfim, segundo esta comentadora os professores, que são, como é sabido, quem decide as políticas do país e os gastos dos milhares de milhões de euros, é que estão a cavar a desigualdade social e tudo porque o Mário Nogueira reivindica que não apaguem quase dez anos de trabalho dos professores.

 

Como se não bastasse a Lurdes Rodrigues ter cavado a sepultura da profissão tão bem cavada que 10 anos depois já não se arranjam professores ao ponto de ter que ir buscar-se os que no ano anterior ainda eram alunos nas escolas -ninguém quer uma profissão mal paga e vilipendiada por estas pessoas de pouca substância-, ainda querem degradá-la mais.

 

Olha, vendo bem, se calhar é mesmo estúpida.

 

O que eu gostava de ouvir sobre o ensino público

Estamos a cavar a desigualdade, perante o silêncio da sociedade e dos próprios agentes do ensino, os professores.

São José Almeida

 

Ora, na permanente, extenuante e barulhenta reivindicação sindical dos professores, a começar pelo discurso do seu líder, Mário Nogueira, a gritaria gira toda em torno de objectivos individualistas de reconhecimento de tempo de serviço e de aumentos salariais. Nem uma palavra se ouve sobre a degradação do ensino público e as suas consequências para a comunidade e para o Portugal futuro. As consequências da degradação do ensino público são larvares, silenciosas, não visíveis imediatamente pelos pais nem pela comunidade. Não há os eventuais mortos nem doentes em estado agravado pela má assistência do SNS. Mas a prazo estamos a formar cidadãos em piores condições de se inserirem e contribuírem para o bem comum da sociedade e para a sua realização pessoal. Estamos a cavar a desigualdade, perante o silêncio da sociedade e dos próprios agentes do ensino, os professores. E é sobre isto que eu gostava de ouvir Mário Nogueira falar.

 

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publicado às 08:42


12 comentários

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De P. P. a 12.01.2019 às 16:02

Como é hábito, uma publicação pertinente e com a verdade.
Por incrível que possa parecer a muitos, a nossa "papelada" tem vindo a aumentar e a nossa intervenção nas políticas educativas é nula. É certo que muitos alimentam os desejos dos diretores, limpando-lhes, com grande insistência e frequência, os sapatos.
Para quando uma mudança curricular?
Para quando uma escola de alunos felizes que conversam e brincam entre si, de forma salutar?
Para quando uma escola na qual os professores têm tempo para produzir novos instrumentos de trabalho, corrigir provas, questões aula, etc, etc?
Para quando uma escola para professores e alunos normais?
A comentadora em causa… Podemos chamá-la "comentadora"? Para mim, uma nulidade. Estúpida.
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De beatriz j a a 12.01.2019 às 16:41

Os alunos gostam de ir para a escola. É lá que têm os amigos. A maioria não gosta é das aulas em geral. Muitas vezes acho que nem são bem as aulas mas o ter que estudar para fazer tarefas.

A escola hoje em dia é só papéis e muitas coisas inúteis.
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De P. P. a 12.01.2019 às 21:54

Com os mais pequenos, notamos que não sabem interagir. No 1.ºCEB, se puderem, durante o intervalo, refugiam-se na sala de aula. Nos seguintes, interagem com "máquinas".
Também penso que os alunos gostam de ir à escola. Quantos deles têm mais laços (e mais fortes) com professores e auxiliares do que com os progenitores? Quantos deles não são despejados e abandonados, de forma subtil, na Escola? Quantos deles só lá encontram afetos?

A dimensão dos currículos é utópica. Absurda. O grau de exigência idem. E as reuniões e papelada que nos são incumbidas, também.
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De beatriz j a a 12.01.2019 às 22:16

Reuniões e papelada que não servem propósito algum a não ser desgastar as pessoas. Este ano, como estou liberta de algumas tarefas não lectivas por causa da doença e dos tratamentos voltei a fazer de professora. Já nem me lembrava de como era ter tempo para preparar aulas, para fazer materiais novos, para estudar...
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De P. P. a 12.01.2019 às 22:42

Acredito!

(espero que a saúde esteja a melhorar!)
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De beatriz j a a 13.01.2019 às 06:28

Acho que sim :)
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De Sarin a 12.01.2019 às 21:42

Reproduzir as palavras de São José Almeida, que não é apenas uma comentadora mas sim uma jornalista do Público, por um lado ajuda a expor a falta de honestidade da mesma - mas apenas os atentos lha notarão...
... e, por outro, leva aos mais incautos ou populistas as palavras fáceis de "a culpa é dos profs e dos sindicatos" - as falávias são sempre mais fáceis de decorar do que de desmontar.

Nunca é fácil medirmos até que ponto devemos publicar a estupidez dos outros :)
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De Sarin a 12.01.2019 às 21:43

Falácias e não falávias...
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De beatriz j a a 12.01.2019 às 22:09

A maioria dos jornalistas hoje em dia não se dá ao trabalho de investigar antes de falar e falam a partir da nesga de realidade que abarcam.
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De Sarin a 12.01.2019 às 22:10

Se nesga abarcada se pode chamar a olhos cerrados.
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De beatriz j a a 12.01.2019 às 22:17

Essa gente vive numa bolha entre escritórios de políticos.

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