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Professora com cancro agredida por alunas na aula

Segundo o JN apurou, a estudante mais velha acabou mesmo por arrancar cabelo da docente, tal a força da agressão, a empurrar-lhe a cabeça contra uma parede. 

O diretor do Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio, João Andrade, confirmou ao JN "o incidente com a professora", mas não avançou as causas.

 

Quais causas? Aqui não há nenhuma relação de causalidade como na lei da gravidade. Não há uma relação de necessidade entre algo que a professora tenha dito ou feito e a aluna agredi-la com violência. E não é um incidente. Um incidente é tropeçar e cair não ser vítima de violência de outras pessoas.

A indisciplina e a violência vão aumentando nas escolas porque aumentando vão o número de alunos por turma, o número de turmas dos professores e o trabalho burocrático, sobretudo no básico. Depois há a gestão das escolas, um exemplo do que não deve ser fazer-se em democracia... um exemplo de falta de competência (porque não é esse o requisito para se estar à frente de uma escola) e de vontade em resolver os problemas reais em vez de trabalhar apenas para os papéis serem lindos e agradarem ao inglês que vê (ou finge ver) a superfície das coisas. Que as coisas estejam a piorar não é nenhum mistério, ainda hão-de piorar mais porque é já evidente que este ministro não veio para resolver os problemas fundamentais das escolas.

Eu responsabilizo a Rodrigues por isto que vemos hoje, pois foi ela que destruiu o ambiente de trabalho e a cooperação dos professores com a sua divisão agressiva (os titulares desapareceram mas, só da lei) e o Crato que nos aumentou os alunos nas turmas e o número de turmas e de horas de trabalho porque... deixa ver... é um ignorante? 

Entretanto os jornais dão as notícias deste modo em que desvalorizam as agressões, chamando 'incidente' com 'causas' a um caso de agressão em que uma aluna arranca os cabelos da professora a bater-lhe com a cabeça contra a parede.

 

(Ando a escrever três diários: um é o diário da minha prática lectiva. As medidas e estratégias, tanto as didácticas como as pedagógicas que sei que funcionam e resultam porque o constato todos os anos com alunos diferentes de turmas diferentes e, as que não resultam e porquê; outro chama-se, 'diário das imoralidades' com um longo preâmbulo contextualizante) 

 

publicado às 04:23


19 comentários

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De Princess Beauty a 19.04.2016 às 08:44

Para mim tudo passa pela educação dada em casa. Hoje em dia, os meninos e meninas ainda são aplaudidos pelos pais por estas atitudes.
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De Anónimo a 19.04.2016 às 09:04

Comentário apagado.
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De Princess Beauty a 19.04.2016 às 09:10

Nunca na minha vida (e eu acabei o ensino à relativamente pouco tempo) pensei em responder mal a um professor, quanto mais agredi-lo, e sempre tive turmas grandes com mais de 30 alunos, por isso para mim é mesmo a falta de educação.
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De beatriz j a a 19.04.2016 às 15:38

Agredir é assim uma coisa que ultrapassa todos os limites mas pelos vistos os casos estão a aumentar.
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De beatriz j a a 19.04.2016 às 15:36

Quanto maiores as turmas mais difícil o controlo.
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De beatriz j a a 19.04.2016 às 15:36

Alguns pais pensam que educar é ser uma espécie de advogados de defesa dos filhos.
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De R. Ribeiro a 19.04.2016 às 10:31

Violência é violência. Os "eufemismos" servem apenas para infantilizar e desculpar comportamentos.
Assim, sem qualquer capacidade de empatia, ou respeito pelo agredido, violenta-se outra vez, desvalorizando o que possa ter sofrido.
E sim, no final a culpa atribui-se sempre à incompetência professor (ou na melhor das hipóteses, a uma fragilidade qualquer como o cancro deste).
É fácil, não é? Lavar as mãozinhas, quero dizer...
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De beatriz j a a 19.04.2016 às 15:41

Também acho que não se vai às causas do problema e por isso ele vai alastrando.
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De Gallis a 19.04.2016 às 10:32

Li o seu artigo no blog. Não discordando de todo, gostaria de referir outro "incidente" a que não foi dado o devido enfoque, e em que o infractor saiu beneficiado: a agressão de que foi vítima uma Professora de um Liceu do Porto, aqui há uns anos, por cause de um telemóvel. Resultado, à aluna foi-lhe permitido mudar de estabelecimento de ensino em vez de ser excluída naquele ano lectivo. Espero que nesta agressão, pelo contornos que teve e tem, não se assista a um "politicamente correcto" do género.
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De beatriz j a a 19.04.2016 às 15:44

Hoje em dia já não há expulsões. O que acontece é andarem a mudar os alunos de escola em escola. Às vezes fazem-se trocas: toma lá este mal comportado e dá-me cá o teu mal comportado e os alunos andam de escola em escola a causar sarilhos por todo o lado que passam. Lembro-me desse caso assim como me lembro do caso do professor de Artes (penso) que se suicidou por causa do bullying duma turma.
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De Ana Rita 🌼 a 19.04.2016 às 10:32

É uma vergonha... as "nossas" crianças hoje são tão protegidas que se sentem no direito de fazer o que bem lhes dá na real gana sem medo de quaisquer consequências. Espero mesmo que estas duas sejam punidas exemplarmente pelos actos que cometeram.
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De beatriz j a a 19.04.2016 às 15:45

Também espero isso.
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De Mafalda a 19.04.2016 às 10:44

E das vezes em que os professores agrediam os alunos? Eu não tenho medo de o afirmar que quando andava na primária fui agredida pela minha professora, algo que escondi dos meus pais. Até um dia contar tudo e o ministério da educação ir à escola avaliar o caso. Quando foi o confronto final entre professora e aluna, eu infelizmente, criança inocente que era, disse tudo ao contrário do que era suposto dizer. E continuei a ser agredida até ao fim da primária, trauma hoje que ainda não consegui superar.
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De dafyh@yahoo.com a 19.04.2016 às 12:56

Coitadinha.
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De Mafalda a 19.04.2016 às 14:31

Coitadinha nada! Nunca fui coitadinha. Fui sim uma pessoa digna de respeito, coisa que muitos como você, anónimo ignorante não tem.
Bloggers e conhecidos meus ajudaram-me, e aplaudiram a minha coragem em contar a minha história, porque nunca devemos esconder o que sofremos, devemos mostrar o exemplo ao mundo, para que os outros possam saber defender-se.

Infelizmente o coitadinho aqui é o senhor (ou senhora, não sei se é macho ou fêmea), porque demonstrou esconder-se atrás de um nome falso para rebaixar uma pessoa que não tem medo de nada.

Arranje uma vida e trate-se!
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De beatriz j a a 19.04.2016 às 15:47

Isso ainda é pior... houve um tempo em que isso era visto com normalidade. Quando andava a estudar na primária a professora batia e dava réguadas a todos, regularmente. Achava-se normal, infelizmente.
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De jj a 19.04.2016 às 12:55

Estes paizinhos que vão a escola defender os meninos não percebem que estão a dar-lhes uma lição errada da vida.
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De Antonio a 19.04.2016 às 14:27

A sociedade no seu todo é hoje muito violenta. É tudo uma questão de educação... e de felicidade. O ser humano sem ferramentas mediante a sua debilidade, fraqueza e frustração não conseguindo encontrar soluções ao encontro dos seus desejos, pode tornar-se violento com ele ou com os outros. Conseguimos observar várias vezes por dia esse facto nas mais diversas ocorrências. Começa a ser uma forma de vida. A violência física, psicológica e verbal, é já quase uma constante, independentemente da classe etária ou social... há que pensar. Infelizmente as preocupações vão na sua maioria ao sistema financeiro descorando o próprio ser humano da sua essência. Esperar para ver? Já vamos vendo. Até onde?
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De beatriz j a a 19.04.2016 às 15:49

É verdade que parte da violência tem que ver com frustração; outra parte vem da educação, acho. Onde se habituam os miúdos a resolver os problemas com recurso à violência eles replicam esse padrão de comportamento.

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