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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Uma coisa é respeitar a diferença. Outra é esbater as diferenças até ao ponto da mais estéril igualdade.
Eu tenho quatro filhos, duas meninas e dois meninos, e um só quarto de brincar. Nesse quarto está tudo misturado e cada um deles brinca com o que lhe apetece. Lamento muito, Fernanda e Catarina: as miúdas preferem mesmo os “brinquedos de menina” e os miúdos os “brinquedos de menino”. Se o Gui agarra numa boneca eu juro que não grito “tira daí a mão, ó maricas!”, e se a Rita pega num carro eu não a informo que automóveis é coisa de macho.
O articulista não precisa gritar com os filhos porque eles não são uma ilha separada da sociedade e a todo o lado que vão e são -McDonald's, infantários, lojas de roupa, parques infantis, conversas que ouvem de adultos, filmes infantis, programas infantis nas TVs, modos de os adultos se classificarem por género, etc.- estão envolvidos pela atmosfera, símbolos e práticas de diferenciação artificial sexista. E absorvem e imitam essas comportamentos, que é o que fazem as crianças.
Uma coisa é respeitar as diferenças, outra é inventar diferenças artificiais e inculcá-las nas crianças e se o articulista não está consciente do papel de modelos que ele e a sociedade exercem no desenvolvimento psicológico dos filhos, coitados dos filhos.
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