Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




 

 

Um colega que fez, com outros, uma visita de estudo fora do país, de vários dias, com alunos de várias turmas do 11º e 12º anos contava-me há tempos que, tendo o grupo chegado, no regresso, às quatro da manhã ao aeroporto, os pais, à medida que iam chegando e recolhendo os filhos, comportaram-se como se os professores não estivessem presentes: nem boa noite, nem obrigada, nem uma pergunta qualquer de circunstância ou cortesia, do género, 'então correu tudo bem'... nada, népias, nicles, niente. Dizia-me ele, 'foi como se fôssemos invisíveis'. Chegavam, levavam os filhos sem se aproximar, sem nos olhar sequer... uma mãe que chegou muito atrasada de modo que já só lá estava o filho mais os professores, que a esperavam, não podendo ignorá-los, disse 'boa noite', agarrou no filho e andor.

Fiquei chocada a ouvir isto. Quer dizer, eu sei que as pessoas não fazem ideia do que é organizar uma visita de estudo de vários dias, fora do país, com actividades a preencher os dias, com intervenções pedagógicas preparadas para cada actividade e tudo pensado para prevenir que alguma coisa possa correr mal, sendo que se corre, mal, a responsabilidade é dos professores. Também não sabem que os professores em visita de estudo não têm direito a subsídio de almoço (o ministério deve achar que não é trabalho) e que muitas vezes têm que repôr as aulas como se não estivessem em trabalho. (É um sacrifício que eu, por exemplo, não faço. Faço visitas de estudo de um dia: ir de manhã, vir à tarde ou à noite. Mesmo assim fico sem o subsídio de refeição desse dia como se não precisasse de comer.) Eu sei que não sabem, nem pensam nisso mas, mesmo assim, acho uma falta de consideração e de educação tremendas. 

De modo que... às vezes os filhos são como são porque os pais são como são.

 

 

publicado às 17:12



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D



Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Edicoespqp.blogs.sapo.pt statistics