Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




 

Estudantes de Coimbra apoiam decisão de eliminar carne de vaca das cantinas

O reitor da Universidade de Coimbra (UC) anunciou na terça-feira que vai eliminar o consumo de carne de vaca nas cantinas universitárias a partir de Janeiro de 2020, por razões ambientais. Segundo o reitor da universidade, Amílcar Falcão, a eliminação do consumo de carne nas cantinas universitárias a partir de Janeiro de 2020 será o primeiro passo para, até 2030, tornar a UC “a primeira universidade portuguesa neutra em carbono”.

 

O que me incomoda nesta medida, da parte de uma Universidade,  é a falta de fundamentação académica para uma medida tão radical. Quero dizer, as Universidades, supostamente, lideram-nos em termos de conhecimentos e inovação de práticas, de modo que a Universidade de Coimbra, ao tomar esta medida, fá-lo também com o intuito de ser um exemplo a seguir. 

 

No entanto, e esse é o problema, leio a notícia e não leio nada que me leve a mudar a minha prática individual: reduzi o consumo de carne a uma vez por semana (geralmente frango) ou uma vez de quinze em quinze dias. Como mais ovos do que comia. No entanto, não vou deixar de comer carne. A minha hemoglobina está sempre no valor mais baixo do intervalo, desde que faço tratamentos e, além disso, preciso de energia porque o meu trabalho requer muita robustez física.

 

Ando pouco de carro e há muito tempo que não ando de avião, que são as práticas mais nocivas ao ambiente e não vejo razão para eliminar completamente a carne de vaca da dieta. Aliás, até tenho receio de o fazer porque não conheço nenhum estudo que mostre que a abstenção total de carne não tem nenhum efeito negativo na saúde e agora não me posso dar ao luxo de fazer experiências radicais com a saúde.

 

O que quero dizer é: se a Universidade tem estudos que  mostrem que a melhor maneira de reduzir as emissões de carbono é a abstenção total de carne de vaca, porque não os citou? Se não tem, baseou esta medida em quê, propriamente? É que impôr a proibição total de consumo de carne com o argumento de reduzir a pegada de carbono é o mesmo que proibir os alunos de tomar banho para reduzir o consumo de água dado as previsões de escassez. Parece-me que deixar totalmente de tomar banho causa prejuízos maiores à saúde do que tomar banho mas encontrar maneiras de fazê-lo gastando menos água. 

 

O que queria dizer é que espero sempre que as Universidades liderem nas práticas sustentadas em melhores conhecimentos das realidades e gostava que esta medida tivesse tido sustentação académica para além da frase, 'vamos reduzir a pegada de carbono', porque há muitas maneiras de o fazer que passam, penso, pela moderação e sustentabilidade e não pela proibição radical, pois por essa ordem de ideias, teríamos que proibir quase tudo o que fazemos, neste mundo dominado pela produção intensiva e e pela tecnologia poluente.

 

Nesta notícia não há nada que me convença que a abstenção radical do consumo de carne de vaca é o melhor caminho a seguir, porque se houvesse seguia-o.

 

Achava mais interessante que em vez de proibir a carne de vaca na cantina a Universidade tivesse reduzido o consumo a uma vez por mês e ao mesmo tempo, por exemplo, fizesse saber que substituia o azeite de cultura intensiva pelo azeite de produção sustentável ou que passava a ter fruta dos produtores locais ou outras medidas mais promotoras da produção sustentável e de rotinas de vida equilibradas, amigas do ambiente.

 

publicado às 07:57


42 comentários

Sem imagem de perfil

De Manuela a 21.09.2019 às 09:31

Concordo plenamente!
Já agora, porque não proibir todos os docentes dessa Universidade de se deslocarem de carro quando lá vão dar aulas? Gostava de os ver a todos a andar a pé....subir até às Faculdades ( que ficam na Alta da cidade) todos os dias havia de ser giro. Isso e os transportes públicos....ainda ontem, estava eu à porta da minha escola e passou uma camioneta da Rodoviária, que faz a ligação entre Belém e a Amadora, a deitar um fumo negro horrível....em Coimbra é o que não deve faltar....
Estou farta de fundamentalistas, sejam eles quem forem!
Imagem de perfil

De beatriz j a a 21.09.2019 às 09:34

Pois, é verdade, nem lembrei disso... gostava de saber quantos deles andam de transportes públicos nessa cidadezinha pequena em vez de chegarem de automóvel à Universidade. E quantos têm carros muito poluentes.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 21.09.2019 às 12:28

" a deitar um fumo negro horrível...." Mas porque é que negro é horrível? Se fosse branco? E louro?
Há palavras a que se fazem associações que dão que pensar. Outro exemplo: encontro muitas vezes sexo e nojento associadas. Porquê?
Sem imagem de perfil

De Manuela a 21.09.2019 às 12:41

Não percebe que, neste contexto, o fumo negro significa que o motor está a poluir o ar?
Se não percebe isto........
Imagem de perfil

De beatriz j a a 21.09.2019 às 12:43

Manuela, acho que tens um fã... 😁
Sem imagem de perfil

De Manuela a 21.09.2019 às 13:25

How cute!😕
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 21.09.2019 às 13:51

"Se não percebe isto........" Percebo que preto é sempre negativo, branco ou louro positivo. Até há quem diga "pintava a cara de preto..." Ter a cara preta é positivo?Temos que rever toda a gramática e criar a novilíngua. E já. A sua Amiga Beatriz já começou, e bem, com o tod@s.
Imagem de perfil

De beatriz j a a 21.09.2019 às 14:07

Obrigada pelo seu comentário. É bem verdade que a minha ignorância não tem limites...
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 24.09.2019 às 11:34

Claro que não percebe e por esta altura é vê-la por essas ruas a procurar um carro que deite fumo branco horrível.
Sem imagem de perfil

De kika a 24.09.2019 às 10:29

🌻 absolutamente de acordo com o seu comentário e com o
post da beatriz.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 21.09.2019 às 12:25

"porque não proibir todos os docentes dessa Universidade de se deslocarem de carro quando lá vão dar aulas? " Eu ac ho que devia proibi-los mesmo de dar aulas. Isso cansa. E pessoa cansada consome mais oxigénio.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 24.09.2019 às 10:11

Mas o homem só eliminou o consumo de carne de vaca nas cantinas, não os proíbe de comer carne de vaca em casa. Mas só comem carne de vaca em todas as refeições?!?! (já agora, eu frequento as cantinas e é raro existir carne de vaca na ementa!)
Sem imagem de perfil

De Susana a 24.09.2019 às 10:18

Concordo com o teu ponto de vista.
E aposto que poucos se preocupam em poupar papel na universidade. E será que ninguém por lá fuma? Nem bebe cerveja em copos de plástico descartável quando vai a festivais e à queima? E será que, nessa cantina, não usam papel nos tabuleiros? Nem a envolver os talheres? Nem plástico a envolver a carcaça? Hum...
E será que servem beringela, alcachofra, almeirão, cogumelos que não de lata, amoras, framboesas, queijo da serra, javali, etc,? Se não servem nada disto, a carne de vaca é apenas mais uma coisa que não servem e não vejo nisso um problema, mas o argumento que usam não me parece nada sólido. Ou será que dizem que é para diminuir a pegada de carbono e é para reduzir o custo da refeição? Assim como assim, as carnes de frango e de porco são mais baratas (e não me parece que sejam produzidas com menos pegada ecológica que a carne de vaca...)
Que, pelo menos, esta decisão sirva para pressionar os produtores a produzir de forma mais sustentável e mais respeitosa para com o bem-estar dos animais.
Sem imagem de perfil

De Makiavel a 24.09.2019 às 11:01

A questão da neutralidade carbónica é uma questão estatística. Se a agro-pecuária produz x kg de emissões de carbono por cada quilo produzido, se uma cantina deixa de comercializar y kilos de carne, conclui-se que contribui com -z de emissões de carbono.

Não é assim tão difícil de perceber.

Usa-se o argumento para criticar, dizendo que essa medida não resolve o problema, elencando todas as outras que ainda falta fazer.Haverá alguma medida que, por si só, resolva o problema?
Imagem de perfil

De beatriz j a a 24.09.2019 às 11:32

Pois, mas a questão é que a questão ambiental não e só a estatística da neutralidade carbónica porque as proibições dão-se num contexto de vida humana que é preciso considerar.
Sem imagem de perfil

De Makiavel a 24.09.2019 às 12:34

Claro que não é. Mas em macroeconomia, é capaz de ajudar.
Ainda não percebi se critica a medida da UC por ser poucochinha ou radical.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 24.09.2019 às 10:51

Cem por cento de acordo com o post.
Egos ou redução de custos...
Sem imagem de perfil

De Makiavel a 24.09.2019 às 10:57

"O que me incomoda nesta medida, da parte de uma Universidade, é a falta de fundamentação académica para uma medida tão radical."

Não me diga que estava à espera de um artigo no New England Journal of Medicine a fundamentar uma simples decisão quanto ao que se serve nas cantinas da Universidade?

Também pertence aos que acham que esta medida não leva a nada e que outras que não foram implementadas (porque de muito mais difícil implementação) é que são as medidas a tomar?

Se acha que banir a carne de vaca da ementa das cantinas é radical, o que dirá de uma proibição de viaturas particulares nos centros a cidade? Dirá que isso é que seria uma boa medida até ao dia em que for implementado e aí dirá que é uma medida radical?

Como se diz na minha terra, todo o tijolo faz parede. Se formos paulatinamente alterando hábitos talvez possamos fazer alguma diferença.
Imagem de perfil

De beatriz j a a 24.09.2019 às 11:30

Não é uma simples decisão e a Universidade quis com esta medida marcar uma posição paradigmática a favor do ambiente. Ora, o que está em causa na questão ambiental, parece-me, para além de grandes medidas que só podem tomar-se a nível governamental como a exploração de minas, etc., é sermos capazes de moderar os nossos hábitos e estilos de vida e alimentação e não acabar com tudo de modo radical. A produção sustentada de vacas, por exemplo, tem efeitos positivos na renovação dos solos agrícolas. E portanto, não me parece um bom exemplo isso de proibir em vez de educar.

Não estou de acordo em acabar com as viaturas a entrar nas cidades porque os transportes são maus e as pessoas que foram atiradas para as periferias com a especulação imobiliária têm que chegar aos empregos, na cidade, sem gastar 3 ou 4 horas diárias em transportes. Mas estou de acordo em, aos poucos, ir melhorando os transportes e ir, ao mesmo tempo, reduzindo o espaço para os carros nas cidades.
Já percebo menos as pessoas que vivem na cidade e usam carro para distâncias curtas, sem necessidade nenhuma, só por preguiça ou comodismo.
É um bocadinho como as dietas: mais de que deixar radicalmente de comer isto ou aquilo, o que importava era mudar os hábitos para o equilíbrio e moderação.
Sem imagem de perfil

De Makiavel a 24.09.2019 às 12:32

A UC apenas retirou a carne de vaca das ementas. É uma medida pro-ambiente que estava ao alcance da UC de implementar e fê-lo. Não vejo nada de radical na medida, não altera radicalmente o estilo de vida dos estudantes da UC.
Mas é típico criticar quem faz algo, por mais simbólico que seja, e vir dizer que as outras medidas é que eram boas.
A mudança de hábitos torna-se mais fácil quando há uns “incentivos”. Assim é com o estacionamento pago nas cidades, com a restrição à circulação em determinados locais, ou com a retirada de carne de vaca da ementa da UC.
Já nem falo nas vantagens em matéria de saúde, em reduzir o consumo de carne de vaca.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 24.09.2019 às 11:20

Ainda falam do mesmo?

À volta da Universidade de Coimbra há vários restaurantes e snack-bars onde se pode comer carne a preços módicos.
Eu deixei de comer carne com 17 anos, tenho quase 50 e ainda cá estou.
Sou contra as proibições, mas acredite que a carne não é essencial à vida.
Imagem de perfil

De beatriz j a a 24.09.2019 às 11:36

Lá por não lhe ter feito mal a si não quer dizer que seja igual para os outros. A questão é que não sei, mas pelos vistos a Universidade também não.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 24.09.2019 às 11:43

Andei na UC, tenho 70 anos, sempre comi carne de vaca e ainda cá estou.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 24.09.2019 às 11:54

Em vez de "eliminar" o consumo de carne de vaca, o planeta deveria eliminar da sua face uns quantos (muitos) bovinos, cuja única ambição é destruir a Terra para seu próprio e único benefício!
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 24.09.2019 às 12:05

Acho uma boa medida da UC, até porque fico com a esperança de que os produtores vejam a comercialização baixar e com isso os preços proibitivos da carne de vaca poderão ficar acessíveis ao mais comum dos mortais.
Haja calma e paciência que ainda vou poder comprar a dita, para encher a barriguinha de carne de vaca, seja cozida, guisada, estufada, grelhada, mas na minha mesa, porque os meninos não podem comer disso. hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 24.09.2019 às 14:36

Perfeito. Não diria melhor.

Comentar post


Pág. 1/3



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D



Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Edicoespqp.blogs.sapo.pt statistics