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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Não estou de acordo com esta ideia segundo a qual a liberdade de um acaba onde começa a do outro porque o que cada um considera o seu espaço de liberdade versus o do outro varia muito. Por exemplo, as religiões têm um perímetro de liberdade muito grande e atribuem aos outros um pequeno espaço e é por isso que umas caricaturas ou um livro a criticar ou fazer humor com os dogmas religiosos é logo declarado como ofensivo do direito a ser religioso.
Há pessoas cujo espaço de liberdade implica restringir ao máximo o dos outros chegando ao ponto de os ostracizar como no bullying.
É justamente por esta linha não ser consensual que não se pode, com o pretexto de ofender um, limitar a liberdade do outro. Portanto, os limites à liberdade de cada um têm que ser objectivos: por exemplo, o incitamento à violência contra os outros, o incitamento ao comportamento de abuso, de discriminação, de calúnia (inventar mentiras sobre os outros) ou de privação de direitos.
Por muito repulsivo que seja ouvirmos um político em lugar de destaque, com peso no destino dos outros, chamar bestas a uma classe profissional, dizer que não merecem ter carreira, que não valem nada ou gozar com o corte de anos de trabalho das pessoas, isso não deve poder ser criminalizado mas apenas castigado nos votos e nas palavras de censura, porque as pessoas são livres de opiniar e até de serem repulsivas nos seus comportamentos. Podemos lamentar, criticar, tentar mudar mas não criminalizar.
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