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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Para lá de toda a disputa política, um mistério que está por descobrir é como é que os emails do embaixador [o embaixador inglês que escreveu os memorandos a dizer mal de Trump] chegaram ao Daily Mail. Na própria notícia em que revela a informação, o jornal reconhece que a fuga «é extremamente incomum e levanta novas questões quanto à moral da função pública».
O pior aspecto de toda esta questão foi a fuga de informação dos memorandos do embaixador inglês. O resto são políticos a aproveitar o momento para se tramarem uns aos outros como é seu costume e prioridade na vida.
A diplomacia não é, como se sabe, a arte da verdade, é antes uma espécie de cavalo de tróia amigável no país do outro. É por isso que a questão do segredo da informação é essencial. Os embaixadores dizem, como devem, exactamente o que pensam do que se passa nos países onde estão, aos seus governos, no pressuposto de que essas informações são secretas mesmo quando os governos mudam ou os embaixadores mudam, pois caso contrário deixavam de dizer a verdade com prejuízo para os seus governos. Para que isso aconteça é necessária uma função pública de grande qualidade que não se coaduna com tarefeiros ou primos nomeados ou prémios a putos serventes do partido que colaram cartazes ou outras coisas do género. Mas está na moda dizer mal da função pública e denegri-la em vez de valorizar o que tem de essencial.
A função pública, e não só na diplomacia, na magistratura como na educação, na saúde ou nas forças de segurança, prestam um serviço essencial aos países que não devia ser posto em causa por partidos políticos para servir interesses clubísticos de curto prazo.
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