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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
A chave para uma uma boa vida deve ser viver nas oportunidades do presente. Não esquecer as lições do passado mas sem viver nele. Não descurar a projeção do futuro mas sem viver nele, pois arrisca-se a passar a vida na antecâmara da vida, por desvalorizar o que está presente e à espera das condições ideais de vida.
Imitando a analogia que Daniel Dennett faz entre a vida da célula e a vida dos seres humanos nalguns aspectos sociais, podemos ver a vida das relações humanas mais fundamentais -a amizade, o amor (seja de que tipo for)- à semelhança do funcionamento da célula. Tal como esta, precisa de uma fonte de energia para o metabolismo, um modo de se reproduzir e uma membrana que sirva de barreira às ameaças exteriores. A fonte de energia vem do afecto que alimenta continuamente o metabolismo (a própria relação), a reprodução que a perpetua vem da constante comunicação, da partilha continuada das experiências, conhecimentos e ideias e, a membrana que a protege das ameaças exteriores, vem da lealdade que mantém o nível de confiança intacto.
Quando os livros se nos fecham deixa de haver lugar para a [nossa] palavra.
Sou as palavras que fazem eco em mim.
Os 'factos' do mundo 'real' só interessam enquanto problema e possibilidade, não enquanto finalidade. Também as pessoas, até certo ponto, como é o caso dos alunos e todos que vejo como educadora, interessam enquanto problemas e possibilidades. Já os outros, que saem fora desse âmbito de educação, interessam como finalidade em si mesmos, independentemente das possibilidades.
Quando as pessoas certas saem da nossa vida coisas erradas acontecem...
As coisas não perdem o encanto. Nós é que deixamos de ouvir a música. Gosto de pensar que a palavra 'encanto' tem origem em 'embalar-se em canto' como acontece com a música que nos embala. As coisas, ou pessoas que nos encantam fazem-nos entrar nesse modo de estar envolto em música. O desencanto não vem das coisas mas da incapacidade própria para ouvir a música.
As pessoas simples desvalorizam tudo. Não veem a diferença entre uma coisa e outra. Tudo lhes passa ao lado. A vida também.
As pessoas que têm medo de tudo acorrentaram-se ao concreto superficial e sacrificaram o melhor de si.
As maiores loucuras que se podem fazer na vida são interiores: mudanças interiores que nos tornam outra pessoa. As outras, as loucuras exteriores, são apenas a consequência lógica das metamorfoses interiores.
Às vezes, na vida, estamos situados num ponto equidistante entre o que sentimos e o que pensamos estando estes dois em posições opostas contrárias.
O horizonte de vida da maior parte das das pessoas é a sua experiência pessoal. Esta condiciona as crenças que têm acerca das possibilidades da vida. É assim que o que nunca experienciaram não faz parte do seu esquema mental. Por isso, acreditam impossível o possível. E afirmam-no vezes sem conta acreditando dizer verdades insofismáveis. E não acreditam nos outros que afirmam o impossível porque estão fora da sua experiência de vida e por isso, também do seu esquema mental.
Gostar de alguém não é um processo, é um acontecimento. Aprofundar o gosto é que é um processo - que não pode ser descurado.
Podemos escolher as cores com que pintamos os sentimentos com os quais nos relacionamos com o mundo e a vida. Mudarmo-nos a nós próprios muda a percepção da própria vida. Afinal, cada amanhecer é uma alvorada.
A amizade não tem horas de expediente e não funciona no vazio. Não nega. Afirma. Não destrói. Constrói.
Nada na vida importa a não ser as pessoas que importam. Não quer dizer que não hajam mil e uma outras coisas que importam, mas sem as pessoas que importam, nada importa.
Gasta-se mais energia a recalcar que a construir, por muito grande que seja a obra, porque a construir investimos energia durante um período de tempo no fim do qual descansamos satisfeitos mas, para manter o recalcado, recalcado, gastamos energia continuamente. Sem descanso nem retorno positivo.
Red and green Cyrtanthus, Crassula, and Orchids, South Africa
A Natureza selvagem raramente é bela. É da graça e não dos instintos que vem a beleza. Raramente os instintos coincidem com a graça na Natureza selvagem. Onde não há formação há desordem, caos, violência e fuga. As ervas daninhas são em muito maior número nos campos bravios e é nos canteiros que as flores desabrocham belas, revelando a mão sábia do jardineiro. É por isso que, quando uma flor selvagem desabrocha por si com graça instintiva tem uma beleza ímpar.
Certas coisas parece que existem em pares de contrários como diz Sócrates logo no início do Fédon quando lhe tiram as grilhetas e ele fica a reflectir acerca do prazer ter sempre um contrário que o pressupõe, naquele caso a dor. També na vida as coisas parecem acontecer assim: as boas notícias coincidem com as más e com o melhor vem também o pior como se um sem o outro não pudesse sobressair.
As coisas reais escondem-se por detrás de janelas. Estão sempre presentes embora nunca sejam ditas.
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