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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Trinta dias para arranjar um novo modelo de avaliação parece-me razoável. É preciso pensar as coisas para não fazer outra porcaria igual à que estava. Mas porquê trinta dias para acabar com a divisão da carreira? Porque é que isso não foi feito logo? Não são precisos trinta dias para acabar com isso e parecer-me-ia um indicador de boa fé.
Pessoalmente, como tudo depende do Sócrates, que é personagem a quem já tirei as medidas há muito tempo, continuo muito céptica. É ver e crer como S. Tomé...
É que, para além de discursos de abertura e de diálogo e de sim senhor vamos colaborar e tal, ainda não vi nada de concreto. Essa é que é essa!
Parece-me completamente indiferente que, a haver acordo no parlamento para a questão da avaliação, se diga que se substituiu a avaliação em vez de dizer que se suspendeu. Na realidade é até mais humilhante para a outra que se substitua a avaliação pois isso significa que a avaliação que ela (a outra) forjou é uma merda tão grande que facilmente se substitui numa semana com vantagem para tudo e todos.
Se o Sócrates precisa do termo substituiu para não perder aquela face desavergonhada pois que seja. Desde que se acabe com a divisão da carreira e se garanta que os professores que não entregaram objectivos (eu sou uma delas) e os que não entregaram a ficha de auto-avaliação não sejam prejudicados por terem sido coerentes e honestos com os seus princípios.
Aí é que me parece que não se pode transigir. Afinal, agora que todos vêem que todas as decisões da outra foram catastróficas, é preciso dizer que se não fossem esses, os que não entregaram objectivos, ainda agora andava tudo cego, pois por vontade dos sindicatos tudo tinha ficado decidido com o famoso memorando.
Se a moeda de troca da não penalização dos professores é a promoção de todos os parasitas que foram a correr pedir muito bons e excelentes, pois que o seja também. Não é dramático. Que se publique em cada escola a lista deles para sabermos quem são.
O que é dramático é os professores serem punidos por serem íntegros e não se vergarem à desonestidade. O que é dramático é que professores venham a ser punidos por terem o azar de estarem em escolas onde os directores são mini-sócrates e mini-santos silvas e mini-lurdes rodrigues. Se a lei diz para punir, pois que se mude a lei. Num futuro mais ou menos próximo quase todas as leis da outra vão ter de ser mudadas de qualquer modo sob pena de nada nunca vir a funcionar.
Já estamos todos fartos disto e se as coisas não se resolvem as escolas implodem.
É bom que os sindicatos não pensem que podem fazer qualquer coisa como se governassem os professores, à semelhança do que aconteceu no passado.
Seria bom que a ministra mostrasse estar de boa fé porque ter como chefe alguém que mostra não ser sério é o mesmo que envenenar a comida logo no início do jantar. Ninguém vai querer comer.
Os professores foram tão abusados e maltratados nestes últimos anos que estão cheios de marcadores. À mínima coisa os marcadores disparam, as pessoas descrêem e a situação volta ao ponto explosivo.

Depois da ministra ontem ter mostrado, mais uma vez, que gosta de ir sempre adiando para a semana a seguir qualquer coisa e depois de ter deixado a questão do ECD na maior obscuridade a minha esperança está toda nos partidos da oposição. A questão da gestão da escolas pelos 'herr direktorrs' já nem sequer é abordada - parece esquecida...
Infelizmente consigo imaginar muito bem os sindicatos com a conversa dos diálogos de entendimento.
O esforço de milhares de professores e o sacríficio de alguns foi demasiado grande para que agora se deixe ir tudo pelo ralo abaixo só porque temos uma ministra capaz de cortesia, como se isso fosse, não um princípio básico de civilidade, mas um grande favor que se faz a esses horríveis professores.
É preciso não esquecer que já passaram dois meses desde as eleições e está tudo igual. Estamos quase no Natal. Vamos chegar até lá na mesma? Eu, pessoalmente, já não tenho espaço para esperas. Com certeza a ministra sabe que a nossa espera não tem dois meses mas mais de 4 anos, não?
Espero que o saiba e que isto não seja tudo uma manobra de bom polícia (ela) e mau polícia (o sócrates) para confundir, protelar, desmobilizar e destruir.
A reunião com a ministra da educação deu em nada. Nenhuma declaração de boas intençoes. Marcaram mais reuniões... a mim sabe-me a pouco. Se isto fosse um governo com outro partido, outro primeiro ministro...mas é o mesmo. Para salvar a face do primeiro ministro? Mas a cara desse tipo é que é importante?
Eu acho mal. Acho que já passou o tempo das diplomacias de corredor. Queremos respostas e já! Estamos fartos de esperas, de injúrias, de gente que mata por desporto e depois se preocupa com a face e não pode dar o braço a torcer nem mesmo em face das evidências de tudo ter julgado e feito mal.
No DN lê-se
por DAVID DINIS e PEDRO SOUSA TAVARES Hoje
José Sócrates já traçou a sua linha vermelha: não pactuará com qualquer suspensão do regime de avaliação dos professores. Ontem, foi Jorge Lacão a avisar que o Governo se recusa a fazer "tábua rasa de tudo o que foi alcançado". Os sindicatos pedem negociações urgentes e avisam que nas escolas a impaciência aumenta.
Ainda o filme vai nos créditos de abertura e já se acabou. O primeiro ministro, que não percebeu que nada, a não ser desorientação e caos, se conseguiu na outra legislatura e que não quer aceitar o facto de ter sido penalizado nas urnas, em grande parte pelo desastre que a outra provocou na educação, já veio dizer que nada será sujeito a negociações.
A ministra da educação, não se sabe dela. Quem anda aos tiros é o da Assembleia mais o primeiro minstro.
Isto não espanta. Querer que o primeiro ministro compreenda os graves erros cometidos e se disponha a corrigi-los requereria uma mudança da própria pessoa. O indivíduo é ignorante em assuntos de educação (entre outros...), rodeou-se sempre de ignorantes como ele (para não lhe fazerem sombra?) e é uma pessoa dogmática, provinciana e autoritária.
Esperar que mude a visão (a tal mundivisão, que não tem!) seria assim como esperar que a macieira do quintal, de repente, começasse a dar pêras.
O Governo não pretende suspender a avaliação de professores, quando muito apenas “aperfeiçoar” o actual modelo. As palavras de Jorge Lacão, ministro dos Assuntos Parlamentares, proferidas ontem de manhã, colheram críticas de sindicatos de professores e oposição parlamentar. O ministro afirmou mesmo que uma união entre os partidos da Oposição para suspender o actual modelo poderá criar uma “querela jurídico-institucional”.
Para amenizar o efeito das afirmações de Lacão, líder parlamentar do PS, Francisco Assis, disse à tarde que deve haver “abertura de espírito” dos socialistas, porque no Parlamento “nada se poderá fazer sem o mínimo de consenso”.
Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, considera que as palavras de Lacão foram uma “tremenda irresponsabilidade” e que do que “as escolas precisam é que os focos de incêndio que ainda existem sejam apagados”. Já João Dias da Silva, da FNE, afirma que “compete ao Governo assumir a condução do processo de pacificação nas escolas” e que tal deverá passar primeiro pela revisão do Estatuto da Carreira Docente. Num ponto as duas estruturas sindicais são irredutíveis: a carreira de professor não pode estar dividida entre titular e não-titular.
Duas evidências: 1ª, o governo não compreendeu os erros do passado de modo que não tenciona corrigi-los; 2ª a ministra da educação é um bibelot no meio disto. Todos falam da educação e do que vai mudar ou não menos a responsável pela pasta.
No meio deste futuro negro parece que a única coisa positiva é a Fenprof ter aprendido algo com os erros do passado. Esperemos...
Alguém conhece alguma ideia da nova ministra sobre Educação? Não falo de magalhães ou de inglês na primária ou até de plano de leitura, por muito importante que este possa ser, mas sim de Educação, no sentido de : rumos para a educação, linhas filosóficas subjacentes, caminhar para onde e porquê...
Eu não lhe conheço nenhuma ideia sobre o assunto, mas se calhar é ignorância minha.
Só queria saber se estamos perante uma espécie de 'moça de recados' de ar agradável do primeiro ministro. Porque se é esse o caso, isso não é lisonjeiro para a nova ministra - saber que foi escolhida apenas por dotes de charme e não por sua competência no ramo em questão - e não é bom para a escola ter uma espécie de 'biblot' a figurar como chefe.
O governo tomou posse hoje. Logo no dia em que começa oficialmente a época da depressão sazonal. Ele há coincidências significativas...
Grandes títulos nos jornais sobre as intenções do governo de suspender a avaliação dos professores!
O cancro do sistema foi a divisão da carriera em duas categorias. É nisso que importa mexer. É isso que está a implodir toda a estrutura. Enquanto não mexerem nisso (e nas quotas para a progressão) tudo não passa de cosmética.
Ontem estive a ver no blog do MUP o vídeo da intervenção da nova ministra no congresso do PS. Não fiquei bem impressionada: grandes elogios à política da outra; a conversa recheada de elogios ao Magalhães, ao apoio que o ministério deu às famílias (?!) e o resto é aquela conversa reecheada de... 'as crianças, as crianças, as crianças...'.Não me pareceu um discurso à altura da gravidade dasituação.
Espero francamente que tudo isto não venha a ser mais do mesmo. Acho que as pessoas explodiam de vez.
Estou expectante do discurso inaugural da ministra para tomar o pulso ao que aí vem.
Expresso
Oposição une-se para acabar com modelo de avaliação dos professores e melhorar subsídio de desemprego e pensões.
Foi um pedregulho no sapato do Governo Sócrates I e será o primeiro revés de Sócrates II: a ministra da Educação bem pode ir embora, mas o modelo de avaliação dos professores não sai da agenda. Ou melhor: sairá, mas só depois de uma derrota do PS no Parlamento. Todos os partidos da oposição estão determinados em suspender o que sobra do modelo de Maria de Lurdes Rodrigues. Sem maioria absoluta socialista, a oposição, juntando-se, manda.
Esta maneira de dar notícias mostra bem o que em geral se pensa deste assunto, nos jornais e gabinetes minesteriais. Dá ideia que os professores andaram a teimar nestes assuntos, por uma questão de guerrinhas como se isto fosse um jogo e a única coisa que interessasse é quem ganha e quem perde. Como se 100.000 professores tivessem ido para a rua por uma questão de pirraça, de finca pé.
Vingança? Está tudo doido? Eu, e acredito que o resto dos professores, não estamos nisto por vingança nem encaramos isto como mãos de poker.
Estamos nisto para defender a escola pública, porque representa a oportunidade de uma vida melhor para milhares de jovens, a oportunidade de Portugal não perder autonomia, competitividade, soberania. Estamos nisto para defender a vida democrática, o melhoramento da sociedade pelo acesso à educação, à cultura, à arte, à ciência, à dignidade de vida.
Vingança?! Mas quem é esta gente?
Este é o legado da ministra que ainda temos (nunca mais sai. Cada dia que lá está vomita despachos a estragar mais qualquer coisinha): ter posto os problemas da educação numa equação de baixo nível de tal modo que a palavra escola e educação é sempre seguida de vulgaridades como vingança e guerra.
Que diabo! Gosto dos meus alunos, que não são meus inimigos, nem eu deles. Muito antes pelo contrário! Quero o melhor para eles.
É por isto que estou (estamos) nesta luta, que não é guerra, é a eterna luta do bom senso contra o senso comum.
SOL
Estive a ler um pouco do discurso do Obama no Cairo onde fala no “mundo que buscamos” onde “extremistas não ameacem a população, e tropas Estadunidenses retornem a casa; um mundo onde Israelitas e Palestinianos estejam ambos seguros nos seus próprios territórios” e onde questões energéticas não gerem mais conflitos – um mundo onde os governos sirvam seus cidadãos e os direitos de todos sejam respeitados."
Uma pessoa lê isto e fica com alguma inveja de quem tem um presidente que tem esta visão do mundo e das pessoas. Que tem uma noção de serviço público, que incentiva ao estudo, à afirmação dos direitos e das liberdades, à responsabilização dos poderes públicos, etc. Eu sei bem que o que conta são as acções muito mais que as palavras. Mas por cá, nem as palavras estão à altura da situação. E os actos, é o que se vê: destruir o que é público e com isso deixar as pessoas sem o exercício dos seus direitos.
A destruição da escola pública foi o maior ataque à democracia desde o 25 de Abril. Reduziu-se quase a zero a mobilidade social, e daqui para a frente a qualidade de vida é para quem já a tem à partida.
A Maria de Lurdes Rodrigues foi a pior ministra da educação, de sempre, e pagaremos muito caro a sua falta de cultura intelectual, humanista e democrática.
Ainda o primeiro ministro não foi indigitado e já a suposta futura ministra da educação anda em reuniões com os professores....do PS. Well, well...a oeste nada de novo.
O que é que vai mudar? Nada. Isabel Alçada é grande defensora das políticas da Maria de Lurdes Rodrigues e fã amiguinha do Sócrates.
É a maneira de manter tudo na mesma mudando apenas de protagonista: onde antes havia uma pessoa agressiva e conflituosa agora há uma pessoa com educação e que não tem, ao que se sabe, o ódio patológico que a outra tinha, e tem, aos professores.
Isso é bom, mas não chega.
9 de Out de 2008
As escolas estão confrontadas com uma exigência que nunca se colocou: o Secundário para todos.
As modificações no Estatuto da Carreira Docente e a avaliação de professores são processos normalizados? Não espera mais contestação?
Espero que a avaliação decorra com normalidade e que os professores compreendam que ela é um processo de gestão que procura valorizar o seu desempenho profissional, reconhecendo o mérito dos que mais trabalham e mais se empenham na vida da escola.
Os professores não devem ser uma excepção ao que se passa na administração pública.
Aliás, penso que este novo estatuto da carreira docente é francamente mais vantajoso do que o estatuto dos funcionários públicos em geral, seja qual for a carreira.
Não estão dependentes de cabimentação orçamental para progredir, não dependem do parecer das chefias para receber uma determinada remuneração, têm a possibilidade de ser avaliados pelo órgão de direcção da escola, mas também pela coordenação disciplinar, pelos pares mais seniores, o que garante que, dada a complexidade da função docente, sejam consideradas todas as suas dimensões.
Uma entrevista da ainda ministra que nem vou qualificar para não baixar o nível do discurso.
Como se vê o problema da avaliação estava em os professores serem estúpidos e não terem compreendido que era tudo para o seu bem e que são os privilegiados do sistema.
Os seniores de que ela fala estão na reforma. Os avaliadores de serviço são, grosso modo os besuntos do ensino...a mulher é demais, mesmo!
A ministra da Educação desvalorizou ontem os "problemas" na colocação de professores em Bragança, argumentando que resultam de regras impostas pelos sindicatos, nomeadamente uma lista graduada que "não tem sentido". Isto é mais do mesmo: a ministra desvalorizar os problemas de desemprego dos outros. Parece que apenas o dela e dos amigos -estou a lembrar-me do moço que tira fotocópias a preços caríssimos de 300.000 euros, por exemplo - interessam, porque são aquelas pessoas que nunca erram e nunca têm culpa de nada, mesmo que TODAS as suas decisões dêem grandes barracas. Aliás, estava aqui a imaginar o que seria uma hipotética confissão duma hipotética ministra hipoteticamente católica: Padre - então milnha filha, diz os teus pecados. Hipotética Ministra (HP) - bem, tenho muita coisa para dizer. Padre - diz, diz, que Deus perdoa tudo. HP - olhe, em primeiro lugar os meus vizinhos lá do prédio querem que eu pague os arranjos do telhado por ter ficado com o sotão só para mim; depois, os ministro do governo têm tomado tanta decisão errada que ainda hei-de ficar associada a um governo desastroso apesar de ter sido extraordinária; Padre - mas, e os teus pecados, minha filha? Os teus? HP - olhe senhor Padre, não é que me encheram o ministério de pessoas? Professores, ainda por cima; e sindicalistas! Uns e outros não me deixam trabalhar: quer dizer tenho ali milhares de pessoas que têm de me obedecer porque eu é que sei o que é melhor para eles e passam o tempo a criticar o que faço! Para piorar não posso despedi-los à minha vontade. Para que serve ser ministra se não posso fazer as coisas à minha vontade? Olhe, por causa deles anda todo o país no caos. Padre - olha, minha filha, assim não posso abençoar-te, porque não admites culpa de coisa alguma... HP - O Quê?! Era só o que me faltava ter vindo calhar a um confessionário com um padre incompetente! Olhe! Não espera pela demora! Vou já ver se há maneira de se instituir a avaliação de desempenho na igreja. Daqui para a frente não vai ser só sentar-se aí a ouvir falar. Não, não! Há-de haver uma grelha de avaliação de confissões e os confessados hão-de ter uma palavra a dizer sobre as bençãos e número de avé-marias que vocês mandam rezar! Pecados? Eu?! Era o que faltava! Olhe que eu sou a ministra! DN Colocação de professores
Ministra culpa sindicatos por problemas
jornal i
Esta última é favorecida pela crescente municipalização do ensino público no nosso país. A escola tenderá a ficar refém de directores pouco escrutinados e da lógica clientelar de muitos municípios. Em conjunto, terão, no futuro, poder para contratar e despedir pessoal docente e não-docente cada vez mais precário. Juntem a isto o crescente peso do ensino privado, promovido pelo escandaloso aumento do financiamento público directo (que passou de 30 milhões de euros em 2000 para 221 milhões em 2007) e pelos regressivos benefícios fiscais às despesas privadas em educação, ou os pouco informativos rankings de escolas que, apesar de se prestarem a todas as manipulações, captaram o imaginário social.
Estão assim reunidos alguns dos ingredientes para uma receita de desastre feita de incentivos à selecção e exclusão dos alunos pelas escolas públicas, imitando as práticas das escolas privadas, de acordo com o capital económico e cultural das famílias, determinante no sucesso escolar, ou com as necessidades dos alunos. O reforço da uniformização das escolas - escolas para ricos e escolas para pobres -, num país desigual e com taxas recorde de pobreza infantil, será imparável. A qualidade do ensino e dos desempenhos degradar-se-á à medida que as relações cooperativas se tornarem mais difíceis numa escola obcecada pelo controlo, pela mensuração intrinsecamente redutora e pela concorrência.
A esquerda que defende a escola pública democrática, exigente e de qualidade terá de ser capaz de reverter este processo. Podemos começar com simplicidade: acabar com o financiamento directo e indirecto ao ensino privado.
Economista e co-autor do blogue Ladrões de Bicicletas
É isto que ele diz,sem pôr nem tirar. Mas impressiona ver a injecção de milhões no ensino privado em simultâneo com o desinvestimento no ensino público - e, claro, as consequências que estão à vista de todos que não são 'burriciegos' como se diz na gíria taurina.
Estes 4 anos de Sócrates e Mª Lurdes Rodrigues foram um crime no que respeita à educação - o maior desrespeito pelo direito à educação, pelo direito à oportunidade duma vida melhor. A indiferença pelo destino dos outros.
Mete nojo, isto.
jornal i
"Temos uma abertura de ano lectivo com gripe A. É sempre exigente e este ano é particularmente exigente, porque além da gripe temos as eleições, que vão coincidir com a semana de abertura de aulas", salienta. "É necessário estar atento porque tudo será aproveitado para o combate político e as escolas estão mal protegidas, no geral, dessa instrumentalização"
A mulher faz tudo para dar nas vistas. Fala como se estivéssemos em epidemia declarada com mortos e feridos todos os dias...
Depois, entra pelos olhos a dentro que ela gostaria de ter posto ainda mais grades nas escolas e de ter substituído todos os professores por gente apalermada que ela pudesse 'proteger' das outras facções políticas.
Proteger???!!! Como se os professores fossem os seus alunozinhos infantis da escola primária que tem de proteger dos bandidos, isto é, dos outros partidos da vida democrática. É nestas coisas que se vê o espírito anti-democrático e megalómano da mulher. Ridículo, também.
Deve custar-lhe muito ver que apesar das mordaças, das chantagens, da miséria em que lançou milhares de professores, dos subornos encapotados em títulos e prémios etc., os professores não se vergam à tirania dos fracos de espírito como ela.
Deve custar-lhe porque salta à vista que a mulher não tem noção nenhuma das suas limitações (tal como o primeiro ministro, que acha que tem grande sentido do ridículo e depois faz aqueles discursos ridículos em inglês 'independentemente' técnico) e se acha muito à frente, inteligente e extraordinária.
(...)a realidade não existe por si, apenas como percepção da nossa mente, o que satisfaz fielmente o meu trabalho com as estatísticas, aperfeiçoando-as por processos em que me tornara especialista, foi a minha tese de doutoramento, Como manipular dados estatísticos de modo a evidenciar resultados não existentes na realidade; se não existe uma realidade consensual para todos, é dever dos números fazer passar por objectiva e verdadeira a realidade que mais satisfaz as elites, mostrando ao povo o caminho a seguir – é a lição que transmito aos meus alunos de Sociologia das Estatísticas: os números, impondo-se, universalizam e objectivam o que de raiz é particular e opinativo, transfigurando-o, não em verdade, em sociologia não existem verdades, mas na linha dominante da interpretação do mundo, aquela que os jornalistas, presumindo criar opinião própria, partilharão nos diversos editoriais, estabelecendo um consenso social entre as elites e o povo (…). (p. 25)
Fui tirar este excerto do livro A Ministra do Miguel Real ao blog do Umbigo. Fiquei na dúvida, ao ler, se o autor está a citar a dita cuja ou a fazer interpretação de palavras dela. Vou ter que ler o livro para saber.
No entanto, se está a citar Mª de Lurdes Rodrigues é um escândalo que a mulher tenha sido escolhida para esta ou outra qualquer pasta pois ali se declara, preto no branco, a intenção de inventar uma realidade fabricada por números que lhe darão uma aparência de verdade com a o intuito de manipular as pessoas e retirar dividendos. Fala em «mostrar ao povo o caminho a seguir»(!!) como se fosse uma espécie de pastor Cristo que vem indicar o caminho da redenção...que alucinação...
Repare-se que a ministra confunde verdade (absoluta) com objectividade, pois diz que ao não haver uma verdade consensual qualquer verdade pode ser instituída. Ora, não haver uma verdade única não significa não existirem critérios de objectividade de tal modo que todas as interpretações sejam equivalentes.
Depois refere, como se tivesse descoberto a pólvora, a dificuldade ou impossibilidade de se provar uma verdade acima das outras (uma discussão que já leva milhares de anos) e apresenta-a como legitimação da manipulação das massas por uma suposta elite da qual pensa (alucinadamente?) fazer parte. Ao dizer que a percepção cria a realidade porque os números a impõem como coisa universal, faz uma declaração de fé na existência de uma realidade (que antes negava como apenas percepção) e, mais do que isso, na capacidade -mágica? - duma percepção criar realidade, só por ser acreditada. Bem, isso é o que acreditam também aqules que vão a Fátima de joelhos...
Mas estas declarações explicam muita coisa: o primeiro ministro contrata actores para fazerem de alunos 'muito à frente' pensando que, se o povo percepcionar a escola e os alunos assim, eles se tranformarão, por magia, em tais pessoas;
a ministra faz campanha nos jornais contra os professores para criar a percepção de que são uns incompetentes, jugando que essa percepão passará a ser, po rmagia, verdade: o povo continua, no entanto, a ter mais confiança nos professores que nela;
a ministra diz que para ter melhores resultados na matemática basta fazer uma campanha pública a dizer que a matemática é fácil: acredita que essa percepção criará, por magia, excelentes alunos - confunde confiança e auto-confiança com criação mágica do real;
a ministra culpa os media dos maus resultados nos exames, por terem dito que eram difíceis - ela acredita que, se a percepção dos alunos acerca dos exames é a de que eles são fáceis, pois por magia eles não apenas parecerão, como serão, na realidade, fáceis.
E por aí fora, porque esta foi a única política desta indivídua: criar percepções ilusórias na crença de que por si só engendrariam realidades de facto, que entretanto, muito contraditoriamente, defende não existirem como tal.
Em conclusão, estivemos à mercê duma adulta com pensamento mágico..? Uma pessoa que baseia o seu pensamento em crenças sem objectividade....
De facto, a uma especialista em estatística, que é o que ela é, não se devia ter pedido mais do que ela é capaz... o resultado está à vista.
Com esta maneira de pensar faltou pouco para que tornasse obrigatória a leitura daquele livro idiota e anti-pedagógico que fez grande sucesso chamado O Segredo, que defende que para se alcançar objectivos na vida basta acreditar muito, muito, e percepcionar que depois isso acontece, tipo por magia...
O que lhe deve custar, a ela e ao senhor Sousa é que, com tanta manipulação de números e de percepções, nunca nos enganaram, nunca conseguiram falsear a nossa percepção daquilo que eles, na mais pura realidade são.
Público
Uma hecatombe. Todos os exames do ensino secundário mais concorridos tiveram média negativa na segunda fase, mostram os resultados divulgados hoje.
Aconteceu assim a Português e Matemática: na língua materna, da primeira para a segunda fase, a média desceu de 11 para 8,9; e a Matemática de 10 para 8
Comentando as provas nos dias em que fora estas foram realizadas, associações de professores consideraram que tanto a prova de Português como a de Matemática foram mais difíceis na segunda fase.
Para a Sociedade Portuguesa de Matemática, o grau de dificuldade "mais elevado" significa que o exame foi "mais apropriado à exigência que deveria existir neste grau de escolaridade".
Mais apropriado mas ainda não adequado ao grau de escolaridade. E, no entanto, os resultados foram estes. Anos e anos de políticas acéfalas e sucessos só de estatística resultam nestas coisas.
E ainda a procissão vai no adro. Quando as mesmas políticas se aplicarem ao secundário: passar com centenas de faltas, planos de recuperação até ao sucesso compulsivo, perseguições a professores que não passam todos 'na boa', professores com 7 e 10 turmas, turmas com 30 e mais alunos, etc., etc., estes resultados até vão parecer bons em comparação com o que aí vem.
Mas a ministra está muito contente consigo própria, e a culpa das más notas são os professorzecos...e a comunicação social.
SOL
No discurso de apresentação do candidato do CDS/PP à Câmara de Viseu, que decorreu ao final do dia no Hotel Grão Vasco, o presidente do partido considerou que a ministra da Educação tentou «virar o país inteiro contra os professores».
No entanto, «esqueceu-se de uma coisa: no dia seguinte, nas escolas, quem lida com os alunos e as suas famílias são os professores e não a ministra».
É verdade isto que ele diz: se a fulana que está há anos no ministério da educação tivesse que lidar com os alunos e os pais e toda a m.... que ela própria criou, já estaria internada aí num sítio qualquer.
Aliás, acho que o destino dela devia ser esse mesmo: ir dar aulas para uma daquelas escolas super-burocratas, com directores ditadorzecos (como ela) e 'crianças' perturbadas com armas nos bolsos a precisar de planos de recuperação e reuniões com pais que passaram a acreditar, por causa dela, que os professores devem tratar-se a pontapé.
É a única coisa que pode fazer alguma justiça a todo o mal que ela engendrou.
Correio da Manhã
29 Julho 2009 - 00h30
Saúde: Doentes do hospital de Santa Maria estão a perder a esperançaA ministra da Saúde, Ana Jorge, garantiu aos seis doentes que cegaram no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, que o Governo pagará todas as despesas de tratamento e deslocação a um país à escolha dos pacientes para recuperação da visão. Indicou, especificamente, Cuba, Espanha, Alemanha e Índia.
Esta notícia ilustra, na perfeição, o estado do nosso país.
Despudor e Indigência.
Primeiro lixam a vida às pessoas - neste caso cegam-nas - depois despacham-nas para outros países para que alguém, não ignorante e não incompetente, faça qualquer coisa.
Esta gente pôs o país indigente.
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