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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Para conseguir um horário completo, os professores de Inglês de 3º e 4º anos dos básico vão ter de dar aulas a 12 turmas.
Mas não há ninguem com cabeça naquele MEC? Qual é o objectivo disto? Os professores ficarem todos com horário incompleto e o MEC pagar-lhes o salário de um empregado de limpeza a dias? É para poupar dinheiro ou é para matar o projecto antes dele sequer começar? Querem comer as omeletas mas não querem ter que gastar os ovos. Os ovos são para oferecer aos DDTs do rectângulo.
(a propósito das paletes de altos responsáveis presos por causa dos vistos dourados)
Da primeira vez, quando ficou colocado em 75 escolas, pediu o anonimato. Agora, identifica-se, porque diz que “já é demais”. Chama-se Rui Pinto Monteiro, tem 36 anos de idade, está a dar aulas em Biscoitos, na Ilha Terceira, nos Açores, e pede ao Ministério da Educação e Ciência (MEC), através do PÚBLICO, que faça o favor de o retirar das listas de colocação de professores. Diz que “não se aguenta”: ao primeiro telefonema de uma directora de escola a dizer que tinha ficado colocado, na manhã desta segunda-feira, pensou que era brincadeira de uma amiga; mas, ao segundo, estranhou e foi ao correio electrónico, onde foram pingando os avisos da Direcção-Geral da Administração Escolar (DGAE). Ao fim do dia eram 95. “Um novo recorde”, diz.
Na noite desta segunda-feira, Rui – a quem chamámos Fernando na primeira notícia – não sabia se havia de rir ou de chorar. Tem noção da gravidade do caso: por cada uma das 95 colocações, pelo menos uma turma de crianças de 21 alunos, no mínimo (ou seja, quase 2000 crianças) continuam sem professor. Mas estava a terminar um dia “de filme”, "cómico, se não fossem as consequências", pelo que não podia deixar de rir, também.
Esta sexta-feira, Fernando, professor, ficou colocado simultaneamente em 75 escolas de Portugal Continental. À sua disposição, segundo outras tantas mensagens electrónicas que recebeu da Direcção-Geral da Administração Escolar (DGAE), tinha 53 horários para dar aulas ao 1.º ciclo e 22 como docente de Educação Especial. Uma dupla surpresa: pela fartura de lugares e por não ter direito a qualquer um – desistiu do concurso, a Bolsa de Contratação de Escola (BCE), no dia 16 de Setembro, e insistiu duas vezes com os serviços do Ministério da Educação e Ciência (MEC) para que anulassem todas as suas candidaturas.
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A situação "seria cómica se não tivesse efeitos tão sérios", faz notar Fernando (nome fictício). Isto porque, ao ser colocado em 75 escolas, por erro dos serviços do MEC, bloqueou a entrada de outros tantos professores naqueles horários. Na próxima semana, as turmas daquelas 75 escolas continuarão sem professor do 1º ciclo e de Educação Especial. E o problema poderá manter-se, se o MEC continuar a ignorar os seus pedidos para ser retirado dos concursos
Uma colega que tinha chegado à escola há mais de uma semana e que já tinha dado umas aulas já se foi embora. Mandaram-na para Vendas Novas. O primo de outra colega está colocado em oito escolas ao mesmo tempo! Portanto, são escolas onde ninguém ficará colocado... nice...

Não me surpreeende que o Crato não se demita apesar de tanta incompetência evidente... na cabeça dele a culpa deve ser de outro que não ele já que ele é infalível, excepcional e génio e, depois, deve haver o pormenor do PPC não ter ninguém para o substituir de modo que ele vai fazendo o frete - que estes fretes têm sempre recompensas. Mas, é evidente que é uma vergonha de tempos de políticos desavergonhados não se demitir depois de prometer que niguém ficaria prejudicado: professores colocados são despedidos, outros recolocados (às suas custas) noutra ponta do país depois de já se terem instalado a centenas de quilómetros de casa e outros ficarão de fora porque o cálculo para as listas graduadas não valoriza a média de curso e a experiência profissional sobre os critérios subjectivos passíveis de favoritismos.
A orientação do Ministério da Educação para refazer o concurso obrigava a excluir 150 docentes que já tinham sido colocados. Os diretores das escolas dizem que não o farão.
Céu Bastos mudou-se com a filha de Bragança para Constância, no distrito de Santarém. Agora, foi informada da revogação do contrato e foi colocada no Algarve.
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Com o essencial para a mudança no carro, Céu Bastos andou dois dias à procura de escola para a filha (o Agrupamento de Constância não tem 11.º ano) e de casa para arrendar, acabando por encontrar ambas em Abrantes (a 15 quilómetros). No dia 15 de Setembro apresentou-se no Agrupamento de Escolas de Constância, onde começou a trabalhar com os alunos e as professoras titulares.
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Na sexta-feira, às 17h17, recebeu um email informando-a da desvinculação da colocação em Constância e do lugar disponível em Vila Real de Santo António, a que se seguiu outro, perto das 19h00, com a opção de Portimão, tendo de decidir, até segunda-feira, qual dos dois aceita. "Sinto-me revoltada. Arrastar a minha filha nisto é angustiante. A mudança já foi complicada. Ela está no 11.º ano, essencial para a média de entrada na Universidade, tem testes marcados. Agora é obrigada a ir para Vila Real de Santo António, no outro extremo do país", disse Céu Bastos, sublinhando não ter palavras para descrever a situação em que se encontra.
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Ao "terramoto" em que foram transformadas as suas vidas junta-se a questão financeira, já que, por ter sido colocada a 12, só terá o seu primeiro salário a 23 de Outubro, tendo que acrescentar novas despesas às que entretanto foi forçada a assumir. "Mais que a despesa económica, que nos obriga a viver momentos muito maus que nos levam a chegar ao fim do mês não com a conta a zeros mas a negativo, é a parte emocional. É desumano", desabafou, lamentando que quem está nos gabinetes "não faça ideia do que se passa no terreno".
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"Ter andado dois dias com o carro cheio, a dormir em residenciais, a procurar escola para a minha filha e casa para alugar, primeiro em Vila Nova da Barquinha, depois no Entroncamento e finalmente em Abrantes. Quando finalmente estávamos estáveis, a morar perto da escola dela, este mail foi surreal. É desumano". A situação de Céu Bastos e da filha é para a presidente da Câmara Municipal de Constância, Júlia Amorim, "indescritível" e "revoltante" e para a directora do Agrupamento de Escolas de Constância, Anabela Gracio, "inacreditável", com a agravante de o Ministério não querer assumir o ónus da anulação, colocando-o nos directores.
Quantos mais não haverá por aí em situação idêntica? E o MEC quer saber disso para alguma coisa?
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Milhares de candidatos desesperam com a forma como a seleção para determinadas escolas foi feita este ano. Há contratados com 10 anos de serviço e melhores notas no curso a perderem horários para colegas com dois anos de experiência e média mais baixa.
Nem às paredes confesso...?
Hoje, dia em que começaram as aulas, depois de umas semanas a preparar o ano lectivo com planificações, critérios, etc. o MEC fez sair o Despacho normativo n.º 13/2014 A - avaliação e certificação dos conhecimentos adquiridos e das capacidades desenvolvidas pelos alunos do ensino básico, revogando o que estava em vigor.
Sei lá... é o rigor que o ministro tanto gostava de falar?
http://dre.pt/pdf2sdip/2014/09/177000000/2382923836.pdf
O problema não é novo e um grupo de pais lançou uma petição para que o diploma que define o rácio de funcionários por escola seja debatido pelos deputados.
Alberto conhece bem aquele caso porque é presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Secundaria da Maia e garante que "esta é uma realidade que afeta a generalidade das escolas públicas".
A escassez de funcionários "significa falta de segurança, falta de higiene, casas de banho fechadas, pavilhões fechados, bibliotecas fechadas. Significa uma escola a funcionar em condições perfeitamente deficitárias", alerta Alberto Santos.
Para já, os pais têm um abaixo assinado na internet - "Alteração dos rácios de auxiliares de ação educativa nas escolas" que está disponível no site http://peticaopublica.com/ - que conta com 1993 assinaturas, mas precisam de quatro mil para garantir a discussão do problema no plenário da Assembleia da República.
Questionado pela Lusa sobre estas críticas, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) diz estar a "programar o início do ano letivo de forma a assegurar a abertura das escolas no período previsto com todas as condições, também no que diz respeito ao pessoal não docente. Qualquer situação que se venha a verificar de défice será analisada e suprida".
... entra e sai à velocidade duma bala... que atinge muita gente...
Há professores que são mestres mas têm de ir a tribunal para dar aulas...
Escola Superior de Educação diz que é a tutela que tem de resolver o problema de 150 diplomados de várias escolas. Ministério está a “estudar” caso. Alunos e ex-alunos podem vir a exigir indemnizações por terem feito um mestrado sem saída.
Em causa está um imbróglio jurídico, que resultou da publicação de sucessiva legislação que fez com que estes alunos ficassem sem grupo de recrutamento. A combinação de disciplinas e graus de ensino existentes nos actuais grupos faz com que não encaixem em nenhum. Por exemplo, para encaixarem no 220, que lhes permitiria candidatarem-se a dar aulas de Português/Inglês ao 2.º ciclo, falta-lhes o Português; no 350, que serve para dar Espanhol ao 3.º ciclo e secundário, falta-lhes habilitações para dar aulas ao secundário. E assim noutros grupos. Perante isto, a aluna questiona: “Onde ficamos? Então para que serve o mestrado? Por que mereceu este ano uma avaliação positiva da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) por mais cinco anos? Para enganar futuros alunos?”
Isto, quer dizer, estes cursos de 'ensino de não sei quê...', é que são engodos. São caminhos que levam a lado nenhum.
Ministério da Educação desvaloriza incidentes que marcaram a realização da prova de avaliação dos professores.
... o MEC, que se congratulou com aquilo que considera ser “um passo importante na política do Governo para a melhoria do ensino, em particular da escola pública e para a dignificação da função docente”.
(Mec desvaloriza incidentes porque desvaloriza os professores por quem não tem um átomo de respeito)

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Ainda de acordo com os dados do Ministério da Educação, fica claro que a esmagadora maioria dos jovens que concorre ao ensino superior e que, por isso, tem de realizar exames nacionais, vem do ensino secundário regular. Apenas 1% (cerca de mil alunos) é proveniente de cursos profissionais.
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Desvario incompetente das decisões educativas? Vontade de agradar a todo o custo aos 'providers' do trem de cozinha...?
Professores no quadro a partir do sexto contrato seguido
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O ministro da Educação anunciou hoje que vai rever a legislação para que, a partir de 2015, os professores contratados para horários completos durante cinco anos seguidos ingressem diretamente nos quadros a partir do momento em que celebrem o sexto contrato.
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Isto é o resultado da condenação da UE. De qualquer modo não percebo bem esta notícia: em 2015, quem tiver celebrado seis contratos seguidos entra para os quadros ou os seis anos começam a contar a partir de 2015? É que com estes manhosos nunca se sabe... e outra coisa, a lei não fala em três anos como o máximo de tempo limite após o qual os contratados a prazo têm de passar a efectivos? Resta ver se vão arranjar uma manigância para interromper os contratos das pessoas ao fim de quatro ou cinco anos para fazer o reset da contagem. Não acredito nada na boa fé do MEC.
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No comunicado da Fenprof, citando a decisão judicial, pode ler-se que o tribunal decidiu que o Ministério da Educação e Ciência está impedido de praticar qualquer acção que leve à concretização da prova.
"Nestes termos, e pelas razões vindas de aduzir, julgo a presente providência cautelar procedente e íntimo a entidade requerida a abster-se de praticar qualquer acto conducente à realização da prova de avaliação de conhecimentos", lê-se no comunicado da federação, que cita a decisão do Tribunal.
10 mil docentes sem emprego e escolas em risco de não começar o ano a tempo
Li que as rescisões na função pública vão deixar de fora as autarquias... need I say more? É claro que isto vai sobrar para os professores, como é costume.
Hoje cheguei à escola e dei de caras com um colega contratado que esteve lá no ano passado, no meu grupo; por um momento insano pensei que ele tinha ficado lá outra vez. Perguntei-lhe. Ele riu-se... da minha estupidez, acho. Respondeu que não, que os contratados estão à espera que saiam as listas agora em Setembro. Foi à escola buscar papéis, mas, por ora, está desempregado. Dá aulas já há muitos anos. 'Somos descartáveis', disse-me ele.
Eu é que tenho mau feitio, dizem-me colegas, mas queria ver alguém dizer que estava enganada quando me chateei com o resultado da greve de Junho. Tantos dias de greve, para quê? O que fizeram os sindicatos com todo esse esforço colectivo? Serviu para quê? Para ficar tudo na mesma: desemprego, desemprego, desemprego, mais horas de trabalho, menos salário, menos autonomia, menos tudo... Lindo serviço.
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