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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Patricia Krenwinkel, uma das seguidores de Charles Manson que cometeu crimes horríveis a mando dele, fala, desde a prisão onde está encarcerada há 45 anos, acerca das causas que a levaram a fazer o que fez. Falta de adultos que lhe dessem afectividade e orientação resultou em andar perdida e desesperada à mercê de qualquer influência, alguém que se interessasse por ela. Má sorte em encontrar a resposta a essas necessidades num indivíduo como Manson. Uma tragédia, para ela e, sobretudo, para as vítimas dos seus crimes, mas que ficamos com impressão que poderiam não ter acontecido se ela tivesse tido um outro contexto afectivo e educativo.
Cada vez parace mais evidente que a esmagadora maioria dos assassinos não nasce como tal mas é fabricado pelo contexto, seja ele de violência, de ausência, de abandono, de falta de afectividade, de falta de orientação e cuidado. Em suma, falta de educação, afectiva e mental.
O que põe a questão de saber se é possível reprogramar essas pessoas, por assim dizer. O miúdo australiano que segura em cabeças de soldados para agradar ao pai, por exemplo, ainda tem salvação? Essa, é a questão.
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O "The Guardian" e o "Channel 4 News" noticiaram hoje, citando documentos transmitidos pelo antigo consultor informático da NSA Edward Snowden, exilado na Rússia, que a NSA usou SMS para recolher informação sobre a localização, contactos e detalhes dos cartões de crédito dos utilizadores.
Quem é o americano que tem na mão os dados do meu cartão de crédito? E será que me vai roubar? Deverei ter mais medo de um hacker ou do governo dos EUA? A resposta é óbvia... qual é a diferença...?
A alma humana tem muitas ravinas e precipícios nos confins das suas profundezas e é preciso grande cuidado para não cair nesses abismos, pois são lugares de insanidade. Nem toda a insanidade é negativa, no entanto. Se quisermos ver a profundidade insana da alma humana no seu lado positivo, podemos ler as cartas de amor de Napoleão para a Josefina. Mas, se queremos saber da outra insanidade, lemos Os Diários do Congo de Joseph Conrad. É o livro que estou a ler. Estou a lê-lo no original, em inglês. Não existe, que eu saiba, edição portuguesa.
Joseph Conrad, nasceu Józef Teodor Nałęcz Korzeniowski. Um ucraniano de origem polaca que acabou em Inglaterra a escrever em inglês, depois duma vida de aventura, passada em grande parte, no mar. Conrad fez uma viagem de dois anos ao Congo, ao serviço do Rei belga, Leopoldo II, à época o dono pessoal do Congo ([só mais tarde o doou à Belgica], hoje, República Democrática do Congo), numa viagem pelo interior da selva congolesa para recolha e carregamento de marfim.
Nessa viagem, Joseph Conrad apanhou malária, esteve grande parte do tempo doente e, testemunhou, em primeira mão, o horror dos crimes dos belgas ao serviço do rei belga que, entretanto, era louvado em todo o lado, por ter levado a civilização aos congoleses.... Calcula-se que nesse período terão sido mortos, chacinados, cerca de 10 milhões de congoleses (este deve ser o crime de genocídio mais esquecido e branqueado, de sempre), muitos torturados, entre os quais os milhares de crianças a quem cortavam, indiferentemente, as mãos e os bracinhos, mutilando-os por uma questão de poupar tempo e assegurar os lucros do marfim.
Essa viagem aos precipícios insanos, malignos, da alma humana, no então, Congo do Rei dos Belgas, havia de o marcar para sempre, dar origem ao famoso livro, Heart of Darkness e inspirar o filme, Apocalipse Now. O horror a que assistiu e as pessoas com quem teve que conviver no meio da selva enquanto subiam o rio, foram fantasmas que o perseguiram até ao fim dos dias.

A minha pergunta é: estas novas profissões, assumidas publicamente -falo de consultores de imagem especialistas em criar perfis falsos nas redes sociais para caluniar pessoas- fazem parte do pacote do ministro Crato para as escolas com currículo dual?
Ferreira Fernandes
Uma pessoa exila-se por duas semanas e a pátria continua ela própria. Chego e fico a saber daquele deputado que define uma ministra, assim: "A frígida..." Além do termo carroceiro, incomoda-me o erro político: o deputado critica-se, e aos seus, da forma mais impiedosa, que é a sem querer. Então não sabe ele que não há ministras frígidas, há é oposições moles? Disfuncionamentos sexuais à parte, fico também a saber daquele "profissional de comunicação" que, numa entrevista à Visão, contou as suas patifarias na ascensão de Passos Coelho à direção do PSD e do País. Ele e correligionários de blogues e de jornais mancomunaram-se para fazer perfis falsos no Facebook, para intervir de forma insidiosa nos fóruns da TSF e para caluniar adversários. A pátria, a que retorno, não se escandalizou tanto assim e os poucos que se indignaram remeteram a coisa para uma generalização: jornalistas e blogueres a mesma choldra! Estaria certa a reação se a estes se juntassem estucadores e agentes imobiliários, e a todos se desse a indicação necessária: patifes. Porque é isso que é Fernando Moreira de Sá (o tal entrevistado da Visão). Não foi a sua condição de bloguer que o levou a ser um dos "blogueres da corda" (como ele próprio se autodefiniu na entrevista), foi a de ser patife. Se fosse mecânico de automóveis não seria talvez chamado para tropelias com amigalhaços políticos, mas estaria a cobrar, como novas, velas que não tinha mudado.
O actual secretário-geral do PASOK, Evangelos Venizelos, teve conhecimento em 2011 de uma lista com os nomes de 1991 pessoas que tinham dívidas avultadas ao fisco grego, mas guardou-a para ele.
A outra lista
Paralelamente à "Lista Lagarde", surgiu na última semana também outra lista com os nomes de 36 políticos gregos suspeitos de enriquecimento ilícito. A imprensa grega avança que os 36 nomes já estavam a ser investigados pela SDOE. Até agora, nenhum deles foi acusado.
Porém, o documento tornou-se viral depois de ter sido publicada à revelia das autoridades num blogue. Dos 36 nomes, constam antigos ministros do PASOK e da Nova Democracia (ND), um ex-presidente da câmara municipal de Atenas pela ND e um antigo líder da Synaspismos (partido de esquerda que faz agora parte da coligação da Syriza).
Um dos visados na lista, Leonidas Tzanis, advogado, deputado da ND e antigo vice-ministro do Interior foi encontrado enforcado na sua casa, há 24 horas.
Henry Porter, The Observer
Things do revert in politics but there will never be a return to normal service for the Murdoch family, which has lectured us over the years about standards and trust but whose employees may be guilty of thousands of criminal acts, now accused of suborning and bribing the police and suspected of a serious obstruction of justice with the alleged deletion of email archives.
It doesn't get much worse than this, but think of the eye-watering hypocrisy that occurred in September 2009. Just as James Murdoch was signing huge cheques to silence people whose phones had been hacked, he attacked the BBC at the Edinburgh TV festival with a speech entitled "The Absence of Trust" in which he claimed: "The only reliable, durable and perpetual guarantor of independence is profit."
Nothing better describes the lowering, simple-minded greed of News Corp's heir – values which he has taken from his father. That whole ethic seems suddenly unendurable because we see that they are only in it for themselves and they don't mind who they crush on their way to dominance, whether it is an actress who has had the courage to fight for privacy or the greatest public service broadcaster in the world.
The revelations are deeply troubling – more so than the MPs' expenses scandal – because the corruptibility of journalists and senior police officers, as well politicians, is laid bare. In the last three years, nearly every part of the establishment has been exposed in one way or another. We are arguably a more transparent society than we were, but it is now much more difficult to believe in our democracy. A free society requires measures of optimism and of faith and what I find hateful about the phone hacking scandal, apart from contempt for people's privacy, is that it further infects British society with cynicism.
para ler todo o artigo
por DN.ptHoje
Relação do Porto absolveu psiquiatra com argumentos muito polémicos.
O Tribunal da Relação do Porto absolveu o psiquiatra João Villas Boas do crime de violação contra uma paciente sua, grávida de 34 semanas, que estava a ter acompanhamento devido à gravidez.
Segundo a maioria de juízes, os actos sexuais dados como provados no julgamento de primeira instância não foram suficientemente violentos. Agarrar a cabeça (ou os cabelos) de uma mulher, obrigando-a a fazer sexo oral e empurrá-la contra um sofá para realizar a cópula não constituíram actos susceptíveis de ser enquadrados como violentos.
... repugnante... eu sei o que eles mereciam, sei... mas não o digo... mas espero que lhes aconteça...
Os trabalhadores trabalhavam e punham dinheiro nos bancos. Os bancos usavam o dinheiro dos clientes para apostar, para comprar casas, ir de férias, oferecer presentes, fretar aviões com prostitutas, comprar jóias, etc. Foram à falência. Em pânico foram ter com o governo e disseram, 'Estamos falidos, perdemos o dinheiro das pessoas, precisamos que nos emprestem dinheiro'. O governo, porque andava a fazer o mesmo -brincar e viver à grande com o dinheiro dos trabalhadores (portugueses e europeus)- também não tinha para emprestar. Cortou na saúde, na educação, na justiça e subiu impostos. Deu o dinheiro aos bancos. Os bancos, mais uma vez gastaram em luxos para os seus administradores. O governo voltou a fazer cortes e a subir impostos. A certa altura o país foi à falência. Agora pedimos aos europeus que nos emprestem dinheiro, mas alguns estão cépticos porque dizem não ter garantias que o dinheiro não vai ter o caminho do anterior: engordar banqueiros e governantes e amigos. E percebe-se. Afinal, porque é que os finlandeses hão-de pagar as prostitutas ao ladrão do BPN, e aos outros...?
Os banqueiros e gestores e governantes que assim gastaram o dinheiro de quem trabalha e puseram as pessoas na miséria estão nos mesmos postos à espera do dinheiro que vem de fora. Não estão na cadeia, não foram obrigados a devolver o que roubaram, não foram proibidos de voltar a exercer os mesmos cargos. Não. Estão todos lá. Alguns, muitos, são de novo candidatos ao lugar de ladrão impune, outros até são vice-presidentes do BCE. Os banqueiros agora não emprestam dinheiro ao povo que os sustentou e sustenta com o seu trabalho e miséria. Que nome se pode dar a pessoas que fazem isto uma e outra vez sem escrúpulos? E onde deveriam estar? Dingos sem alma que hoje hão-se estar todos na missa de Aleluia da Páscoa a fingir que são pessoas que se preocupam e amam o próximo.
Um filho do ex-financeiro Bernard Madoff foi encontrado morto hoje, sábado, em Nova Iorque, aparentemente vítima de suicídio.
Valeu a pena a vida de luxo durante vinte anos de roubo? Carros, casas, vassalagens...valem o suicídio de um filho? Valem a miséria de milhares de famílias, a fome dos outros, as doenças que não se tratam, os futuros que não se cumprem, os países que desaparecem sob os anos de corrupção, roubo e decadência? As acções não teriam consequências? O que se faz hoje não influencia o devir dos acontecimentos?Os tornados que atingem as costas não começam por pequenos rodopios lá no meio do oceano?
É triste esta notícia.É a face visível de uma miséria moral que se esconde por detrás de muitos portões dourados.
Fundador do Wikileaks alvo de mandado internacional de captura
O jornalista australiano Julian Assange é procurado pela justiça sueca por suspeita de violação. O fundador do Wikileaks diz-se vítima de perseguição.
Democracias avançadas, diretos humanos...yah...right... ...o poder é igual em todo o lado. A 'vã glória de mandar'. ai de quem se atravesse no caminho das aves de rapina de garras compridas e afiadas.
Parece que há um grupo de homens de apoio ao violador de telheiras que tem vindo a crescer no facebook. Apoio às vítimas desse criminoso, nada. Também há um grupo de apoio aos padres pedófilos, dentro da Igreja, a começar pelo Papa e mais altos responsáveis. Apoio às vítimas, nada. O exorcista mor do Vaticano -Gabriele Amorth- diz que as críticas à Igreja são obra do Diabo. Como diz uma cronista do NYT, o que a Igreja precisa não é de um exorcista, mas dum 'sexorcista'.
Estamos na semana da Páscoa, a mais importante do calendário católico. Nesta semana é obrigatório a confissão dos pecados e o arrependimento, mas a Igreja só se preocupa em acusar os outros e não mostra sinais de arrependimento. Não é que haja mais pedófilos entre os padres do que entre outros. Não é que acreditemos que a Igreja é imune aos crimes dos homens, mas acreditávamos que a Igreja fosse uma instituição do lado do bem, do lado da humildade, do lado da verdade, do arrependimento, da compaixão pelas crianças, do lado da justiça. Mas não é.
Dos argumentos usa sempre o que lhe interessa mais: os padres são criminosos? É porque a Igreja é constituída por homens, não santos. Os padres criminosos não são entregues à justiça? É porque a Igreja é uma instituição divina que está acima dos homens e não lhes deve explicações!
A quantidade de casos de pedofilia entre padres que surgem por todo o lado é chocante, sobretudo pelo encobrimento que tiveram, que custou mais milhares de vítimas que poderiam, e deveriam, ter sido evitadas se, em vez de encobrir e tranferir padres de paróquia em paróquia, os tivessem denunciado e entregue à justiça. Porque o que este encobrimento diz é que a aparência de respeitabilidade pesou mais que a vida e o sofrimento das crianças. Ou seja, a questão foi ponderada e puseram num dos pratos da balança, a destruição da vida de crianças e no outro a aparência de respeitabilidade moral da Igreja e, o que mais pesou, foi esta última. Este 'comércio' com a vida e sofrimento das crianças é que é completamente imoral e inaceitável da parte duma instituição religiosa. Segundo os padrões da própria Igreja Católica, este não é um pecado venial, e as pessoas que o cometeram fizeram-no na plena consciência dos seus actos.
Quem é que acredita no Papa ou outros quando vêm agora dizer que não sabiam de nada quando houve danças de padres entre paróquias, documentos a defender o secretismo do assunto, etc?
A Igreja católica começa a parecer-se, demasiadamente, com a Muçulmana, no desprezo pela vida, sobretudo das crianças e das mulheres, e na luta pelo poder, a qualquer custo.
A propósito da reforma que aí vem, com a (ainda maior) desresponsabilizaçãodos alunos na assiduidade, a (ainda maior) desautorização dos professores na disciplina, alguns comentários:
1. Disciplina é uma palavra que vem de "discípulo", que por sua vez deriva do termo latino 'pupilo' que, por sua vez, significa instruir, educar treinar. A ideia de dsiciplina e de disciplinar constrói-se em torno da ideia da educação do carácter da pessoa. Assim, a palavra disciplina tem um sentido pedagógico que indica a disposição dos (discípulos) alunos em seguir os ensinamentos e as regras de comportamento do educador, disciplinador.
Disciplina é, portanto, uma palavra de âmbito muito mais lato que a ideia de punição. Dito isto, a não aprendizagem da assiduidade e de outras medidas de comportamento social fundamentais à educação do carácter, quando não são levadas a sério e responsabilizadas, impedem essa mesma construção positiva do carácter. Se o aluno pode não seguir a orientação de assiduidade (disciplinadora dos hábitos, nomeadamente de trabalho) do professor, se essa aprendizagem for considerada de menor importância, o efeito é duplo: é uma mensagem de permissão de (in)disciplina - e, se se permite o não cumprimento de umas regras, com que argumento se há-de exigir o cumprimento de outras?- e de autorização para não seguir o educador, isto é, autorização para não dar sentido importante ao papel disciplinador do professor, o que, implicitamente, é tomado como autorização para ser o seu próprio educador. Como estamos a falar de crianças e adolescentes, nem é preciso explicar os perigos que isso comporta...vê-se pelos casos do Leandro e do professor de música, para não irmos mais longe.
2. A não repetência 'tout-court' alimenta a ideia de que os conhecimentos e a aprendizagem da vida em sociedade, não são importantes. Como é que nos poderemos espantar que depois estas pessoas passem o resto da vida a reivindicar direitos sem noção dos deveres, sem consciência dos problemas, sem conhecimento das situações?
3. Nestas coisas imagino sempre o que diria se um aluno, um dia mais tarde, viesse ter comigo, já adulto, e me confrontasse com as seguintes palavras: 'com que direito desisitiu de mim sem pensar duas vezes? Porque é que deixou que eu passasse sem saber nada? Porque é que não me disse 2 ou 3 verdades? Porque deixou que eu falasse como se soubesse o que se deve aprender e o que se deve ensinar? Porque me deixou ser mal educado? Não via que eu era um puto, com 15 ou 16 ou 17 ou 18 anos? Não era evidente que eu não sabia o que era a vida e o que necessitava? Não era evidente que estava a precisar de orientação, de educação? Desde quando é que um miúdo adolescente sabe o que é melhor para si? Desde quando é que passar sem saber nada ou não ser responsabilizado ajuda a preparar para a vida, para enfrentar os problemas?
Se o ministério for o primeiro a desistir dos alunos, e se tornar a vida negra aos professores e escolas que não querem desisitir dos alunos, que sociedade estamos a construir? Que pessoas construirão o futuro do meu país?
Uma pessoa não é menos criminosa por não pegar na faca e espetar no outro. As leis que perpetuam a ignorância e a pobreza por desprezo da educação dos mais fracos são mil facas que matam o futuro de gerações inteiras.
Igreja concentrou-se em evitar o escândalo e não nas vítimas P
Altos responsáveis do Vaticano – incluindo o Papa Bento XVI – não tomaram medidas contra um padre que abusou de mais de 200 rapazes, noticia o “The New York Times”.
Isto é mesmo grave. É que não se trata de um ou outro padre pedófilos. Trata-se do Arcebispos e outros Bispos que, ao ocultarem uma série de crimes durante anos a fio, não só são cúmplice desses crimes (o Papa é uma dessas pessoas que encobriram milhares de crimes) como são traidores de tudo aquilo que representam e defendem, porque defendem, acima de tudo, uma ética, uma moral e uma virtude cristãs.
É muito diferente, no que respeita a este caso, serem talhantes ou médicos, por exemplo, do que serem padres, porque estes se assumem como modelos sociais do que deve ser o homem - sem complacências, já que ameaçam com o Inferno e a Eterna Danação. As pessoas ouvem o que eles dizem, fazem o que eles fazem. São guias espirituais e de conduta de milhares. São pessoas que julgam os seus semelhantes e, por isso, se põem acima deles em termos morais.
Acho isto mesmo grave e se essas pessoas tivessem de facto uma moral cristã coerente e vivida, abandonavam os cargos e iam fazer penitência paraqualquer sítio.
SOL
Então, conclui Rui, «a abordagem está a correr bem». Mas avisa que há uma alteração de última hora: Sócrates diz que «tem de ser a PT, especificamente, a fazer a operação». Penedos pergunta-lhe se o documento que foi para a Prisa já reflecte isso e a resposta é afirmativa. Rui, aliás, tem viagem marcada para Madrid daí a três dias para fechar o negócio. Penedos desabafa que «é uma situação de risco» e que tem «mais medo do lado interno».
Internamente, porém, a situação parecia salvaguardada. A PT assumia o negócio e Rui seria o substituto de Moniz. Para isso, teria de fazer uma espécie de comissão de serviço na Prisa. Sócrates – que é apelidado pelos seus como o «chefe» ou «chefe maior» – dissera-lhe que tinha de ir para a Prisa «durante três meses». O que ele acata: «O chefe diz que é tudo ou nada e que não pode ficar com a fama e sem o proveito».
Rui Pedro adianta que também «já está escolhido o homem da informação, o Paulo Baldaia» (director da TSF, rádio do grupo Controlinveste, de Joaquim Oliveira, que inclui o DN e o JN).
Como é possível esta gente continuar por aí como se nada fosse? Porque no banco dos réus quem se senta é o povo. Quem vai pagar os crimes de uns e de outros é o povo. Paga-os com desemprego, pobreza e fome.
Certas coisas nunca mudam com os tempos. É por isso que as civilizações desaparecem, por causa deste tipo de cancros crescerem livremente.
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